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Segunda-feira, Março 15, 2010

Parques Brasileiros - Urgente!

 Equipando uma via de escalada no único setor permitido na Gruta da Lapinha, o sitio do Rod.

Estamos passando por uma fase grandes transformações dos parques naturais brasileiros, Unidades de Conservação que presa pela manutenção de suas características naturais e também pelo uso sustentável.

Infelizmente os parques brasileiros não são devidamente cuidados. Muitos deles não têm funcionários e nem infraestrutura, de forma que a visitação fica comprometida e a conservação da natureza também.

Muitos destes parques abrigam mostruários incriveis de afloramentos rochosos, têm trilhas maravilhosas e muito potencial para a prática de escalada em rocha e montanhismo, mas as pessoas que administram estes paraísos acham que a presença de escaladores e montanhistas por lá é algo ruim e por isso proibem sua prática.

Um dos Estados que mais sofre com estes problemas é Minas Gerais, que tem vários parques lindos fechados para a escalada. Para resolver este impasse, a CBME, junto com a FEMEMG e a AME participaram de um seminário sobre o uso público das UC´s mineiras.

Ainda não há previsão e nem se a escalada será liberada nas UC´s mineiras, entretanto o seminário abre um precedente histórico na luta pelo acesso e ao direito de uso dos parques públicos no Estado. O problema não é somente na esfera estadual e em Minas, ele acontece em todo o Brasil.

Outro acontecimento que necessita todo cuidado e o acompanhamento por parte de quem frequenta as UC´s com frequência, no caso nós montanhistas, é o plano de concessão das UC´s Federais por parte do ICMbio.

Esta concessão significa passar para o poder privado a responsabilidade e exploração do turismo nos parques. De um lado isso obrigará investimentos e trará incentivos à visitação, mas de outro, as empresas serão obrigadas a transformar a visita em negócio, inflacionando o preço de acesso e também causando impactos significativos, pois um parque só será rentável se tiver mais infra estrutura e mais gente visitando.

Eu tenho minha opinião particular sobre o assunto e minhas preocupações. Não vou repetir aqui, pois elas estão escritas em minha coluna no AltaMontanha, então leia: Parques empresas

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Sexta-feira, Dezembro 25, 2009

Pra quem tb não gosta de Natal....

Eu não gosto de Natal há muito tempo. Na real gostava bastante quando era criança e ganhava presente, mas logo fui percebendo que a data serve apenas pra "aquecer" a economia e vender aquilo que não se conseguiu durante o ano. Vou deixar um video hilário do Marxzini tirando um sarro dos rappers e fazendo uma sátira bem leve ao espírito de Natal que importamos dos Estados Unidos...

Abaixo, vou reproduzir um texto extraído do blog Classe Média Way of life! É hilário, vale a pena ler...




Não adianta tentar fugir: para ser médio-classista, é estritamente necessário gostar do Natal.

O Natal é uma festa que acontece todo final de ano, onde as pessoas louvam um deus sempre retratado de barba, que veio do céu para trazer à humanidade o que realmente importa nesta vida. Trata-se do Papai Noel, carregado com um saco bem grande de bens de consumo. O Papai Noel é uma divindade muito louvada pelos médio-classistas, um personagem criado pela indústria de refrigerantes como o símbolo da festa mais importante para a Classe Média: a época das compras de Natal.

Apesar de ser uma importante e apreciada época festiva, as origens do Natal, tal como hoje é conhecido, não são bem claras. Algumas correntes científicas defendem que a data era utilizada, em tempos remotos, para festejar o nascimento de Jesus, ícone das religiões cristãs. Esta teoria, no entanto, enfrenta forte combate quando exposta ao fato de que sua comemoração ocorre no dia 25 dezembro, contrariando a lógica pela qual o calendário ocidental moderno se utiliza do nascimento do mesmo personagem como marco zero, o que, por dedução, só estaria correto se o mesmo nascesse no dia primeiro de janeiro. A contra-argumentação dos estudiosos que ligam o Natal a Jesus apresenta duas versões para resolver o imbróglio: ou ele nasceu prematuro de 7 dias, ou ele só foi registrado no cartório 7 dias depois, porque os pais moravam na roça e naquela época era penoso e demorado chegar à cidade no lombo de um burro. Ainda não há consenso na comunidade científica sobre o assunto.

O Natal também é a época da afirmação dos verdadeiros valores da Classe Média, e isto ela faz com demasiado talento. No afã de deixar claro que ter nascido no Brasil foi apenas um acidente de locação geográfica, os médio-classistas se esforçam para compartilhar do mesmo tipo de festividades que os grandes irmãos do hemisfério norte, também conhecidos como "mundo civilizado". Abre-se mão do mundialmente invejado clima tropical, que proporciona, por exemplo, noites de agradável temperatura, preferindo ambientar suas comemorações em uma emulação do inóspito clima de nevasca. Em pleno calor causticante de verão, nossos shoppings se cobrem de neve de espuma e isopor. Velhos gordinhos, coitados, são fantasiados de Papai Noel, enfiados em vestimentas, luvas e botas inclusive, desenvolvidas originalmente para que esquimós consigam atravessar vastíssimos desertos de gelo em busca de focas gordas.

A tortura se completa com milhares de lâmpadas incandescentes, para tornar o ambiente já quente em uma verdadeira chocadeira, e claro, horas a fio de música instrumental das famigeradas harpas natalinas. Haja saco, hein Papai Noel!

HOHOHOHO!

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Terça-feira, Dezembro 22, 2009

O que fez a Casa de Pedra fechar?




O título desta postagem é uma pergunta que também poderia ser expressa da seguinte maneira: Por que a escalada em São Paulo não deu certo?

Para muitos esta pergunta parece estranha, pois a cidade de São Paulo tem os melhores escaladores do país e isso eu não nego. O problema é que em São Paulo, passado a moda da década de 90, a escalada não se estabilizou como uma cultura.

Eu sou paulista e comecei a escalar, sobretudo, pelas facilidades que a moda da escalada proporciou aos principiantes no final da década de 90. Entretanto de 2004 pra cá a escalada decaiu muito!

Quando me mudei para Curitiba, em 2007, percebi que esta decadência só exisitia em São Paulo e descobri que no Paraná e em todo o Sul, a escalada e montanhismo era algo muito tradicional e antigo e que São Paulo era um lugar secundário neste cenário nacional.

Entretanto como o Brasil é paulicêntrico, eu tinha a impressão que antes da década de 90 não existia a escalada no país, afinal, só quando ela se tornou "moda" em São Paulo é que se tornou evidente e os meios de comunicação sempre exploraram a escalada e montanhismo de forma superficial e nunca tinha tido acesso à rica cultura do montanhismo que existe há muito tempo tanto no Sul, quanto no Rio.

Em Minas a escalada e montanhismo também é recente e como em São Paulo, explodiu após a década de 90. Mas diferente de SP, em Minas ela se perpetuou e se recriou. Hoje só em Belo Horizonte há o mesmo número de ginásios de escalada que todo o Estado de São Paulo junto, após o fechamento da Casa de Pedra do Morumbi.


Então por que em São Paulo a escalada não foi pra frente?

Na minha opinião isso aconteceu por conta da cultura do paulistano, uma cultura que é conflitiva com a cultura do montanhismo.

A escalada foi na década de 90 um objeto de consumo, uma moda, que como toda moda em SP tem vida curta.

Durante a moda, o paulistano consome, mesmo que isso custe caro. Vários parasitas se aproveitaram, sugaram todo o dinheiro e depois que a escalada passou a não ter a pompa que tinha antes, estas pessoas e empresas sumiram.... Em São Paulo a escalada foi mais praticada por publicitários, do que por montanhistas e este foi o motivo para a decadência da atividade na capital ao ponto que já não há mais uma equação que permita que uma Casa de Pedra fique aberta.

No fundo, montanhismo e escalada não dá dinheiro. Estas são atividades difíceis que requer muita coragem, bom condicionamento físico e acesso à meios naturais. Eu não estou dizendo que ginásios são aberrações, pelo contrário, é o melhor meio para uma pessoa se tornar um bom montanhista, mas pra isso acontecer, ela deve assimilar a cultura do montanhismo.

O que houve foi que as pessoas não assimilaram esta cultura. Trocaram os fins pelos meios e quando a moda passou, os holofotes se apagaram, elas deixaram o montanhismo de lado.... Onde elas estão hoje? Ora, veja as atividades de "aventura" que estão atualmente na moda e tire suas conclusões...

Por fim, é até bom o fim da moda da escalada, mas é terrível suas consequências, pois infelizmente foi a grande quantidade de pessoas escalando que manteve aquecido as  vendas nas lojas e o funcionamento dos ginásios. Isso era bom, pois foi através deste dinheiro que locais como a Casa de Pedra foram criados. Mas só amor pela escalada não mantém grandes estruturas abertas e por fim a escalada como um todo saiu perdendo...

Não deixe de ler o artigo completo que escrevi sobre a temática em minha coluna no site AltaMontanha: Fechamento da Casa de Pedra e o cenário dos Ginásios no Brasil

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Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Um montanhista na Adventure Sports Fair

Maximo, Fábio e eu

Ontem estive na Adventure Sports Fair, a maior feira sobre esportes de aventura na América latina.

Desde de 2003 que eu não ia nesta feira, pois já naquela época eu notara que cada vez mais a ASF estava se distanciando de quem praticava montanhismo. Nos anos que se passaram eu ouvi a mesma coisa de pessoas que continuaram indo e desta vez constatei que o montanhismo esteve quase ausente.

