Blog do Pedro Hauck: Outubro 2018

25 de outubro de 2018

Segundo Dia de caminhadas em Shangai

Acordo tarde para compensar o cansaço dos dois dias anteriores. Para o dia de hoje decido começar indo até a estação de trem para conhecer o caminho até lá e também para trocar a passagem que comprei na internet. 

Apesar de parecer simples, achei que poderia ser desafiador, pois para chegar lá precisaria de andar de metrô, trocar de linha duas vezes e ainda descobrir como trocar a passagem na ferroviária. Parece simples? Sim, mas não numa China onde ninguém te entende e você não entende ninguém. Pelo menos para mim que não estava "aclimatado".

Caminho 900 metros até a estação de metros mais perto. Está vazia. 

Chegando no túnel encontro uma máquina para comprar os tickets. Tudo está em ideograma chines. Porém no canto vejo um botão escrito “english”. É lá que eu apero. De repente o analfabeto aprende a ler.

É  preciso clicar na estação de destino. O preço depende disso. Lugares mais longe são mais caros, locais mais próximos, mais baratos. São apenas 4 Yuans até a estação. Isso dá um pouco mais de 2 reais. Barato!

Antes de entrar na estação é preciso passar a mochila no raio X, depois precisa encostar o cartão de embarque na catraca e levar contigo no bolo. Quando sair na estação de destino, é preciso inserir o cartão na máquina, assim não dá para dar o golpe no metro e você só paga pelo o que usa. É inteligente.

Olho no mapa qual é a ultima estação no sentido do meu destino. Olho nas placas e vejo que estou na direção correta. Entro no trem, faço baldeação na próxima estação, sendo atento para não pegar o trem oposto e assim chego na ferroviária. Lotado de gente!

Passo novamente num raio X para entrar na bilheteria e lá pego uma fila. Na minha vez escrevo no Google translator e mostro para a atendente “Quero trocar a passagem que comprei na internet”. Ela fala algo em chinês. Não entendo nada e depois ela fala “passport”.

Entrego a ela meu passaporte. Ela digita no computador. Nada.

Mostro o e-mail da confirmação da compra. Nada.

Ela chama uma pessoa no telefone e depois pede meu celular e meu passaporte e depois voltam falando em chines. Não entendo nada, apenas entendo a palavra “refund”. 

_ Refund what?

Perco a vez e todos os chineses entram na minha frente na fila. Neste momento ouço uma voz feminina: _Do you need Help?

Primeiramente penso ser uma funcionária da estação, mas era apenas uma chinezina que viu meu desespero e decide ajudar.

Explico a ela o que houve e ela entra na fila junto comigo até esperar minha vez para perguntar o que aconteceu. Meu numero de passaporte não batia com a reserva.

Quando comprei minhas passagens em Kathmandu, digitei errado meu numero de passaporte. Por conta disso não podia trocar a passagem. Fiquei desesperado!

_ Calma Pedro, você precisa pensar.... Dizia  minha mente.

 Friamente falei para a chinesa que me ajudara:

_ Fala pra ela que eu quero comprar uma nova passagem. Não importa se eu tenho essa, quero comprar outra para o mesmo dia e mesmo horário.

Deu certo. Agradeci a ajuda e voltei imediatamente para o hotel, onde tentei de tudo para acessar o site onde fiz a compra dos bilhetes.

No entanto, na hora que eu comprei, não me registrei no site. Com isso, não conseguia mudar meus dados. Pedia para que o site me enviasse a senha do cadastro, porém como na China não funciona o Google e meu e-mail é do Gmail e o site da empresa só funciona com VPN desligado, eu não conseguia mudar.

Decido então mudar de estratégia e ligo no telefone do site, onde me atendem com um perfeito inglês. Pausadamente falo o que houve e me informam que não posso mudar meu documento, apenas posso cancelar as passagens e fazer uma nova compra. Peço então que cancelem tudo e e devolvam meu dinheiro no cartão, e a atendente consegue realizar minha solicitação. No final lembro que comprei também uma passagem de avião de Hong Kong para Shangai, na volta de minha viagem. Esta, felizmente, é possível alterar o documento.

