Blog do Pedro Hauck: 2018

5 de dezembro de 2018

Xiamen a ilha da magia da China


De Ningbo até Xiamen são 950 Km, mas de trem de alta velocidade leva-se apenas 5 horas e 20 minutos. A viagem foi tranquila e a paisagem muita bonita, pois o interior da Província de Fujian é bastante montanhosa e há inúmeras montanhas rochosas, as quais fiquei imaginando  quanta escalada poderia se desenvolver lá.

Paisagem montanhosa de Fujian
Distraído, fico assustado quando vejo no relógio e noto que faltava menos de meia hora para chegar no destino, mas olhando no google maps do celular, vejo que ainda estava longe de Xiamen. Será que o trem é tão rápido assim? Vejo novamente o ticket e noto que o destino está marcado como XiamenBei, e não Xiamen.

Pesquiso e reparo que XiamenBei é uma estação longe do centro de Xiamen, que é uma ilha. Comparando com um caso brasileiro, seria como se Xiamen fosse a Ilha de Florianópolis e a estação onde eu iria descer fosse Palhoça ou São José. Fico preocupado.
Desço na plataforma e começo a buscar uma forma de chegar na ilha. No entanto, na própria estação vejo uma placa em inglês apontando onde fica uma estação de ônibus BRT que vai até lá. Pesquiso o mapa, vou na bilheteria e falo pelo google translator que quero ir no ultimo ponto. A cobradora então me dá um ticket e vou até a plataforma, aguardo uns 15 minutos e entro no ônibus que tem um ideograma igual ao do mapa que tenho em mãos.

O ônibus, sai da estação e vai ganhando velocidade por sua canaleta exclusiva. Vou apenas curtindo a paisagem e noto que ele passa reto em uma entrada que dizia “island”. Fico novamente preocupado. Será que peguei o ônibus errado? Pergunto a um passageiro e ele confirma, para minha tranquilidade, que estou no certo.
Vou então com minhas mochilas apenas curtindo a paisagem, notando a ponte que liga o continente à ilha, vendo as casas, os apartamentos e toda a organização da cidade, que tem uns 3,5 milhões de habitantes. A canaleta então vira um viaduto do tipo minhocão e assim vamos até a ultima estação, onde desço.
Lá caminho alguns quilômetros pela avenida até achar um táxi disponível, que não custa caro e que me leva até um hostel que havia reservado. Enfim alguém que posso falar inglês!

Xiamen a noite.

Deixo minhas mochilas no quarto e saio para curtir a cidade. Já está escurecendo e vou apenas observando o comercio e pensando no que comer. Novamente, como em outros locais da China, Xiamen tem muitos restaurantes e muita variedade. A região da cidade onde estou é cheio de vielinhas com casas típicas, mas no horizonte se destaca dois arranha céus de vidro hiper modernos.
No dia seguinte pela manhã aproveito para conhecer o templo de Mamputuo, um templo budista com arquitetura belíssima. Atrás dele há um morro cheio de trilhas, mas não arrisco ir muito longe, pois o calor dificultou minha vida. 












Meu objetivo em visitar Xiamen era visitar um fornecedor de roupas técnicas para alta montanha. Havia agendado a visita na empresa, mas desde que cheguei na China, responsável não me mandava mais e-mail. Decidi ligar, mas tocava, tocava e ninguém atendia. Assim, decidi ir até o endereço mesmo sem confirmação.

Fui até a rua Simen, que é a principal da cidade e lá, por apenas 1 Yuan tomei um ônibus em direção à região portuária, onde fica a empresa que queria visitar. Atravessei o centro da cidade e cheguei na sede da empresa, que na verdade é um condomínio de edifícios. Ligo novamente para eu contato e desta vez ele atende e vem me buscar.

Foi uma visita rápida, mas interessante.