Haviam muitos stands de grande marcas, mas nenhum de marcas de montanhismo, como Conquista, Kailash, Solo etc... Certa vez, falando com o Fábio Monroe, proprietário das Botas Nômade, ele me disse que era muito caro ter um stand nesta feira e isso tornou sua participação inviável.

Neste ano aconteceu que fora empresas grandes, como a FIAT, Troller, etc... houveram poucas empresas pequenas. Por outro lado, houveram muitos stands governamentais, como o da Argentina, que está investindo muito no Ecoturismo.

Também esteve presente a ABETA, a Associação brasileira de empresas do Ecoturismo e isso mostra que o turismo de natureza está em alta e que pessoas leigas tem hoje bastante acesso à lugares onde antes era privilégio de poucos.

2009 é um ano ainda marcado pela crise mundial, mas as empresas do meio precisam realizar negócios para conseguirem se manter. O público geral tem grande interesse, mas infelizmente quem pratica está um pouco desinteressado, até por que faltaram atrativos para eles.

Espero que em 2010 a feira volte a crescer e que a organização viabilize uma maneira de que empresas pequenas voltem a ter um espaço lá dentro. Fora isso, que as lanchonetes cobrem menos pela comida e bebida (porque lá dentro era muito caro!) e que os expositores se interessem em anunciar no altamontanha, pois estamos precisando!

Interior da Feira

Palestra da Janine

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Quarta-feira, Maio 27, 2009

Um bom momento da escalada?!

No ano passado escrevi um artigo, baseado em minha percepção sobre como estava a escalada daquele momento e minha experiência com a escalada no passado. O cenário daquele momento era bem pior do que o de 4 ou 5 anos atrás.

Como indicativo tínhamos a possibilidade do fechamento da Casa de Pedra, o mais importante ginásio de escalada de São Paulo, sobrevivente de uma turbulência que fez fechar outros 4 ginásios no Estado. Os campeonatos estavam esvaziados, as pessoas desmotivadas, os picos de escalada já não tinham mais tantos freqüentadores como antes...

Para piorar nossa atividade estava sofrendo uma marginalização, pois é assim que eu interpreto as proibições das escaladas em áreas públicas como em parques. Só para citar uma breve lista tínhamos naquele momento todas diversas restrições impostas pelos órgãos que administram parques: P.E. da Pedra Azul, ES; P.E. Gruta do Monge, PR; P.E. da Gruta da Lapinha, MG; P.E Canyon do Guartelá, PR; P.N. do Iguaçu, PR; P.E do pico do Jaraguá, SP, entre outras proibições particulares.

Agora nos princípios da temporada de 2009, vejo que esta história começa a mudar e há vários indicativos para isso.

Para começar, os campeonatos voltaram. Este ano já foi realizado etapa do campeonato catarinense, paranaense, carioca (de volta em 2008 depois de anos sem realizações), mineiro (que contará com diversas etapas), brasiliense e agora o gaúcho, que no ano passado teve só uma etapa, realizada às pressas em Dezembro. Há ainda o boulder fest da Casa de Pedra, que não vale como paulista, mas terá uma premiação como há tempos não se via em campeonato.

Para melhorar ainda mais, neste ano tivemos duas re-inaugurações de ginásios de escalada, um em Curitiba (Estilo Aventura) e outro em Belo Horizonte (7 cumes). Alguns lugares de escalada foram reabertos, como o Parque do Jaraguá em SP. Claro que a situação atual não é a melhor de todas, mas fica mais ou menos claro que a escalada tem momentos de alta e de baixa. Estive falando com o Eliseu Frechou e ele me disse que em sua escola de escalada ele observa estas tendências, que é quando ele não ministra cursos de escalada básico. De acordo com ele, o pior momento foi entre os anos 2003 e 2004, quando o país sofreu uma recessão pela troca de governo e o dólar chegou ao patamar dos quatro reais.

Fora isso há também a questão da moda. Há épocas que a escalada fica mais em evidência. Lembro-me que até 2003 a escalada era negócio e as marcas estavam na feira de esportes de aventura em SP, mas depois desapareceram... e a tal feira virou um espaço para corrida (gincana) de aventuras, que tem um apelo para os patrocinadores muito grande.

Se estamos melhorando ou não só o tempo dirá... Mas iniciativas como a do projeto pró-escalar certamente estarão dando um sangue novo, assim como pessoas de associações e clubes que passaram a estar mais atuantes promovendo mais atividades. Há ainda muito que percorrer para que a escalada atinja um nível de destaque no mundo, mas alguns sucessos individuais, como o Felipe Camargo são boas amostras e uma aposta para o futuro.

Felipinho na seletiva juvenil de escalada: Jovem e experiente

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Quarta-feira, Março 04, 2009

Ginásio de escalada em Crise?!



Os primeiros ginásios de escalada surgiram na União Soviética nos anos 50 com o objetivo de ser um local para treino de escalada em rocha durante o inverno quando lá é impossível estar na pedra. As agarras naquela época eram de madeira e muito rústicas. Hoje os ginásios têm grandes estruturas, as agarras de resina são especiais e pensadas para minimizar as lesões.

Os ginásios são populares no mundo inteiro e neles é onde se propaga a cultura da escalada e do montanhismo. Na Europa e nos Estados Unidos há ginásios enormes, super equipados, onde treinam escaladores de quase todas as modalidades, sendo que estas estruturas são muito importantes para manter os escaladores em forma na época de muito frio e de chuva, assim como também na época de muito trabalho, onde fica difícil se afastar da cidade por muito tempo.

No Brasil há poucos ginásios de escalada e a maioria se concentra em grandes cidades. Custa muito caro manter uma estrutura de um ginásio e o público muito especifico dificulta a vida do empreendedor, tanto que até mesmo em cidades onde há uma grande comunidade de escaladores, há uma dificuldade de se manter um ginásio, como no Rio, onde o preço dos imóveis são estratosféricos e a rocha é de graça e está por todos os lados.

Em São Paulo estes ginásio se tornaram, de uma certa maneira, populares nos finais dos anos 90. Foi quando a Casa de Pedra teve três unidades. Além dela, na cidade de São Paulo ainda tinha a 90 graus e o Ginásio Crux, que virou mais tarde a Rocódromo e depois fechou. Outro ginásio que também fechou foi a Vertical Indoor de Arujá e o Ginásio Alpino de Campinas, fora a unidade da Granja Viana da Casa de Pedra, que no ano passado quase ficou com uma só unidade.

Curitiba parece ser hoje a cidade os ginásios mais movimentados. Aqui tem a Campo Base, o super equipado e enorme Via Aventura e o pequeno ginásio da Pro mountain. Outra cidade que está com muitos ginásios é Belo Horizonte, com o Ginásio das Pedras, Tórtons e o novo e grande Rokaz, que eu ainda não conheço.

Existem outros ginásios espalhados pelo Brasil, como o Altitude de São José do Rio Preto, o Pedra e Aventura de Taubaté. Há ginásios de boulder em Brasília, Goiânia, Porto Alegre, Montes Claros e em algumas capitais do Nordeste, onde a cultura da escalada está florescendo.

Da mesma forma como vimos pipocar ginásios de escalada e boulder, vimos também que muitos deles não agüentaram viver por muito tempo e fecharam. Alta carga de impostos? Inexperiência administrativa? Falta de adeptos? É difícil saber os motivos, pois cada caso é um caso e só o proprietário poderia dizer o que pesou mais na difícil decisão de fechar as portas de uma "casa da escalada".

Acho que além destes motivos citados, poderia citar mais um: Boicote. Sim, há escaladores que boicotam os ginásios e isso é muito feio. Se você é escalador pode decidir se quer treinar em um ginásio ou não, mas o que não pode é ficar falando mal deles, só por que no seu ponto de vista isso é legal ou não.

Assim como existe escalada em artificial, escalada tradicional, escalada esportiva, escalada de boulder, existe também a escalada indoor e ninguém é dono da verdade em achar que a "sua" escalada é melhor que a dos outros. De certa forma vejo que escaladores experientes entram no ginásio para treinar e levam ferro de escaladores de plástico que nunca escalaram na rocha antes, isso desperta a raiva de gente que se acha "donos da verdade" na escalada e ao invés de ficar na sua e treinarem para melhorar suas deficiências eles simplesmente boicotam ginásios falando que isso não é escalada.

Eu treino umas três por semana em um ginásio em Curitiba, lá eu vejo gente que só escala em ginásio e nem pensa em ir pra rocha treinando ao lado de grandes nomes da escalada brasileira, como o Edmilson Padilha, Valdesir Machado, até o Waldemar Niclevicz aparece lá para escalar. Eu mesmo treino com o objetivo de evoluir e mandar vias mais difíceis e também mais comprometedoras.

Claro que essa facilidade toda leva para os ginásios muita gente sem pretensões algumas, gente que escolha entre escalar e fazer natação e que por avaliar os benefícios de uma coisa e outra e sabendo que tem que deixar de ser sedentário se matricula num ginásio, mas não pensa em ira para rocha, pois não é fanático como nós somos. Hoje estas pessoas são as que mantêm os ginásios abertos, pois se os empresários dependessem somente de escaladores, eles não teriam o movimento necessário para manter uma estrutura como aquelas abertas para treinarmos. Estes escaladores ocasionais também movimentam as lojas de montanha e por isso mantém as fábricas de equipamentos produzindo. Se todos os ginásios do Brasil fechassem, certamente não haveria demanda suficiente para que tivéssemos uma fabrica de sapatilha e teríamos que voltar a escalar de kichute novamente, assim como usar cadeirinha artesanal de fita de cinto de segurança, como nos anos 80.

