Blog do Pedro Hauck: Visitando Ningbo, a cidade da NatureHike

28 de novembro de 2018

Visitando Ningbo, a cidade da NatureHike

Era uma segunda feira, e diferente das vezes anteriores, o metrô estava lotado. Eu com minha mochila cargueira nas costas e minha mochila de ataque na frente, tive dificuldade de entrar no vagão, mas foi fácil chegar na estação de Honqiao. Esta estação é um aeroporto doméstico, estação de trem e de metrô.Então imagine o tamanho! Obviamente fiquei perdido...

Não faltava gente para perguntar, mas quem me entende?
Encontro um guarda, mostro minha passagem, ele apenas aponta uma direção. Assim, deixo o metrô e chego na estação de trem propriamente dita.

Meu dinheiro estava acabando e nos dias anteriores notei que não se acha casa de cambio na China. No entanto, como Honqiao tem o aeroporto, achei que lá conseguiriam trocar dinheiro mais fácil. Como Ningbo não é turístico, fiquei com receio de não conseguir trocar dinheiro por lá, por isso decidi trocar uma quantidade maior, 300 USD.

Achei uma central de informações turísticas. Mas como é comum na China, ninguém fala inglês. Mostro o Google translator, onde diz em chinês que quero trocar dinheiro. O atendente então pega o telefone, fala algo com alguém e me passa. Do outro lado da linha a pessoa já veio me falando sobre cambio, num inglês difícil de entender.

Ele me pergunta quanto eu quero trocar e ele diz a taxa, que não entendo bem, mas aceito. Então ele explica para eu dar o dinheiro ao atendente e esperar 5 minutos, é o que faço. Após este tempo ele vem com um bolinho cheio de notas novinhas de 100 Yuans. No entanto, eu deveria receber 200 a mais. Ele arredondou bem pra baixo a taxa. Fico puto, mas fazer o que? Tenho que descobrir como faz para pegar o trem.
Pra onde eu vou?

Vou seguindo as indicações, até chegar na entrada da estação propriamente dita. Lá tem um aparelho de raio X, igual a aeroporto, onde sou revistado. Uma vez lá dentro, há um saguão gigante com portões como em aeroporto, mas não vejo trem algum.

Em todos os portões os destinos estão escritos em ideograma e não dá pra entender nada. Apenas os números. Saio então de portão em portão comparando os ideogramas e em um deles eu vejo o mesmo horário do meu trem e o ideograma igual. Então consigo identificar que um dos números na parte superior direita é o portão. Falta descobrir o que são os outros números do bilhete. A data e hora já havia sacado. Havia um numero seguido de letra (5B) e outro numero sem nada: 6.

Ao abrir o portão e passar pela catraca, chego no trem propriamente dito e descubro que o numero sem letra é o vagão, enquanto que o que tem letra é minha poltrona. Vejam só como se descobre as coisas na China!

O Trem deixa a plataforma no exato minuto do bilhete e rapidamente vamos em direção oeste. Achava que o trem era direto, mas ele para em algumas estações, onde sobem e descem muitos passageiros. De repente, o trem aparece em uma grande cidade e olhando para o painel vejo que estamos em Hanzhou, que é uma cidade de uns 3.5 milhões de habitantes cerca de 150 km de Shangai. _Mas já! Me surpreendo com a rapidez.
Velocidade do trem
Eis que após aparecer o nome da próxima parada (Hanzhou), o painel exibe a velocidade do trem: 295km/h! Só então percebo que estamos em um trem bala!

O Trem passa por Hanzhou e outras cidades grandes e rapidamente vejo aparecer a cidade de Ningbo como próxima estação. Pego minha mochila, me preparo para sair e assim que o trem chega na estação vou para a plataforma. A estação é gigante e moderna. Vou seguindo as placas, e assim chego na bilheteria, onde desta vez consigo trocar meu ticket para a próxima viagem com muita facilidade. Deixo a estação e já estou no centro da cidade.

São quase 13 horas e o estomago me lembra que tenho fome. Em frente à estação encontro um restaurante “self service”. Lá, há um buffet onde você escolhe porções de comida. O chinês come assim, pequenas porções com diferentes pratos. Quando você está com mais gente, coloca tudo numa mesa redonda giratória e assim tem acesso a todas as porções, como se fossem petiscos. Lá foi minha refeição mais barata da China, apenas 18 Yuans! Que bom que são cidades não turísticas.

Do restaurante vou caminhando até o hotel que reservei pela internet. É um tipo de um Holiday Inn, hotel pré fabricado com paredes de Dry Wall, mas confortáveis e bem equipados. O melhor é que custou só R$90.00. Mais barato que o hostel de Shangai.