A volta para o hotel foi em ritmo de passeio. Fiquei observando a paisagem urbana, como pode um lugar perto de porto que seja tão bonito e com paisagismo tão verde. Aproveitei para conhecer melhor o centro e no final mudei o cardápio e comi uma comida japonesa.

Xiamen é muito bonita e cheia de rochas. É uma geografia urbana interessante. Uma ilha, com praia, porto, morros, cidade antiga, cidade moderna. É uma Florianópolis mais rica, maior e mais organizada.

Fui dormir cansado após caminhar tanto. No dia seguinte iria deixar a China pra trás e ir para Hong Kong, que é uma China que não é China. Mas isso fica para o próximo capítulo...

Paisagismo na região do porto 










28 de novembro de 2018

Visitando Ningbo, a cidade da NatureHike

Era uma segunda feira, e diferente das vezes anteriores, o metrô estava lotado. Eu com minha mochila cargueira nas costas e minha mochila de ataque na frente, tive dificuldade de entrar no vagão, mas foi fácil chegar na estação de Honqiao. Esta estação é um aeroporto doméstico, estação de trem e de metrô.Então imagine o tamanho! Obviamente fiquei perdido...

Não faltava gente para perguntar, mas quem me entende?
Encontro um guarda, mostro minha passagem, ele apenas aponta uma direção. Assim, deixo o metrô e chego na estação de trem propriamente dita.

Meu dinheiro estava acabando e nos dias anteriores notei que não se acha casa de cambio na China. No entanto, como Honqiao tem o aeroporto, achei que lá conseguiriam trocar dinheiro mais fácil. Como Ningbo não é turístico, fiquei com receio de não conseguir trocar dinheiro por lá, por isso decidi trocar uma quantidade maior, 300 USD.

Achei uma central de informações turísticas. Mas como é comum na China, ninguém fala inglês. Mostro o Google translator, onde diz em chinês que quero trocar dinheiro. O atendente então pega o telefone, fala algo com alguém e me passa. Do outro lado da linha a pessoa já veio me falando sobre cambio, num inglês difícil de entender.

Ele me pergunta quanto eu quero trocar e ele diz a taxa, que não entendo bem, mas aceito. Então ele explica para eu dar o dinheiro ao atendente e esperar 5 minutos, é o que faço. Após este tempo ele vem com um bolinho cheio de notas novinhas de 100 Yuans. No entanto, eu deveria receber 200 a mais. Ele arredondou bem pra baixo a taxa. Fico puto, mas fazer o que? Tenho que descobrir como faz para pegar o trem.
Pra onde eu vou?

Vou seguindo as indicações, até chegar na entrada da estação propriamente dita. Lá tem um aparelho de raio X, igual a aeroporto, onde sou revistado. Uma vez lá dentro, há um saguão gigante com portões como em aeroporto, mas não vejo trem algum.

Em todos os portões os destinos estão escritos em ideograma e não dá pra entender nada. Apenas os números. Saio então de portão em portão comparando os ideogramas e em um deles eu vejo o mesmo horário do meu trem e o ideograma igual. Então consigo identificar que um dos números na parte superior direita é o portão. Falta descobrir o que são os outros números do bilhete. A data e hora já havia sacado. Havia um numero seguido de letra (5B) e outro numero sem nada: 6.

Ao abrir o portão e passar pela catraca, chego no trem propriamente dito e descubro que o numero sem letra é o vagão, enquanto que o que tem letra é minha poltrona. Vejam só como se descobre as coisas na China!

O Trem deixa a plataforma no exato minuto do bilhete e rapidamente vamos em direção oeste. Achava que o trem era direto, mas ele para em algumas estações, onde sobem e descem muitos passageiros. De repente, o trem aparece em uma grande cidade e olhando para o painel vejo que estamos em Hanzhou, que é uma cidade de uns 3.5 milhões de habitantes cerca de 150 km de Shangai. _Mas já! Me surpreendo com a rapidez.
Velocidade do trem
Eis que após aparecer o nome da próxima parada (Hanzhou), o painel exibe a velocidade do trem: 295km/h! Só então percebo que estamos em um trem bala!