Os ginásios são a casa da escalada, centros de propagação de nossa cultura e locais de encontro da galera e porta de entrada para nossa atividade. Dentro dos ginásios somos fortalecidos como agremiação de pessoas e também individualmente como escaladores mais fortes e treinados. Embora nos ginásios não possamos treinar todos os tipos de escalada, a evolução da escalada passou por eles e sem eles o que teremos será a involução de nossa atividade, pensem nisso!

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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Escadas na montanha


Essa discussão de escada em montanha é algo muito batido e não quero me prolongar muito nisso. Antes que alguém venha com o argumento que escadas estão presentes há muito tempo nas montanhas, já adianto que há muita diferença entre a época dos nossos avós, quando foram instaladas algumas escadas em montanhas famosas, como no Dedo de Deus e Pedra do Baú, com a atualidade.

Primeiramente há hoje um avanço significativo das cidades sobre as regiões naturais e também há uma maior valorização da natureza, o que leva muita gente para dentro de parques e consequentemente montanhas, que em contrapartida desta admiração, sofrem muito mais com a degradação do que há 50 anos atrás.

Hoje existe muita informação disponível para que pessoas se tornem montanhistas e isso não custa muito. Em Curitiba, por exemplo, custa apenas R$ 15 por mês para ser sócio do Clube Paranaense de Montanhismo e ter acesso a muita coisa. Então não há desculpas de que existe uma conspiração de elitazar o montanhismo e tirar os "pobres" da montanha.

No entanto há uma grande preocupação no crescente afluxo de pessoas no meio natural, principalmente pessoas sem educação a quem se convenhou chamar de "Farofa". Estes não respeitam a cultura do montanhismo, não por que são maus, mas sim por que são simplesmente "Sem noção".

Ir para a montanha é tão democrático e barato que "sem noção" e gente experiente convivem juntos na montanha e atritos ocorrem por conta da diferença de visão que estes grupos têm da natureza. Enquanto o primeiro quer se divertir e se libertar das regras da sociedade, o segundo vê a montanha como um local sagrado e de respeito.

Vira e volta culpam alguém pela crescente presença dos "Sem noção" na montanha. Culpam a moda do ecoturismo, as agências, os guias, os sites e meios de comunicação, o fácil acesso e também as escadas, que facilitam e muito a vida de quem quer subir uma montanha.

Éticamente é errado ter uma escada para facilitar uma escalada. De acordo com a Declaração do Tirol, elas têm que ser usadas apenas como último caso para resolver problemas com erosão e outros impactos da presença humana.

Acontece que certas pessoas acharam legal este artifício e resolveram encher as montanha de degraus, para facilitar a subida e de marcações, para ninguém se perder, rompendo totalmente com a proposta do montanhismo que é estar em contato e calibrar-se com a natureza. O excesso de escadas tirou a graça do montanhismo e emprestou à montanha facilidades da vida urbana.

A proposta de ter escadas em montanhas tem que ser a original, que é a que está na declaração do Tirol e nas regras do mínimo impacto da CBME. Elas não podem ser desvirtualizada para favorecer pessoas. Em hipótese alguma a montanha deve se preparar para receber visitantes, estes sim devem se preparar para subir uma montanha.

É para isso que existem clubes e associações, assim como as federações, que devem zelar pelas montanhas junto com os orgãos ambientais. A atitude de tirar as escadas do Pico Paraná que eram excedentes e desnecessárias foram boas, embora tenha sido ruim ter ocorrido sem a permissão da FEPAM.

Quem se sentir lesado que procure por se aperfeiçoar. O desafio nem é tão dificil assim!

Estou deixando um link interessante para o blog do montanhista Waldyr Neto em que ele mostra um exemplo bom de intervenção deste tipo. Comparem com o PP e vejam como estavamos errado e com excesso de escadas:

Intervenções na montanha, qual é o limite ético?

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Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Sobre a tragédia dos italianos no Aconcagua

Ventos brancos varrem o cume do Aconcagua em um dia de tempo bom! Imaginem isso com tempo fechado? Pois bem, a tragédia na montanha começou assim...

No mes de Janeiro, a comunidade andinista voltou sua atenção para mais uma tragédia no Cerro Aconcagua.

As notícias que foram passadas na mídia, contavam que um guia argentino, Federico Campanini, que conduzia amigos italianos, se perdeu na região do cume, quando uma tempestade fustigante os alcançou. Sem visão por causa dos ventos brancos, o guia conduziu o grupo ao glaciar Polacos, que é uma rota mais técnica que fica ao leste da montanha. Um dos italianos, uma mulher, sofreu uma queda e quebrou uma perna. Este grupo permanececeu dois dias ao relento na região do cume e no final, contava-se que quando chegou a patrulha de resgate, o guia argentino e a mulher com perna quebrada já tinham falecido...

Os italianos sobreviventes foram encaminhados ao hospital e depois retornaram ao seu país sem dar detalhes sobre a morte do guia. Caso encerrado, todos calados... Até agora.

Nosso amigo Hilton Benke esteve em Puente Del Inca recentemente e comentou o caso com alguns muleiros que trabalham no Aconcagua e nos trouxe uma nova informação sobre o caso que não divulgamos, pois pareciam mais intrigas e fofocas do que algo real. Segundos os muleiros, o guia argentino não tinha sido encontrado morto, ele havia se matado na montanha, pois tinha sentido culpado pela morte da italiana.

Agora com a divulgação do video com cenas do resgate, a verdade vem a tona. O guia argentino estava muito debilitado, mas vivo. Ele foi deixado para trás na montanha, pois a patrulha de resgate não conseguiu descê-lo.

Muitos vêm a criticar a patrulha de resgate pelo fracasso da operação, mas colocando-me no lugar deles, sei que é dificil realizar um resgate deste tipo, a quase 7 mil metros de altitude, com tempo ruim e muito cansados.

O video é muito chocante. O guia sem forças é arrastado por uma corda. Ele tenta se levantar, mas não consegue. Talvez tenha sido uma das últimas ações que ele tenha tentado fazer com vida. Depois foi deixado abandonado e morreu congelado.

Muitos ficaram com raiva de Federico Campinini e o culparam pela tragédia. Entretanto o Hilton trouxe da argentina outra versão do acidente. Segundo os muleiros, o guia não se perdeu no cume. Ele e o grupo chegaram lá com a tempestade formada, com ventos brancos vindos do norte muito fortes. Foi por este motivo que eles sairam da região do cume, pois tentaram se abrigar na outra encosta dos ventos que vinham do lado de onde vieram. Essa história faz todo sentido. Pois depois de descerem um pouco pela rota dos polacos, a italiana que estava sem visão e muito cansada, caiu e fraturou a perna e por isso o grupo ficou por lá.

Essa história trágica é uma lição para todos nós. Pois tudo isso teria sido evitado se o grupo tivesse percebido a formação do mal tempo e tivessem descido, como fez uma das integrantes da expedição que se salvou. O pior que eles puderam fazer foi não terem desistido.

Esta decisão é muito dificil e muitas vezes somos relutantes em tomá-la. Eu mesmo já fiz isso em duas ocasiões em que quase me dei mal. A primeira foi no Huayna Potosi em 2002, quando tive sorte de retornar ao acampamento em meio aos ventos brancos. Na segunda vez foi no Incahuasi em 2006, quando eu o Maximo só voltamos porque estávamos com um GPS. Os ventos brancos são ventos carregados de neve em pó em ambientes já nebulosos em que não conseguimos enxergar um palmo à frente. Os gringos chamam este fenômeno de "white out" ou seja, "branco total".

Nesta situação vc não consegue ficar parado, pois congela de frio e não consegue nem caminhar, pois pode ir para um lugar errado, cair num precipício ou numa greta ou ir para em local distante na montanha.

Acho complicado culpar alguém pelo ocorrido. Todos tiveram a chance de desistir, inclusive uma das integrantes do grupo desceu e se salvou da tempestade. A patrulha não pode ser culpada pela morte de Federico, pois ele tentaram ajudar, eles são na verdade heróis por terem descido os outros italianos e não bandidos por terem fracassado no içamento do guia argentino.

Deste episódio trágico fica uma lição que sempre é dada e que todos ignoram. Saiba a hora certa de desistir. Um cume não vale a sua vida. Volte e tente novamente mais tarde. Se alguém tem alguma culpa do ocorrido são os próprios andinistas que não desistiram do cume.

Esta é a minha opinião.

Veja mais sobre o caso: Aconcagua: Pai de guia afirma que seu filho foi deixado na montanha para morrer!

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Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Problemas de Itatiaia e a demagogia das grandes intervenções

Está rolando no Parque Nacional de Itatiaia uma polêmica sobre o reassentamento de algumas propriedades que ficam no entorno do parque que existem há muito tempo. Esta polêmica está dividindo as opiniões dos escaladores, pois alguns acham que o parque tem que ter prioridade sobre o ser humano e outros acham as estas propriedades convivem com o parque há muito tempo de uma forma harmônica, não sendo necessária a remoção de pessoas, o uso do dinheiro público e a grande intervenção em prol da uma melhoria na preservação.

Não vou me alongar neste caso, pois quem frequenta as listas já deve estar cansado de debater. Entretanto eu gostaria de comentar um outro caso particular de grande intervenção em que uma idéia politicamente correta e verde, pode acarretar no final em uma grande tragédia social sem sequer resolver os problemas ambientais. Este é o caso do reassentamento das mais de 1000 famílias que vivem no vale do Rio Itaqui, em São José dos Pinhais, Paraná.

Embora seja um caso totalmente diferente daquele de Itatiaia, vejo que é motivado pela mesma razao em um caso que vou tentar contar com poucas palavras.

Ao longo do Rio Itaqui há 2 bairros que foram loteados na década de 60 e aprovados pela prefeitura, em cima do rio. As pessoas que compraram os lotes que tem uns 500m2, eram pessoas humildes que procuravam fugir do aluguel. Lá era o local ideal, pois o terreno era barato.