Estava cansado. Tomei banho e desperdicei a tarde caindo no sono. Acordei no fim da tarde para caçar algo de comer e andar pela cidade. Novamente como em um restaurante barato e saio caminhar. Sem querer encontro um lago, o qual em sua margem há um belo parque e um museu. Afinal, a cidade tem mais de 1000 anos!
Estação de trem de Ningbo

Ningbo a noite.



Ningbo, no entanto, não parece ser antiga. As avenidas são largas, os prédios modernos. Há duas linhas de metrô e exceto pelo museu não vejo nada na arquitetura tradicional chinesa.
Por e-mail combino com meu contato na NatureHike como será a visita no dia seguinte. A NatureHike é uma empresa que faz equipamentos de camping. Há 2 anos importamos estes equipamentos e eles tem feito muito sucesso no Brasil dado seu preço acessível e qualidade de material. Mal via a hora de conhecer a empresa.

No dia seguinte, acordei cedo e fui tomar café. Nada de pães e ovos mexidos. O que achei foi noodles, sopa e outras coisas que nada pareciam com café da manhã.

Às 9 horas chega na porta do hotel um rapaz sorridente. Seu nome ocidental era Duchamp. Adotar nomes ocidentais para negócios é uma pratica comum na China, pois muitos nome são difíceis de pronunciar.

Entramos numa minivan e percorrendo uma auto pista fomos deixando o centro da cidade de lado. Enquanto ia conversando com Duchamp, ia percebendo a paisagem, com muitos edifícios industriais e condomínios de apartamentos. A via elevado, tipo um minhocão moderno, era cheio de floreiras na lateral. Duchamp, por sua vez, se interessava pelo Brasil e pergunta coisas sobre nossa atual situação política. Tive que explicar que nosso momento político não era dos melhores e que inclusive isso estava influenciando no câmbio. Daí não podermos trazer mais produtos em nossa importação.

O carro deixou a auto pista e entramos no bairro. Com avenidas largas e quarteirões grandes repletos de empresas pelos dois lados. Logo o carro imbica um destes edifícios empresariais logísticos e vejo a logo da NatureHike.
Como a empresa é nova e vive uma grande ascensão. O escritório estava em reforma , mas era muito bonito, com paredes de vidro, sala de reuniões e sala de recreação com mesa de ping pong e sinuca. Havia até um cachorro lá, que não gostou muito de mim. Eles nitidamente eram influenciados pelo google way of work.

Enfim conheci a Helen, com quem já havia trocado centenas de emails. Era uma mulher simpática e sorridente. Ela me levou ao show room, onde pude conhecer alguns produtos novos da marca, dentre eles uma nova barraca de 4 estações que havia flagrado no Manaslu. Era um protótipo, não estava a venda ainda. Achei bem interessante.
Com a Helen

A visita durou a tarde inteira, onde tocamos vários pontos, inclusive no desenvolvimento e aprimoramento de alguns produtos. Tudo anotado pela Helen. 


Mesmo sendo muito bacana, no final de tudo estava muito cansado e fui levado a um hotel que reservei mais próximo da empresa, onde tomei banho e descansei um pouco. No entanto, não ia perde a chance de conhecer mais outra cidade e sai para caminhar.

Estava longe do centro, mas perto do hotel havia um outro centrinho. Um quarteirão com lojas e no meio dele um patio de alimentação cheio de restaurantes. No entanto, como Ningbo não é turístico, sua cozinha era bem chinesa. Alguns restaurantes eram de noodles (macarrão), havia outros com muitos pratos com frutos do mar. Alguns inclusive com aquários que mostravam os peixes e crustáceos vivos antes de serem abatidos. Tinha food trucks com algumas coisas fritas e uma única pizzaria. Escolhi um restaurante onde comi um pato e um refogado de legumes com cerveja Harbin, aguada pra caramba.

Na volta, encontrei um local onde se alugam bicicletas por aplicativo e consegui desbloquear uma e dar uma voltinha, mas logo voltei para o hotel. Onde fiquei até adormecer conversando com a Maria.
Acordei tarde no dia seguinte. Afinal, estava bem cansado. Fiquei relando na cama até enviar um e-mail para Helen, me “convidando” a voltar lá para gravarmos vídeos. Ela respondeu e logo mais apareceu o motorista para me buscar.
Show room da NatureHike


Mal cheguei na empresa e havia um meeting com outros distribuidores chineses e fomos a um restaurante todos juntos, onde almocei com o dono da empresa e sua mulher. Comi pra caramba! Entre algumas coisas, o peixe Tofu e um caramujo. Além de um crustáceo que nunca tinha visto antes. Na volta, fiz os vídeos e cansado novamente voltei no fim da tarde para o hotel. Infelizmente chovia bastante e não me animei para passear mais com a bicicleta do aplicativo. Deixei tudo pronto, pois no dia seguinte iria novamente andar de trem. Mais uns 800 km de trem.

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