O Trem passa por Hanzhou e outras cidades grandes e rapidamente vejo aparecer a cidade de Ningbo como próxima estação. Pego minha mochila, me preparo para sair e assim que o trem chega na estação vou para a plataforma. A estação é gigante e moderna. Vou seguindo as placas, e assim chego na bilheteria, onde desta vez consigo trocar meu ticket para a próxima viagem com muita facilidade. Deixo a estação e já estou no centro da cidade.

São quase 13 horas e o estomago me lembra que tenho fome. Em frente à estação encontro um restaurante “self service”. Lá, há um buffet onde você escolhe porções de comida. O chinês come assim, pequenas porções com diferentes pratos. Quando você está com mais gente, coloca tudo numa mesa redonda giratória e assim tem acesso a todas as porções, como se fossem petiscos. Lá foi minha refeição mais barata da China, apenas 18 Yuans! Que bom que são cidades não turísticas.

Do restaurante vou caminhando até o hotel que reservei pela internet. É um tipo de um Holiday Inn, hotel pré fabricado com paredes de Dry Wall, mas confortáveis e bem equipados. O melhor é que custou só R$90.00. Mais barato que o hostel de Shangai.

Estava cansado. Tomei banho e desperdicei a tarde caindo no sono. Acordei no fim da tarde para caçar algo de comer e andar pela cidade. Novamente como em um restaurante barato e saio caminhar. Sem querer encontro um lago, o qual em sua margem há um belo parque e um museu. Afinal, a cidade tem mais de 1000 anos!
Estação de trem de Ningbo

Ningbo a noite.



Ningbo, no entanto, não parece ser antiga. As avenidas são largas, os prédios modernos. Há duas linhas de metrô e exceto pelo museu não vejo nada na arquitetura tradicional chinesa.
Por e-mail combino com meu contato na NatureHike como será a visita no dia seguinte. A NatureHike é uma empresa que faz equipamentos de camping. Há 2 anos importamos estes equipamentos e eles tem feito muito sucesso no Brasil dado seu preço acessível e qualidade de material. Mal via a hora de conhecer a empresa.

No dia seguinte, acordei cedo e fui tomar café. Nada de pães e ovos mexidos. O que achei foi noodles, sopa e outras coisas que nada pareciam com café da manhã.

Às 9 horas chega na porta do hotel um rapaz sorridente. Seu nome ocidental era Duchamp. Adotar nomes ocidentais para negócios é uma pratica comum na China, pois muitos nome são difíceis de pronunciar.

Entramos numa minivan e percorrendo uma auto pista fomos deixando o centro da cidade de lado. Enquanto ia conversando com Duchamp, ia percebendo a paisagem, com muitos edifícios industriais e condomínios de apartamentos. A via elevado, tipo um minhocão moderno, era cheio de floreiras na lateral. Duchamp, por sua vez, se interessava pelo Brasil e pergunta coisas sobre nossa atual situação política. Tive que explicar que nosso momento político não era dos melhores e que inclusive isso estava influenciando no câmbio. Daí não podermos trazer mais produtos em nossa importação.

O carro deixou a auto pista e entramos no bairro. Com avenidas largas e quarteirões grandes repletos de empresas pelos dois lados. Logo o carro imbica um destes edifícios empresariais logísticos e vejo a logo da NatureHike.
Como a empresa é nova e vive uma grande ascensão. O escritório estava em reforma , mas era muito bonito, com paredes de vidro, sala de reuniões e sala de recreação com mesa de ping pong e sinuca. Havia até um cachorro lá, que não gostou muito de mim. Eles nitidamente eram influenciados pelo google way of work.