Logo que foram ocupando a área, perceberam a cagada que fizeram, pois em cada chuva forte, tudo alagava. Entretanto, como o povo é muito guerreiro, eles lutaram contra as enchentes... aterrarando os lotes. Muitas das pessoas que vivem lá gastaram mais de 50 caminhões de terra para resolver este problema.

Com o tempo, estas pessoas foram fazendo outras melhorias, substituiram as casas de madeira por alvenaria, solicitaram melhor arruamento, receberam anti-pó, iluminaçõa pública, esgoto e água da Sanepar.

Hoje, estas pessoas vivem em casas boas e bonitas. Mas são todas pessoas humildes que gastaram o dinheiro de uma vida inteira de trabalho naquelas casas. Por outro lado, por ser um bairro distante e barato, houveram muitas invasões, estas, nos piores terrenos que nunca foram vendidos, ou seja, os que estavam em cima do rio.... Vi o drama destas pessoas, todas sofrem com vários problemas da falta de higiene, é comum ver crianças com micoses por causa da água suja do rio...

Agora a prefeitura de SJP quer remover estas pessoas e preservar o rio, pois este é um dos menos sujos da região do alto Iguaçu e lá tem captação de água pela Sanepar. O discurso é lindo, todo mundo aplaudiria no final.

Para poder de fato preservar a área de proteção ambiental ao longo dos 30 metros da margem do rio, eles irão utilizar a área de uso restrito, a de 100 metros para criar um parque, fazendo com que a população tenha um apego por aquela área de lazer e assim preserve a natureza através deste parque linear. Assim resolve-se a questão ambiental e de captação de água, também é criado uma área de lazer, melhorando a qualidade de vida da população e se resolve o problema do déficit habitacional promovendo justiça social com sustentabilidade. Pois bem....

Pra começar, este projeto irá favorecer quem está errado, que é quem invadiu um terreno e ainda por cima em área de preservação ambiental. Sim, existe todo um contexto por trás, mas estou falando na questão legal... Na questão legal, desfavorece que está em situação regular, que tem escritura do imóvel, mora há anos no local e que ainda saiu de uma situação social desfavorável e gastando o dinheiro de uma vida de trabalho, construiu uma casa boa em um terreno grande.

Acontece que estas casas boas não valem nada (o valor imobiliário é de 20 mil e tem gente que gastou mais de 100), pois aquele loteamento não tem valor imobiliário e o dinheiro que eles gastaram nas melhorias do terreno não contam, mas sim as casas, que apesar de serem boas, são humildes...

Eles serão levados para um conjunto de predinhos loooooonge de lá... Todos juntos... nivelando por baixo as pessoas que prosperaram e tirando da informalidade as pessoas que vivem informalmente.

Com o passar do tempo, os informais, que são os que vivem nas ocupações, certamente irão se endividar e terão que sair dos predinhos e irão retornar à outra ocupação... No final da história, vc terá feito injustiça social, colocando pra baixo quem tinha prosperado, não terá resolvido a questão dos sem teto e nem a ambiental, pois estes últimos voltarão à outra beira de rio para construir barracos. E sem o dinheiro da venda de seus apartamentos, pois este $ irá saldar suas dívidas em suas breves experiências como pagadores de IPTU, luz, água, condomínio, etc etc...

Por isso sou cada vez mais contra estes grandes projetos, pois eles não levam em conta as questões pessoais de cada família. Eles custam uma fortuna e não resolvem nada, pois são feitos de maneira genérica para todos. Melhor seria se houvessem políticas de inclusão social, de incentivo ao empreendedorismo, reforma tributária e combate aos grande monopólios, pois isso tudo é que faz com que haja as disparidades sociais. Ninguém mora na beira do rio porque quer... Se esta população tivesse condições financeiras mínimas, eles teriam saido de lá por conta própria. Não adianta dar casa se eles continuam sem emprego e renda.

Bom, até aqui esta experiência não tem muito a ver com o caso do PNI, a não ser que os planejadores em ambos os casos são movidos por razões tecnocratas, em aplicar a legislação sobre um Sistema de informações geográficas e impor a regra em um contexto totalmente aburdo. É por isso que dizem que o inferno está cheio de pessoas com boas intensões...

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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Qual é o papel de um clube na escalada?

Publiquei este texto ontem no site do Clube Paranaense de Montanhismo, o qual sou diretor de escalada, achei que ia dar o que falar, mas ninguém até agora se expressou. Irei reproduzi-lo aqui, quem sabe então haverá comentários...



Durante a seletiva nacional para formar a seleção brasileira juvenil de escalada, um dos idealizadores do projeto proferiu um discurso em prol da escalada brasileira, explicando os objetivos da seleção e valorizando os clubes e as federações. Entretanto fica uma questão: Será que os clubes estão fazendo seu dever de casa? Veja o exemplo e as dificuldades do CPM.

Em uma coluna no site altamontanha.com, eu expus minha percepção sobre o momento atual da escalada no Brasil, que acredito estar sofrendo um retrocesso. Vários foram os motivos que me levaram à esta conclusão: Picos de escalada com menos frequentadores e muitas proibições, lojas e ginásios fechando, campeonatos vazios, revistas de escalada falindo, pouco interesse de empresas em apoiar a atividade.

A escalada é uma das atividades do montanhismo, eu diria que é a parte técnica deste meio, sendo que há uma escalada mais tradicional em que o objetivo é subir montanhas e também há uma parte esportiva onde ocorre os campeonatos. Não existe uma escalada melhor que outra, há sim vertentes distintas, mas ao meu ver a escalada esportiva de competição é das atividades mais prestigiadas e visíveis do meio montanhístico, embora ocorra distante das montanhas.

Com o surgimento dos ginásios, a escalada esportiva ganhou muitos adeptos e se tornou mais popular do que a escalada tradicional. Isso trouxe uma certa popularidade, sendo que os ginásios se tornaram porta de entrada à vários jovens que se tornaram grandes escaladores. Entretanto, nem todos se tornam "montanhistas" no sentido conceitual da palavra. Talvez por isso, ao passar do tempo, houve todo este distanciamento da escalada com o montanhismo, ao ponto que em 2007 foi criada a IFSC (International Federation of Sport Climbing), separando-se da UIAA (União internacional das federações de montanhismo).

No Brasil este distanciamento foi ao longo do tempo esvaziando os clubes de montanhismo, que se tornaram "centros de excursionismo", onde atividades de escalada se tornaram cada vez mais raras ao ponto que não foi se renovando os associados escaladores, estes, por fim cada vez mais independentes.

É por este motivo que as federações estaduais (com excessão do Rio, por causa da acessível escalada urbana) se esvaziaram e se endividaram, não conseguindo sequer executar projetos para os montanhistas e sequer para os escaladores. Mas não achem que estes últimos, por estarem munidos da possibilidade de organizar campeonatos ficaram nadando no dinheiro, pelo contrário.

As associações de escalada sempre enfrentaram dificuldades, mesmo tendo alto poder apelativo por causa das competições, talvez pelo pragmatismo dos empresários brasileiros que querem para cada real investido, receberem mais de cem! Os campeonatos foram cheios entre o final da década de 90 até mais ou menos 2003. Mas com a falta de apoio, premiações ridículas e baixa renovação, logo eles também sofreram com o retrocesso, ao ponto de que na última etapa do brasileiro de 2008 haviam somente 7 atletas competindo!

O projeto pro-escalar, idealizado pela AEEP e homologado pela CBME e FEPAM, tem como objetivo reverter este quadro. Para isso eles buscaram qualificar-se, enviando Anderson Gouveia, um dos melhores escaladores de Curitiba, para certificar-se Route Setter pela IFSC. Além de organizar e conseguir apoio para formar uma seleção de jovens atletas que irão competir num mundial, este projeto visa organizar a escalada esportiva e dar sangue novo ao esporte e isso passa pela federação dos escaladores, valorizando os clubes e associações.

A escalada esportiva é um esporte de alto rendimento, exige muito do atleta e poucos chegarão à um nível para conseguir competir numa final de Copa do Mundo, mas não duvido que deste grupo seleto de jovens haverão até mesmo futuros campeões. Entretanto o mais importante deste projeto não formar um campeão mundial, mas sim incentivar os jovens a praticar escalada.

Tenho certeza que mais do que campeões, o projeto pro-escalar irá formar escaladores concientes e vai disseminar a cultura do montanhismo, se houver, é claro um trabalho por trás e aí que entra o clube.

De que adianta dermos apoio aos jovens para escalar se não passarmos a eles nossa experiência? Mais do que levar estes jovens ao ginásio, temos que levar eles à nossas rochas e montanhas e resgatar os valores existentes na cultura do montanhismo.

Por isso acredito que nosso Clube de montanha tem que abraçar este projeto, dar suporte aos atletas e também trazer estas pessoas para dentro do CPM. Para isso acontecer todos têm que ajudar, pois senão perderemos esta chance de reverter este processo de pragmatização do montanhismo. Se o clube não exercer seu papel de porta de entrada para a escalada e montanhismo, o projeto pro-escalar estará fadado a continuar na mesmisse, pois somente os jovens com melhores condições estarão aptos de participar de uma seletiva e ocorrerão novamente categorias com somente dois participantes.

Os clubes têm que realizar um trabalho de base no fomento de novos escaladores, mas isso também só ocorrerá se os mais experiêntes ajudarem, ou melhor, se os mais experiêntes abraçarem o clube, pois o que tenho visto é que estas pessoas deixam de frequentar os clubes quando não mais precisam deles e esta é a maior dificuldade do CPM, onde estão os escaladores experiêntes que por lá passaram???