Desligo o telefone com missão cumprida, mas sem passagens de trem. Agora preciso comprar novos tickets. 

Entro no site, escolho o itinerário, o horário, porém na hora de pagar, o site não aceita meu cartão.
Entro no aplicativo do Banco do Brasil e tento desbloquear o cartão. No final da transação, o aplicativo mandou um SMS para meu celular. Mas celular brasileiro. A mensagem com o código para liberar o cartão está viajando até hoje.

Fico desesperado.

Tento relaxar, ainda é meu segundo dia na China e estas passagens são para daqui vários dias. Dá tempo de comprar de outra forma. De repente indo de volta a uma ferroviária.

Vou até a recepção e pergunto a atendente, que falava um inglês razoável, se dá para eu comprar passagens entre cidades alheias a Shangai na bilheteria de umas das estações da cidade. Ela diz que não.

Explico o que houve e quando eu faço uma tentativa para mostrar, consigo pagar a passagem. Era o VPN que precisava estar desligado! Ufa!

Com isso, perdi metade do meu dia, mas ainda dava pra aproveitar.

Olho para meu guia (tipo um Lonely Planet) e vejo que na periferia da cidade tem um shopping de coisas baratas. Estou na China, terra do Alibaba, vou comprar uns eletrônicos baratos. Na lista tinha um HD externo, uma câmera de carro, um mini projetor. De repente um novo celular mais moderno ou qualquer bugiganga útil que aparecer.

Tomo o metrô e chego na tal estação, que é de um museu de Ciência. Na própria estação há um shopping de bugigangas. Passo por ele achando que atrás haveria o shopping que no guia diz que é o melhor da cidade para comprar este tipo de coisas. Mas não... Era aquilo mesmo.
Museu de Ciência de Shangai

O shopping era metade de roupa social e outra metade de bugigangas, predominantemente acessórios de celular: Capinhas, fone de ouvido, power bank, cabos, e outras porcarias. Sem muita opção compra apenas um panda de pelúcia e volto ao metrô, onde pego um trem para centro da cidade, onde fico andando aleatoriamente até cansar.

Na volta do hotel passo por um “family market” onde compro uma bandejinha com sushis e sashimis super barato. Como na rua e volto ao Hotel para descansar.






Fotos acima da paisagem urbana de Shangai feitas nos passeios aleatórios.

23 de outubro de 2018

Shangai: Conhecendo a maior cidade do mundo


O dia amanheceu preguiçoso, com pouco barulho vindo da rua. Olhando pela janela, pouco pude notar da paisagem urbana da cidade. Um edifício envidraçado do outro lado da rua, sobrados envelhecidos do lado e prédios e mais prédios no horizonte. Me chamou atenção uma Ferrari vermelha estacionada na rua.

Desci até rua e fiquei meio sem saber para onde ir. Tomei uma direção, achando estar indo para o centro, mas peguei o caminho contrário. As ruas são retilíneas e bem arborizadas, os edifícios são modernos, as calçadas largas e há muito paisagismo, deixando tudo muito bonito para os olhos.

Retorno à esquina do hotel e decido trocar um pouco mais de dinheiro em um banho apenas no outro lado da rua, tarefa que realizo com facilidade, sem porta giratória e sem precisar falar nada de inglês.

Meu estômago reclama de fome. _Uhm, adoro comida chinesa!

Coca Cola na China
 Ando poucos metros, veja uma padaria, e ao lado um restaurante de noodles: _Yakissoba?! Nada mal!
Uma mulher me atende no caixa e eu aponto para a foto onde vejo um yakissoba de carne de legumes. 25 Yuans. Faço a conta e é barato!

Pouco depois chega meu pedido junto com uma latinha de Coca Cola escrito em ideograma. O Macarrão tá sem sal, o molho é aguado e a carne é fina como um presunto e não tem gosto. Não foi a melhor experiência, mesmo assim comi inteiro.

Saindo dali vou descendo a Jiangning Road em direção à Praça do Povo. A área residencial vai dando lugar edifícios de escritório e não demora até aparecer um Shopping. Entro lá para dar uma olhada.

Como todo shopping de luxo, tem piso brilhante que reflete a luz artificial. No lobby há um tipo de uma “feirinha” onde há um outlet de roupas sociais. Nem parei pra ver. Subo a escada rolante, dou uma volta a um corredor e dou de cara com uma loja de celular, onde vejo o último lançamento da Samsumg sendo vendido por pouco mais de 1000 dólares. Não é pra mim.

Deixo o shopping e vou para na rua Nanjing, com suas lojas de luxo, as quais passo sem dar atenção até chegar na esquina da Rua Wujiang, uma rua de pedestre cheia de restaurantes legais, os quais passo com água na boca, porém sem tempo para comer algo, ou melhor, gostando tanto dessa exploração urbana, que desejava mais continuar do que parar.

Atravesso a rua, passando em frente a um grande Starbucks Café. Me chama atenção uma chinesinha adolescente chorando enquanto escreve no celular. _Xi, levou um pé na bunda do boy, só pode! Basta eu passar que ela começa a discutir com uma mulher mais velha. Talvez a mãe. Vai saber o que aconteceu?

Continuando, passo por trás da Praça do Povo, onde fica o parque Renming. Cruzando a rua Xizang, a rua Nanjing vira um calçadão, onde pela primeira vez posso sentir a quantidade de gente que vive em Shangai. São mais de 25 milhões de habitantes, talvez a maior cidade do mundo! É sexta feira de feriado, mas mesmo assim há muita gente no calçadão, que tem todas suas lojas abertas. Lojas de grandes marcas, Apples, Huaweii e seus caros celulares. Além de grifes que nem sei o nome. Eu apenas olho as vitrines, o povo, a limpeza da rua o paisagismo e a arquitetura dos grandes edifícios de destacando em meio a prédios vitorianos reformados que sediam as grandes empresas.

O novo centro financeiro de Shangai e o rio Huangpu.

Falando em grandes prédios, Shangai tem pelo menos 2 ou 3 entre os 10 mais altos do mundo e é possível avistá-los a poucas quadras, na margem do rio Huangpu, que divide a cidade em 2. De lado onde estou está o centro antigo e do outro lado, em uma península formada pelo rio, está o novo centro financeiro, onde ficam estes arranha céus e a famosa Torre de TV.

Os quarteirões próximos à orla não tem lojas, apenas os edifícios antigos que abrigam relojoarias e bancos. Porém, a rua está tomada de gente, tanto de gente que vem quanto de gente que vai em direção à orla do rio. É tanta gente que fica difícil andar pela calçada da esquerda da rua e troco de lado. Uma mão para ir e outra pra voltar.

Assim, no fluxo da multidão chego na orla, onde há um deck do qual é possível ver o rio e a outra margem. Tento subir no deck, mas é contra mão e o guarda me indica a direção de onde devo subir.
Passo uma estátua do Mao Tsé Tung, encontro uma passagem sem guarda e decido subir por ali mesmo. Ao chegar no topo do deck, a visão é estonteante. O rio Huangpu nos dá uma distância certa para poder observar por inteiro a qual imensidão de edifícios. Obras de engenharia e arquitetura que impressionam. Não é a toa que tanta gente quer ver.

O "Bund" do rio Huangpu é o local mais famoso de Shangai.

Há todo tipo de gente. Vejo adolescentes chineses, sempre conectados, tirando selfie. Há inúmeros casais vestidos de noivos tirando fotos para casamento e um ou outro turista estrangeiro. Apenas de ser uma cidade global, não vi muitos estrangeiros por onde passei em Shangai. Ou são poucos, ou os Shangaleses são muitos, botando muita água na mistura. Acho que é a segunda opção.

Vou apenas seguindo o leito do rio, caminhando pelo deck. São quilômetros e quilômetros de trilha, numa paisagem bastante artificializada pelo homem, mas de grande beleza arquitetônica. Caminho até cansar e descido voltar à cidade bem na região onde identifico pelo Google Maps ser a cidade velha. Uma região onde as ruas são curvilíneas e estreitas.

A cidade Velha de Shangai era onde viviam os chineses na época do colonialismo antes da segunda guerra mundial. Shangai foi ocupada por japoneses e teve um canto japonês. Antes disso, a cidade teve um bairro francês e outro inglês, onde estes países tinham privilégios especiais, como polícia própria e execução própria de suas leis.