Na atualidade não temos como pagar por um projeto. Tudo tem que ser feito voluntariamente e aí espero que a conciência dos mais experientes pese à favor da escalada e do montanhismo, pois se não foi o montanhismo o que melhorou nossas vidas, onde está a retribuição para melhorar aquilo que tanto gostamos?

Espero que todos os sócios ajudem neste árduo trabalho e também que os montanhistas e escaladores independentes se unam a nós para lutar por algo em comum: A valorização, reconhecimento e desenvolvimento da cultura da montanha no Brasil.

Junte-se a nós!

Foto: Luan Wagner de Oliveira, 16 anos, campeão paranaense iniciante 2008, 8 lugar na seletiva na categoria juvenil A em sua segunda vez no Anhangava, 8 de Fevereiro de 2009.

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Domingo, Janeiro 18, 2009

Seletiva para o mundial juvenil: Um grande avanço!



Pela primeira vez o Brasil irá montar uma seleção brasileira de escalada juvenil para competir em um mundial.

Este projeto está sendo encabeçado pelo experiente Anderson Gouveia, escalador curitibano que já participou de diversas competições internacionais e que atualmente é o único route setter brasileiro reconhecido pela IFSC.

Anderson esteve no último mundial juvenil realizado em Sidney na Austrália, onde ele fez o curso de route setter. Nesta ocasião, ele pôde ver o drama de brasileiros que participam da competição de forma independente, sem apoio e tendo que ser ajudados pelos staffs das outras seleções.

Depois de presenciar a desclassificação do Felipinho no campeonato e não poder fazer nada para ajudar o garoto, ele decidiu que este quadro tinha que mudar.

Segundo ele me contou, a escalada de competição vinha decaindo desde a época que ele era profissional. Há 10 anos atrás os campeonatos eram muito mais disputados e haviam mais participantes. Hoje, por mais tenha havido um grande avanço individual com certos atletas, a escalada esportiva em geral sofreu um retrocesso e segundo Anderson, isso ocorreu porque não houve renovação. Concordo com ele!

Esta seletiva tem como objetivo não apenas montar a seleção brasileira, mas também incentivar os jovens escaladores a competir e também trazer mais crianças e adolescentes para a escalada.

A seleção juvenil é ainda um teste. Se ela der certo, em alguns anos estes jovens escaladores serão os másters do futuro. Não custa sonhar, mas o que o Anderson e a AEEP quer com este projeto é dar uma guinada na escalada brasileira para daqui alguns anos nós tenhamos campeonatos brasileiros com várias etapas, muitos atletas competindo e termos também, de repente, algum escalador brasileiros entre os finalistas de uma copa do mundo.

Países muito pequenos, como a Eslovênia e a Austria, além da Espanha, tem as melhores seleções do mundo. Por que o Brasil, com todo este potencial de escalada, não pode um dia se tornar uma potência também?

Hoje, na América Latina, temos os melhores talentos individuais. Nossos escaladores Felipe Camargo, Cesar Grosso, Belezinha e Janine Cardoso vencem qualquer parada contra nossos hermanos. Entretanto, em termos de organização a Venezuela dá de 10 a zero na gente. Eles tem uma seleção de escalada há muito tempo e já tiveram atletas vencedores de etapas de Copa do Mundo (de velocidade).

Para o projeto funcionar perfeitamente, a CBME precisa de cerca de 150 mil reais por ano. É muito dinheiro! Mas não é algo impossível de se conseguir, depende da união e organização dos escaladores.

Para este ano, a AEEP, que é a associação de escalada filiada à FEPAM, que está organizando a seleção, já conta com algum patrocinio. Eles não conseguiram todos este dinheiro, mas o que conseguiram já garante algumas passagens de avião para a Europa, além do material esportiva para os atletas. Até a competição, é esperado que se consiga mais e que todos os selecionados, mais o técnico, consiga viajar para a França.

O Mundial será no final de Agosto em Valence, França. Espero que nossos guris e gurias façam bonito por lá. De antemão já posso citar nomes de escaladores que tem tudo para se classificarem e fazer bonito lá fora. São eles o Felipe Camargo, Caio da Via Aventura e a Ana Paula Veloso. Entretanto pode-se esperar um novo garoto prodígio aprontando nesta seletiva e conquistando um espaço merecido entre os melhores. Aposto todas as minhas fichas nos guris da academica Pé na Agarra de Campo Alegre - SC.

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Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

O capitalismo sem regra no Brasil

O capitalismo é um sistema econômico e política que têm como prática a mais valia. Uma industria produz algo por um valor e vende por outro. Um comerciante compra uma produto e vende mais caro. Isso é ajustado e está dentro das regras do sistema. Sem infantilismos, não é pecado lucrar e nem ganhar dinheiro.

Acontece que o capitalismo tem controle. Uma empresa não pode exercer monopólio e várias empresas não podem se juntar e fazer um acordo para controlar o preço de um produto, fazendo um cartel. As regras do capitalismo ocorrem para valer a antiga lei da oferta e procura.

Em tempo de crise, como agora, é comum haver deflação, pois com a baixa no consumo, as empresas tenderão a baixar o preço de seus produtos para vender mais. Pois a circulação de dinheiro e de mercadorias é sinônimo de saude de mercado. Se um empresa tem produtos emperrados, ela está na pior.

Nos Estados Unidos, que é o país onde o capitalismo está no "way of life" da população, é possivel achar promoções de mais de 70%. Lá, tudo baixou de preço. Os imóveis, que são os vilões da crise, estão mais baratos do que há 10 anos atrás (e mesmo assim não tem gente que os compre).

Um dos principais indicadores de crise é o preço das commodities, que são as principais matérias primas da indústria, como aço, petróleo, gás etc... Como elas são regidas pela lei de mercado, se a economia estiver aquecida, o preço destas matérias primas sobem, se o mercado estiver em baixo, elas caem.

Com o petróleo podemos notar isso. Antes da crise o barril estava custando US$ 147,00. Agora, ele custa US$35,00 (preço de ontem). Uma baixa de 75%.

Com esta redução gritante no preço desta importante matéria prima, eu achei que a gasolina no país ia ficar mais barata. Pura ilusão...

A Petrobrás resolveu aumentar seu caixa lucrando com a baixa do preço do barril do petróleo, não reajustando o valor dos combustíveis, o que pela regra do capitalismo é ILEGAL!

Com isso, a gasolina do Brasil hoje é a mais cara do mundo. Para você ter uma idéia, nós, pobres brasileiros, pagamos por litro de gasolina 50% mais caro que o americano paga lá nos Estados Unidos pelo mesmo produto. Detalhe, sem adição de 25% de alcool como aqui. O preço do Diesel no Brasil é 30% mais caro que lá.

Mais uma vez estamos sendo lesados pela conivência do governo que não toma nenhuma atitude. Aliás o governo brasileiro é culpado por muitos dos abusos do capitalismo no país. Diferente de outros lugares onde o Estado é um agente fiscal regulador, aqui ele é agente distribuidor de privilégios à pequenos grupos econômicos, regulando monopólios, como por exemplo, nos Transportes. Já notou que aqui não temos concorrência entre empresas de ônibus? E que as Agências de transporte regulamentam o monopólio das empresas explorarem trechos rodoviários? Pois é...

Esta crise já engoliu cerca de 35% de nossos salários com a desvalorização de nossa moeda frente ao dólar. Mesmo ganhando menos, ainda somos punidos pelas empresas que aumentaram suas taxas de lucro, ilegalmente, para anularem os prejuízos da crise.

Resumindo, este país é o paraíso dos grandes empresários. Pois aqui eles nunca se dão mal, pois é na crise que se ganha mais dinheiro. E o povo? bom, aí já sabem... Nossa triste segunda colocação entre os países mais desiguais do mundo é o resultado destas políticas.

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Terça-feira, Janeiro 13, 2009

Ótica distorcida no Oriente médio

Não vou ficar dando juízo sobre os acontecimentos de guerra entre Israel e os Palestinos da Faixa de Gaza. Estamos a milhares de Km de distância e não vivenciamos o dia a dia destas populações para dizer quem está certo ou errado.

Entretanto, por mais que seja uma guerra desigual, quem provocou ela foi o Hamas que é um grupo político radical e nem sequer reconhece o Estado de Israel (como vão negociar a paz se ele não reconhece o outro?).

Por ser uma luta de um país rico e poderoso contra um outro pobre e superpopuloso, que históricamente acumula derrotas, é natural que exista um sentimento de torcer pelo mais fraco e muita gente "torce" pelo Hamas, o que na minha opinião é um absurdo!

O Hamas, assim como o Hezbollah, recebem a simpatia de muitos militantes da esquerda no Brasil e no mundo, pois são grupos anti-Estados Unidos. Mas isso não significa uma oposição no sentido de ser contra a conduta política de exploração americana de países mais pobres. Eles são oposição porque sabem que os EUA são aliados de Israel. Dentro do Hamas e Hezbollah não há nenhuma ação em prol de um bem estar social do povo palestino, eles não são um grupo de esquerda no sentido da filosofia política. Pelo contrário, atacando e não reconhecendo o poderoso vizinho, só estão causando desgraça ao seu povo.

Hoje olhando no Orkut, pude ver uma coisa me chamou a atenção pela distorção do ideal de esquerda e do ideal de justiça social. Tratava-se de um jovem, destes com grande potencial artístico e com um espírito contestador. Até aí tudo bem, mas eis que eu vejo que ele vendendo camisetas de revolucionários de maneira muito distorcida: Um Che Guevara estilizado de palestino e também camisetas do Hamas e do Hezbollah. Ora, que liderança libertadora é essa? Foi o tempo que jovens contestadores vestirem camistas de Gandhi, Salvador Allende, Chico Mendes etc...