Isso fez que a cidade herdasse bastante da arquitetura ocidental, mas na cidade antiga acabou virando uma “China Town” dentro da própria cidade chinesa. Uma contradição.

Eis que esta China Town era bem interessante. Cheia de pequenos comércios onde se vende de tudo. Desde acessórios de celular, passando por alimentos in natura, como peixes vivos, pérolas, frutas, roupas.

Entre uma rua e outra, chego em um largo, onde destaca-se uma grande construção com arquitetura tradicional chinesa. É um shopping. Entro e em seu corredor encontro um grande número de pessoas. 
Novamente lojinhas de bugigangas, onde meus olhos são apenas observação.

No final dos corredores, chega-se em um patio a céu aberto, onde há uma aglomeração anormal de pessoas. Todas se espremem para passar sobre uma ponte. Explico.

A ponte é na verdade uma artificialidade. Há na verdade um lago muito bem ornamentado e repleto de carpas. A ponte, toda tortuosa, serve apenas para andar sobre este lago, uma atração bem turística e sem sentido, a qual levei uns 40 minutos para percorrer, dado o grande número de gente.

A ponte na Cidade Antiga de Shangai.

Volto a caminhar pelas ruinhas da cidade velha e logo chega numa moderna avenida, onde novamente vou parar na rua Wujiang, onde entro em um “shopping” de restaurantes. Vou apenas olhando as fotos dos pratos para não errar como errei no almoço. Após olhar todas as inúmeras opções, nos 4 andares do prédio, escolho um restaurante coreano, onde como um tipo de Teppaniak com queijos e bacon. Muito bom, mas um pouco apimentado.

Volta ao hotel cansado após o primeiro dia de caminhadas.

Ruas de Shangai a noite. A caminho de volta no Hotel.

Ruas de Shangai a noite. A caminho de volta no Hotel.


20 de outubro de 2018

Sozinho na multidão: Viagem pela China


Acabara de escalar uma montanha de 8 mil metros no Nepal, o Manaslu. No entanto a próxima missão da viagem pela Ásia parecia ainda mais desafiadora: Viagem de negócios pela China.
Por que uma viagem urbana podia me dar medo?

Vamos aos fatos. A China é cheia de cidades gigantes, e grandes cidades tem sempre alguma dificuldade de se transportar, sendo necessário a ajuda de alguém. Dizem que quem tem boca vai a Roma, porém sem um bom tradutor não se chega a Shangai. A China é mais que um país, é uma civilização com mais de 4 mil anos de história. É raro encontrar chineses que falam inglês e quem é de fora é impossível entender os ideogramas. Pode ter muita gente pra perguntar, mas eles não vão te entender e nem você a eles. Por isso sozinho na multidão.

Em minha viagem pela China eu sabia que para me virar precisaria de uma boa internet e precisaria estar conectado aos serviços do Google, como Maps, Translator, e-mail e as mensagens do Whatsapp para me sentir menos sozinho e poder exteriorizar as preocupações.

Já havia ficado sozinho em Kathmandu. Ora, lugar tranquilo para estar só. Tudo bem que lá as coisas são escritas em sânscrito, mas todo mundo fala inglês. Tudo bem que nada funciona direito, mas pra quê? Lá já é território conhecido. Nada funciona mas no fim tudo dá certo.

Embarcando no vôo da Air China.
Quando embarquei no voo da Air China para Chengdu, percebi como minha vida está conectada nos aplicativos bloqueados na China. Facebook, Instagram, Gmail, Messenger, Whatsapp. Minha saída seria o chamado VPN. Aplicativos que trocam seu IP e confundem os servidores, fazendo que você consiga usar todos estes aplicativos acima.

Passei o voo pensando que, ao chegar à China, primeiramente precisaria comprar um chip de dados e depois botar o aplicativo VPN pra funcionar. Se não desse certo.... Eu tava fu.... Uma vez lá, você não consegue baixar outro VPN. Tudo tem que ser feito no exterior.  Porém, como ainda não estava na China, não tinha um número de celular Chinês para cadastrar o VPN com todas suas funções.