A impopularidade da Guerra para o lado israelense é uma realidade dada como certa antes da guerra começar, eis que da imagem de tirano que o Estado Judeu e os Estados Unidos têm advém este absurdo... Daqui a pouco vão fazer uma camiseta do Dalai Lama com uma AK 47 defendendo o anti-ocidentalismo.

Não sou a favor da guerra contra a Palestina e nem tenho conhecimentos empíricos para dar meu juízo. Mas peço que diante desta situação sejamos sensatos.

Há uns 20 anos atrás o Iraque invadiu o Irã dos Aiatolás e o ocidente vibrou com a vitória da democracia e liberdade no Oriente Médio. Festejaram nada mais nada menos do que a tirania de Saddam Hussain. Hoje o que temos no Iraque?

O Ocidente tem que aprender com os erros do passado e de repente não se meter na guerra dos outros para não produzirem outros Saddam Hussains e outros Al Qaedas da vida. Vejam as camisetas. Elas custam R$40,00, mas não comprem...

Che Palestino. Imaginem um argentino viver sem vinho?! Ele nunca poderia morar em país islâmico...



Essa Ak 47 é um simbolo de paz?

Use uma camiseta incitando a Guerra!

Sem comentário...

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Sábado, Janeiro 10, 2009

Aumento da Tarifa de ônibus em Curitiba e a bicicleta

Na próxima segunda-feira a tarifa de ônibus em Curitiba soferá um reajuste de 15,7%, passado de R$ 1,90 para R$ 2,20. As tarifas do circular centro serão reajustadas em 20% passando de R$ 1,00 para R$ 1,20 e a linha turismo 25% passando a custar R$20,00.

Este é o presente de ano novo que nosso prefeito reeleito dará a seus eleitores. Tá certo que desde 2004 que a tarifa não era reajustada, mas os atuais valores são um ônus a mais para a população utilizar nosso pouco eficiente sistema de transporte público.

Ao mesmo tempo em que as tarifas aumentam, o preço dos veículos particulares diminuem, pois com a crise mundial e os incentivos governamentais para incrementar o consumo, foi reduzido o IPI de veículos e certamente isso resultará em um acrécimo nos congestionamentos de trânsito da cidade.

Nunca no Brasil se comprou tanto carro e isso já é sentido nas ruas. Curitiba que ainda é uma metrópole pequena, causa espanto a quem estava acostumado com o trânsito daqui uma ou duas décadas atrás. Eu que sou de São Paulo, acho o transito curitibano ainda muito trânquilo, mas em um passado recente não havia congestionamento na cidade. Levando em conta que a população de Curitibae está estável há cerca de uma década, a mudança que houve é no número de veículos.

Infelizmente no Brasil o transporte público é caro e ineficiente. Realizo com frequência viagens para o interior de São Paulo e gasto menos em combustível do que eu gastaria se fosse de ônibus. Isso estando sozinho no carro.

É claro que se o brasileiro tiver condições ele vai abandonar o tranporte público e vai comprar seu carro próprio. Este é o sonho de qualquer um e é triste ver o governo apoiar estas idéias, contribuindo para a não mobilidade urbana e para o aumento da poluição.

Ao mesmo tempo, o transporte mais popular que existe, as bicicletas, sofrem com o descaso. As prefeituras nunca se lembram dos ciclistas. Poucas são as cidades que tem ciclovias e outros tipos de infra-estrutura para a bicicleta, como bicicletários, que são muito baratos comparando a infra-estrutura para os veiculos.

Recentemente, aqui mesmo em Curitiba, o grupo "bicicletada" realizou um protesto pacífico em plena luz do dia pintando uma "ciclo faixa", que como o nome diz, é uma faixa especial ao lado das ruas para as bicicletas circularem com mais segurança. A Polícia Municipal agiu com truculência, levou alguns ativistas para a delegacia e aplicoua eles uma pesada multa por depredação do patrimônio público: "Pixação"!

Eu tenho um carro, mas também tenho tenho uma bicicleta. Infelizmente não posso me locomover todo o tempo com a bike pois todos sabem do perigo que é pedalar. Tenho mais medo de ser atropelado em Curitiba andando de bicicleta do que escalar uma alta montanha nos Andes. Já perdi um primo ciclista, Bruno Akimoto, que tinha uns 22 anos na época, que foi atropelado por um caminhão em São Paulo. Desde então tenho um certo trauma com segurança no trânsito e vejo que nada tem sido feito para melhorar a segurança dos ciclistas nem para melhorar a trafegabilidade e tão pouco a qualidade de vida urbana, seja com propostas de um transporte de fato popular, quanto à questão da melhoria da saúde da população. Com um incentivo para as bicicletas tudo poderia mudar, mas as autoridades não querem!

Ainda bem que existem pessoas que lutam pela inserção da bicicleta no trânsito: O bicicletada Curitiba. Dou todo apoio a eles.

Estação central de ônibus em Curitiba

Um ciclovia na cidade. O modelo adotado aqui é de que a bicicletada seja apenas utilizada para lazer, por isso elas existem somente em parques e não no centro e nos locais onde as pessoas possam utilizar para ir ao trabalho.

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Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

Morte no Aconcagua

Todos os anos repetem-se as noticias trágicas vindas da montanha mais alta e popular dos Andes, o Aconcagua.

Com um curriculum macabro, qualquer um que não conhece a montanha e nem o montanhismo, vai achar que nossa atividade é extremamente perigosa e nossas montanhas campos de batalha onde o montanhista luta até a morte contra as adversidades impiedosas da montanha.

Esta é uma visão totalmente errônea do que é o montanhismo e o que é o Aconcagua, mas infelizmente histórias trágicas continuam acontecendo e o vilão é a imprudência dos montanhistas. Imprudência em querer escalar algo que não está em sua capacidade física e mental e ingenuidade em achar que contratando um guia e uma expedição particular você irá conseguir chegar ao cume sem riscos.

Já falei várias vezes que o Aconcagua é uma montanha fácil, seja pela normal ou pelo Glaciar Polacos. Mas esta montanha é fácil somente para montanhistas. Ou seja, para quem está acostumado em subir montanhas seja no Brasil ou melhor ainda, nos Andes.

Acontece que todos têm essa facinação pelo mais alto. Todos os anos vejo pessoas treinando para ir ao Aconcagua e se tornar montanhistas, para no ano seguinte deixar de ser. Este é o perfil de quem se envolve em acidentes: Montanhistas da moda, aqueles que se atraem pela montanha, mas nunca praticou, nem mesmo nas montanhas próximas de casa.

Eu já fui ao Aconcagua duas vezes. A primeira, em 2002, eu tinha 20 anos de idade e fiz o cume pela normal sem ter guias, mulas, nada! Peguei cinco dias de tempestade em Nido de Condores e mais um dia em Berlim e persisti até o fim.

Na segunda vez, em 2004, fui com o Maximo para o Glaciar Polacos. No meio do caminho ajudamos os guarda-parques a resgatar dois corpos congelados e presenciamos o drama de uma morte e também o trabalho que a equipe de resgate tem descer os corpos.

Primeiramente a equipe de resgate leva um tambor de plásticos (desses azuis) até o local onde está o corpo. Lá, usando um fogareiro e uma faca quente, eles cortam o tambor ao meio e unem as duas partes com um arame aquecido no fogareiro e assim constróem uma plataforma para arrastar o corpo.

Várias pessoas ajudam na descida, que devido o terreno irregular é preciso fazer muita força. O corpo chega todo destruído na base de tanta batida. Lembro-me que o corpo que descemos, de uma alemão, chegou em Plaza Argentina quase sem queixo, de tanto bater nas pedras.

Quando o corpo chega nos acampamentos base, aí é hora dos helicópteros evacuarem. Eles geralmente embrulham os corpos com sacos de estopa e amarram na escotilha do helicóptero e levam embora, junto com o lixo e outros badulaques abandonados por lá.

Um guarda-parque me falou que antigamente, antes que o serviço do Parque Provincial tivesse helicópteros, eles tinham que evacuar os corpos nas mulas.

Acontece que as mulas não podem ver corpos, senão empacam. Então eles tinham que guardar os corpos dentro destes tambores azuis e assim amarrar na mula para levar embora. Acontece que corpo nenhum cabe dentro de um tambor, a não ser que não esteja inteiro. Para resolver este problema, os guarda-parques se aproveitavam do fato dos corpos estarem congelados e colocando uma pedra na cintura e fazendo uma "gangorra" partiam o corpo ao meio.

Macabro? Pois é....

Então sigam o conselho que eu deixei no site altamontanha. Não façam o Aconcagua como primeira montanha. É muito mais seguro chegar lá mais experiente. É mais econômico também, pois só o Aconcagua tem um permisso tão caro nos Andes.

Experimente outras montanhas, adquira experiência e só vá para o Aconcagua com certeza que é isso o que você quer.

Subimos montanhas para celebrar a vida e não para perdê-las. Montanhismo não é perigoso. Perigoso é tentar imitar montanhistas. Pense nisso.

Links relacionados:

Dicas do Aconcagua e Cordón del Plata
Relato do resgate dos Corpos no Aconcagua

Primeira vista que temos do Aconcagua desde o Vale de los Relinchos, pela face leste.

Corpo congelado que ajudamos a resgatar em 2004.

O mesmo corpo amarrado na escotilha do helicoptero na evacuação.

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Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Retrocesso na Escalada: Comentários

Gostaria de agradecer as pessoas que leram minha coluna do site Altamontanha.com e colocaram suas opiniões.