Voei tranquilamente de Kathmandu à Chengdu, com direito a passar do lado do Everest e do Makalu. Ao pousar, entrei na China sem problemas, peguei minha mochila, que foi a primeira a aparecer na esteira e sai do desembarque do aeroporto.



Makalu visto da janela do avião.

Após trocar um pouco de dinheiro, dei de cara com uma lojinha vendendo Chip de celular e fui igual a um louco comprar o meu. Nem me importei com a enorme quantia de 300 Yuans que me cobraram, sabia que precisava de internet. Eis que a moça que me vendeu não conseguiu fazer o chip funcionar. Ela deu o celular para outra moça, mudamos a língua para o chines, para elas configurarem melhor e fizemos de tudo. Ele só funcionava no Edge, ou seja, com velocidade muito reduzida.

Rua de Chengu em frente ao aeroporto. Indo do terminal 1 para o terminal 2.
Me devolveram o dinheiro e continuei minha saga. Vou tentar em Shangai.

Caminhei entre um terminal e outro, indo atrás do local onde eu embarcaria. O aeroporto era bem estranho, apesar se extremamente moderno. Precisei de ajuda de uma funcionária da cia aérea e ela me mandou ir direto ao portão de embarque. Mas peraí, estou com a mochila cargueira nas costas!
Pedi ajuda a uma segurança, que mandou para outra pessoa que me fez voltar a uma fila onde havia um cartaz em mandarim. Era lá onde eu despachava a bagagem. Ah bom! Agora entendi.

Após mandar a mochilona embora, voltei à fila para entrar na área de embarque e de repente me deparei com meu nome escrito em um painel onde todas as outras informações estavam no alfabeto chinês.

_ My name is there. Apontei para a segurança que me ajudara minutos antes.

Ela me tirou da fila e me levou a uma salinha. _ O que eu fiz? Perguntava...

Lá vi minha mochila encostada na parede. O operador do raio x me mostrou uma foto e disse “Forbiden”. Era uma foto de uma pilha.

Abri a mochila e tirei um saco de pilhas. Ele ainda me fez esperar mais pouco e liberou para que eu pudesse pegar a fila de volta para entrar na sala de embarque.

Passei novamente pelo raio X e entrei na sala de embarque. Mas peraí, qual é meu portão?

Fiquei um tempão olhando o painel. Ele primeiro mostrava os destinos em chinês e depois em alfabeto romano. Fiquei um tempão procurando e não  achava meu vôo. Até que apareceu.

Na espera pelo avião ainda tentei conectar a internet do aeroporto, mas nada. Eu precisava ter um numero de telefone chinês para receber o SMS confirmando o cadastro no site que provia internet de graça. E se o problema fosse meu telefone? Se ele não fosse compatível com a rede de telefonia chinesa eu teria que comprar um outro, mas que prejuízo?

Pior, uma vez na china você nao faz mais o download dos programas VPN e assim eu continuaria isolado do mundo e perdido. Me deu angustia! Não teria como me comunicar com ninguém na China e nem com a Maria e o resto das pessoas no Brasil.

O voo para Shangai demorou muito. O avião era apertado, o assento não reclinava nada. A comida foi ruim e cheguei em Shangai super tarde. No aeroporto tudo estava fechado.

Eis que eu vejo uma lojinha de chips de celular. Fui correndo...

Uma simpática chinesinha me atendeu. Sabia falar inglês! Rapidamente ela colocou o chip e, FUNCIONOU! Pulei de alegria. Me custou 200 Maos!

Agora só faltava ir ao Hostel que eu havia reservado.

Que falta de sorte. A noite o trem, metrô e os ônibus não funcionam, só tem táxi.

Caminhando meio sem destino pelo terminal, fui abordado por um taxista. Aí veio a negociação e paguei bem caro para ir até o hostel. Pelo menos pude no caminho ver as primeiras paisagens chinesas. Auto pista, prédios e muita área urbana.

Assim, de madrugada e acabado cheguei em Shangai. Super stressado pelas dificuldades e angustias que me acompanharam nas primeiras horas na China. E agora? Como seria o resto da viagem?