Acho que uma discussão de toda a comunidade escaladora é muito importante neste momento e vou embasar meus argumentos, complementando o texto e replicando alguns comentários.

Para começar, vou justificar porque eu utilizei a palavra retrocesso ao invés de decadência em meu texto. Retrocesso é o ato de retornar ao estado anterior, enquanto que decadência é o declínio ou enfraquecimento de algo. Através desta simples explicação justifico que o fechamento da Casa de Pedra e de outros 5 ginásios de escalada no Estado de São Paulo representa claramente um retrocesso.

A questão é o que acontece depois de um retrocesso. Geralmente uma crise e crises podem resultar em decadência, ou superação.

Este assunto sobre o retrocesso, crise e decadência na escalada já foi discutido por mim outras vezes:

25/05/2008: Uma crise no montanhismo e escalada.
24/07/2008: Reflexões sobre os velhos problemas nas montanhas.
16/09/2008: Pessoas Físicas na Fepam
21/10/2008: Parques Proibidos

Vários fatores aconteceram para que esta crise viesse a abater a escalada brasileira. Eu não sei qual deste fatores teve o papel mais forte nisso tudo que aconteceu, mas não é preciso ser um gênio para perceber estes problemas...

Primeiramente, como eu disse no texto, a escalada, assim como qualquer atividade é passivel de se transformar em uma moda e atrair muitos adeptos que depois de um tempo migram para outra atividade e isso aconteceu com certeza, ainda mais dentro dos ginásios que apresentam uma grande comodidade e facilidade para as pessoas começarem.

Em seguida, temos outros problemas com a escalada muito graves que foram as proibições e restrições. Realizamos nossas atividades em áreas naturais e elas sofrem de problemas de degradação. A escalada em si não é muito impactante, mas nossos orgãos ambientais não vão trabalhar ao nosso favor para provar isso. A atitude de proibir antes de conhecer foi algo tomado em quase todas as unidades de conservação no Brasil. Em muitos casos travamos grande lutas e quedas de braço e conseguimos algum progresso, mas em muitos lugares que são importantíssimos para a escalada, como a Lapinha em Minas, essa briga ainda teve resultados para nós.

A proibição da escalada é um retrocesso em nossa atividade, pois além de sermos impedidos de fazer aquilo que nos propomos, ainda somos marginalizados diante da sociedade.

Em seguida, há a questão da falta de educação de muitos escaladores. Gente que não sabe respeitar a cultura dos locais onde tem escalada. Saibam que muitos dos locais onde proprietários proibiram a escalada foi por este motivo, embora existam também muitos proprietários sacanas e ignorantes. Entretanto, fumar "um" dentro da propriedade dos outros, fazer bagunça, barulho, jogar lixo no chão, estragar plantações e largar porteiras abertas para o gado fugir são irresponsabilidades nossas que voltaram mais tarde contra nós através das proibição particulares.

O problema da falta de educação é um ato de auto-boicote, pois com o mal comportamento e a falta jogo de cintura, os próprios escaladores acabam por contribuir para sua própria marginalização.

Há ainda o problema da falta de incentivo. A escalada precisa de constantes renovações, pois alguns param e outros começam a escalar. Este é um problema grande, pois há uma falta de incentivo para que apareçam novos escaladores.

Para começar, o preço dos equipamentos assustam muitos pretendentes a serem escaladores, mas isso sempre foi assim. Quem não tem grana pra escalar tem que se virar, seja comprando equipo usado, ou comprando coletivamente e aos pouquinhos. O que não contribui, e muito, com a pouca renovação são os próprios escaladores mais experiêntes, pois infelizmente nosso meio tem muita gente arrogante que se sente superior à outras pessoas e não é incomum ver um escalador se achar melhor do que outro só por que escala melhor e por isso julga o principiante de "mané" "farofa" e outros adjetivos negativos.

A escalada ocorre sempre entre amigos ou grupos pequenos. É uma relação de confiança e amizade, mas a individualização excessiva também contribuiu com a não renovação da escalada, pois grupos fechados muitas vezes não permitem que novas pessoas se formem como escaladores. A individualização e a falta de compromisso com a escalada tira as pessoas de clubes e associações que históricamente desempenham o papel de formar novos escaladores. Sem pessoas experientes nos clubes de montanha, não há o desenvolvimento do montanhismo em sua forma mais técnica, a escalada.

A falta de comprometimente não é responsabilidade apenas de escaladores e montanhistas experientes e egocêntricos, mas também dos próprios empresários do meio da escalada. Muitos reclamam que o meio não dá dinheiro. Dinheiro é algo importante, pois ninguém vive de filantropia, entretanto estes empresários tem que pensar que apoio e patrocinio é investimento. Você gasta dinheiro em um atleta com projeto interessante e depois tem seu retorno em divulgação.

As marcas de montanha, foram aos poucos deixando de patrocinar eventos e atletas de escalada e sem este investimento, acabou-se a renovação, divulgação, etc. Hoje, nem mesmo os campeões brasileiros de escalada, Janine e Cesinha tem patrocínios, assim como o montanhista brasileiro mais experiente, Waldemar Niclevicz não tem para escalar montanhas no Himalaia e nem mesmo o site Altamontanha tem para divulgar gratuitamente a cultura da montanha na internet, vide que nele não há anuncios de marcas, apenas do Google.

Sem dinheiro, não é possivel organizar campeonatos de escalada profissionais. Embora termos grandes talentos individuais de atletas que treinam e se dedicam como profissionais, nossos campeonatos não são profissionais, pois só são realizados na boa vontade de alguns voluntários. Se conseguimos alguns patrocínios, eles bancam apenas as despesas operacionais de um evento, mas a premiação de nossos campeões continuam sendo injustas. Sabe quanto o Cesinha ganhou quando ele levou a etapa curitibana do brasileiro este ano? R$ 250,00. Por mais que exista boa vontade e trabalho de muita gente para conseguir esta premiação, temos que concordar que isso não é suficiente e algo falhou para que nossos campeonatos não fossem mais atrativos.

Falo de campeonato pois eles são importantes, pois são um cartão de visitas da escalada, pois é aí que está a parte que deveria ser mais lucrativa da escalada. Campeonatos têm público, tem apelo na mídia, são emocionantes e causam grande impacto. Se você faz um campeonato que tem visualização, haverá certamente retorno para os patrocinadores. Só para comparar, quanto não deve ter custado para os organizadores construirem aquela mega-rampa em São Paulo para o skatista Bob Burnquist voar no meio do sambódromo? Muito dinheiro! Mas mesmo assim teve muito retorno e por mais que o skate seja muito mais conhecido e praticado do que a escalada, quantas pessoas daquele público enorme iriam saltar da mega-rampa? É a mesma coisa na escalada, nem sempre quem está assistindo vai escalar, mas aquilo irá chamar a atenção das pessoas certamente e isso voltará em divulgação ao escalador.

É neste momento de crise que vamos sentir se a escalada irá se recuparar e contornar a situação, ou, se nada mudar, sofrer com a decadência... Só nosso comportamento irá dizer o futuro, o caminho é esse e pra começar é preciso reconstruir o que perdemos.

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Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Meus textos fazendo sucesso lá fora!

Recentemente comecei a escrever um blog em espanhol dentro do porta de escalada Barrabés, tendo como tema a escalada no Brasil (http://red.barrabes.com/pedrohauck/).

O blog foi muito bem recebido, elogiado, mas não esperava que ele iria se tornar uma dos mais populares do portal, com mais visitas do que este, em minha língua mãe.

Meu blog na Barrabés tem apenas 5 postagens, por enquanto! Ao contrário deste com mais de 100 em dois anos de atividade. Lá, minhas postagens são bem simples, apenas falei sobre alguns lugares e coloquei algumas fotos.

O sucesso deste blog, no entanto, se deve com certeza ao grande interesse dos estrangeiros em querer conhecer e escalar no Brasil. Recebi alguns emails de pessoas que se diziam surpresas, pois não achavam que aqui havia escalada e muito menos uma cultura da montanha bem sedimentada.

Fica então uma lição para as autoridades que insistem em ignorar a escalada como uma atividade em ambientes naturais, nos proibindo de escalar em parques e desenvolvendo um tipo de turismo ecológico meramente contemplativo, enquanto que a escalada é uma atividade que te põe em contato com a natureza sem causar grandes impactos.

A escalada, se bem planejada, poderia se transformar em uma fonte de renda em locais de economia pouco desenvolvida, como na Lapinha em Minas e outros lugares, se existisse uma politica de incentivo à este tipo de turismo ecológico.

Por conta deste blog, estou em contato com muita gente de fora e já publiquei um texto, com convite para outros, no portal Argentino de escaladas "Argentina Climb".


Sobre a crise na escalada

Hoje publiquei em minha coluna no Altamontanha uma matéria sobre o retrocesso que a escalada brasileira vem enfrentando. Nela, comento com tristeza a notícia do fechamento da Casa de Pedra de Perdizes, o maior ginásio de escalada de São Paulo.

Em várias ocasiões eu ralatei uma "crise" em nosso meio. Minha percepção sobre este declinio veio de minha experiência em ver os picos de escalada vazios nos fins de semana, ver lojas fechando, pouca participação nas listas e nos sites de montanhas e campeonatos vazios, isso sem falar em escaladores e montanhistas de nome e competência sem conseguir patrocinios para seus projetos.

Ao meu ver, apenas complementando o que escrevi no Altamontanha, foram vários fatores que levaram à esta crise, desde o declinio da "moda" da escalada, passando pelas proibições de se escalar em parques e propriedades privadas e chegando ao alto custo da atividade. Resumindo, ninguém vai pagar caro pra não poder escalar e não haver uma valorização da atividade. Aliás, incidentes como o fechamento de points de escalada, a destruição do muro público do viaduto de Florianópolis e a falta de apoio institucional mostram que a escalada vive uma fase infeliz.

Apenas espero que os escaladores que continuam que não fiquem retraídos em seus cantinhos. Peço que participem mais, vão aos campeonatos, mesmo que não tenham chances de vencer, que vão às festas, aos eventos, participem dos clubes... Se não ajudarmos uns aos outros, a escalada irá morrer com a gente, pois o que a minha geração não conseguiu fazer até agora foi passar seu conhecimento à frente, daí a falta de renovação que está se voltando contra nós.

Eu, em flagrante, realizando atividades ilícitas. Enquanto a escalada não deixar de ser tratada como atividade marginal, só o que podemos esperar é uma decadência.

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Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

Folha de Coca não é droga

Meu companheiro de escaladas carioca, mas residente em Minas, Atila Barros, escreveu um excelente artigo sobre a folha de Coca com informações que nem eu imaginava. Trata-se de uma verdadeira pesquisa sobre a História da Coca, de sagrada a odiada.

A folha de coca, para quem não sabe, não é droga, não é alucinógena e não faz nenhum mal, apenas bem à saúde. Ela tem efeitos analgésicos, por isso os bolivianos que trabalham pesados nas minas do país mascam tanto esta folha. É devido este poder análgésico que em filmes de ação você vê a polícia colocando o pó refinado na lingua, para ver se ela amortece e comprovar se aquilo é cocaína.

Pois bem, a Coca é uma planta Andina, que foi domesticada a milhares de anos e se difundiu bastante na época dos Incas.

A Cocaína é um produto estraída da Coca, mas para isso é preciso fazer um refino. A diferença é comparável entre você ter a flor da Papoula e o ópio: Uma coisa vem da outra, mas são coisas diferentes.

Infelizmente esta cultura milenar sofre muito com os governos dos países andinos, que sem conseguir controlar o tráfico e nem o refino, eles coíbem o plantio da erva, prejudicando milhares de pessoas que nada tem a ver com a droga.

A folha de coca é muito usada no meio do montanhismo. Pois seu efeito analgésico amortece as dores de cabeça ocasionados pela altitude, é um santo remédio ao chamado "Soroche".

Eu já bebi muito chá de coca e masquei muita folha. Tenho comigo uma caixinha de chá industrial que trouxe da Bolívia em casa, que tomo quando tenho dores de cabeça.

Sugiro que leiam o excelente artigo do Atila no Altamontanha e aprendam mais sobre esta magnífica erva e sua história interessantíssima:

Folha de Coca

Mineiro boliviano no interior da mina de prata de Potosi masca coca para aliviar o cansaço de seu trabalho

Mineiro boliviano mascando coca

Marcio Carrilho em frente a barraquinhas de venda de folha de Coca no centro de La Paz durante nossa viagem à Bolívia no ano passado.

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Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

Quem é sem noção?

Francisco "Sem noção" e sua parede no viaduto do Trindade (foto Alessandra Arriada).

Nesta última semana, fomos noticiados com uma triste demonstração de estupidez humana. Em Florianópolis, debaixo de um viaduto, havia uma parede de escalada feita de agarras coladas na estrutura. Tratava-se de um muro público montado por escaladores sem o apoio de ninguém, uma simples ação voluntária de pessoas que aproveitaram um espaço inútil e fizeram algo que é até normal em locais mais civilizados: Dar uma utilidade cultural e esportiva à um espaço degradado.

O idealizador do projeto, Francisco, mais conhecido como "Sem noção", desenvolveu um tipo de cola mais resistente que não ocasionava danos à estrutura do viaduto. Dedicou dias à criação do muro público. Esqueceu somente de escrever um projeto formal e entregar para uma secretaria de esporte e outro laudo técnico entregando para uma secretaria de obras. Coisas inúteis que só servem para abarrotar o funcionalismo e formalizar (esta é a palavra que os burocratas tanto gostam!) a parceria entre a Prefeitura e escaladores.

Sem saber do que se tratava, a Prefeitura foi no viaduto e pôs abaixo o muro público de Florianópolis. Basta dizer que a mesma Prefeitura também abandonou a Pedreira do Abraão, o primeiro parque urbano brasileiro que transformou uma pedreira abandonada em área de lazer, revitalizando-a e transformando-a em um campo escola de escalada que contava até com iluminação noturna para escaladores.

É triste ver isso acontecer com a nossa escalada. Santa Catarina tem se destacado muito, mas suas autoridades não reconhecem este avanço, não sabem o que é a escalada e nem passa na cabeça deles que isso é uma cultura e não um esporte.

Infelizmente no Brasil de hoje, o que mais impede a prática de montanhismo e escalada são as autoridades. É Ibama que proibe escalada em parque Nacional. IAP, IF, IEF que proibem escaladas em parques estaduais e Prefeituras como as de Florianópolis e até Curitiba, berço do montanhismo tupiniquim que fechou antigas pedreiras para a escalada (Parque Tangua, Paulo Leminski etc.)

Nessa história toda fica uma questão: Quem é o sem noção? Nossos governantes que nos põem na marginalidade ou nós mesmos por não reagirmos por estas ofensas?

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Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

O que aconteceu em Santa Catarina

Tragédias com deslizamentos e enchentes ocorrem com periodicidade no Brasil, mas não nesta época do ano e muito menos com esta magnitude.

Enchentes e deslizamentos são muito comuns, é uma mistura entre um clima onde há uma estação de chuvas bem marcadas, um relevo de mares de morros com latossolos, desmatamento fora de controle e falta de planejamento. Entretanto este atual evento em Santa Catarina foi anormal, pois ocorreu de uma maneira muito mais violênta e destrutiva.

Aqui mesmo no meu blog, em diversas postagens, eu reclamei do excesso de chuvas em Curitiba. Tá Curitiba não é Santa Catarina, mas o vale do Itajaí não é longe e o mesmo sistema atmosférico que atinge a região norte de Santa Catarina também atinge o leste do Paraná. Inclusive, o vale do Itajaí, é o fim, ou o começo, da Serra do Mar e é esta morfologia de uma grande barreira ao lado da costa que misturou todos os elementos para a grande tragédia.

A questão é que este ano fez muito calor e calor do mar significa evaporação. Quando estas massas de ar úmidas chegaram na costa e precipitaram na Serra do Mar o vale do Itajaí funciona como um grande escoadouro dessas águas, até por que é o único grande rio da região que corre para o litoral, enquanto as demais bacias drenam para o rio Paraná.

Desde Agosto vem chovendo muito no Sul. Em outras postagens você viram eu contar os fins de semana chuvosos (14!) Isso sem falar nos dias de semana. Para terem uma noção como vem chovendo absurdamente no Sul, no Morro do Anhangava há meses que há um rio que só corre na época do auge das chuvas correndo quase todos os dias, o que demonstra como o solo está saturado de água.

A saturação de água dos solos e a alta declividade são as causas dos deslizamentos que destruíram Blumenau, Ilhota, Luis Alves etc. Em seguida, a magnitude fora do comum do temporal veio por quase "liquefazer" o solo e provocar avalanches de lama que destruiram inclusive regiões florestadas. Em seguida, com os rios muito mais caudalosos e com grande energia, foram causar grandes estragos em Itajaí e Navegantes, na desembocadura do rio.

Cheias de rios, deslizamentos, acontecem em nosso meio natural. Na década de 60, em Caraguatatuba, SP, houve o mais trágico incidente de deslizamento de massa que matou milhares de pessoas. Esta que aconteceu em Santa Catarina foi de magnitude semelhante e com resultados trágicos.

Se são normais estes eventos, eles só tornam catastróficos por que existe um desconhecimento sobre suas causas ou pior, quando a ganância pela grana empurra quem não tem para áreas de risco, embora que nesta tragédia áreas que não era consideradas de risco também foram atingidas, o que demonstra que uma mudança na normalidade do clima pode ter efeitos devastadores e isto serve de exemplo aos que não acreditam em mudança no clima.

Que esta tragédia sirva para que a população e as autoridades saibam das consequências do desrespeito à natureza e à falta de planejamento. Também fique bem claro que isso é um exemplo de que áreas na Serra do Mar não podem de maneira alguma serem ocupadas, ficando um aviso àqueles entusiastas à rodovia BR 101 no Estado do Paraná. O que aconteceu recentemente em Santa Catarina poderá acontecer no futuro em Antonina e Morretes se este projeto sair do papel.

As fotos abaixo são de autoria da Geógrafa Eliza Tratz, mestranda em Geografia Física na UFSC.

A trilha no Anhangava em pleno mes de Setembro. Muita água fora de época!

Locais de deslizamente e corridas de lama na Serra em Ilhota. As cicatrizes mostram que áreas florestadas foram afetadas (foto Eliza Tratz).

Vale de rio totalmente destruido pelo fluxo de lama em Ilhota. Ao fundo o Morro do Baú (Eliza Tratz).

Vertente que foi destruida pelo desbarrancamento. Imagine todo essa massa de terra vindo abaixo e seu poder destrutivo (Eliza Tratz).

A alta energia da água nos baixo curso dos rios foram responsáveis por grande destruição (Eliza Tratz).

Casa destruida por corrida de lama em Ilhota (Eliza Tratz).

O vale de um rio totalmente arrasado pelo afluxo torrencial de água e um desmoronamento (Eliza Tratz).

Detalhe de vertente que sofreu avalanche de lama (Eliza Tratz).

As Avalanches de lama foram tão fortes que tiveram energia para transportar veiculos dezenas de metros e também pedras do tamanho de um micro-ônibus (Eliza Tratz).

Muita tristeza....

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