Enfim conheci a Helen, com quem já havia trocado centenas de emails. Era uma mulher simpática e sorridente. Ela me levou ao show room, onde pude conhecer alguns produtos novos da marca, dentre eles uma nova barraca de 4 estações que havia flagrado no Manaslu. Era um protótipo, não estava a venda ainda. Achei bem interessante.
Com a Helen

A visita durou a tarde inteira, onde tocamos vários pontos, inclusive no desenvolvimento e aprimoramento de alguns produtos. Tudo anotado pela Helen. 


Mesmo sendo muito bacana, no final de tudo estava muito cansado e fui levado a um hotel que reservei mais próximo da empresa, onde tomei banho e descansei um pouco. No entanto, não ia perde a chance de conhecer mais outra cidade e sai para caminhar.

Estava longe do centro, mas perto do hotel havia um outro centrinho. Um quarteirão com lojas e no meio dele um patio de alimentação cheio de restaurantes. No entanto, como Ningbo não é turístico, sua cozinha era bem chinesa. Alguns restaurantes eram de noodles (macarrão), havia outros com muitos pratos com frutos do mar. Alguns inclusive com aquários que mostravam os peixes e crustáceos vivos antes de serem abatidos. Tinha food trucks com algumas coisas fritas e uma única pizzaria. Escolhi um restaurante onde comi um pato e um refogado de legumes com cerveja Harbin, aguada pra caramba.

Na volta, encontrei um local onde se alugam bicicletas por aplicativo e consegui desbloquear uma e dar uma voltinha, mas logo voltei para o hotel. Onde fiquei até adormecer conversando com a Maria.
Acordei tarde no dia seguinte. Afinal, estava bem cansado. Fiquei relando na cama até enviar um e-mail para Helen, me “convidando” a voltar lá para gravarmos vídeos. Ela respondeu e logo mais apareceu o motorista para me buscar.
Show room da NatureHike


Mal cheguei na empresa e havia um meeting com outros distribuidores chineses e fomos a um restaurante todos juntos, onde almocei com o dono da empresa e sua mulher. Comi pra caramba! Entre algumas coisas, o peixe Tofu e um caramujo. Além de um crustáceo que nunca tinha visto antes. Na volta, fiz os vídeos e cansado novamente voltei no fim da tarde para o hotel. Infelizmente chovia bastante e não me animei para passear mais com a bicicleta do aplicativo. Deixei tudo pronto, pois no dia seguinte iria novamente andar de trem. Mais uns 800 km de trem.

2 de novembro de 2018

Zhujiajiao, a Veneza da China


Cansado dos dias anteriores, levando tarde, ajudado pelo fato que ninguém dividiu o quarto comigo.
Deixo o hotel apressado e dirijo-me ao metrô, onde compro o ticket para uma das estações mais distantes da rede. Zhujiajiao, localizada uns 60km do centro de Shangai. Troco de trem da linha 7 para a linha 2 e na estação de trem de Honqiao, onde no dia seguinte continuaria minha viagem até Ningbo, pego a nova linha 17, que ficou pronto neste ano de 2018.

O metrô no começo é subterrâneo, mas após afastar-se do centro urbano ele emerge na superfície e posso pela primeira vez ver como é o subúrbio de Shangai. Pequenas vilas com sobrados grandes ao lado de canais se repetem aos montes entremeados por campos de arroz. Novos condomínios gigantes, com centenas de apartamentos surgem do lado, interligados por avenidas espaçosas e bem equipadas com canaletas de ônibus e ciclovias. São cidades completas criadas em meses com parques, fábricas e agora estação de metrô. Não vejo pobreza, não há favela. Tudo é planejado e moderno.

Em cerca de uma hora o trem chega na estação de Zhujiajiao, que é a penúltima da linha e quase todos saem na estação. No lado de fora, um lago com um jardim bem ornamentado e cheios de carpas compõem o paisagismo.

Caminho numa avenida arborizada e florida apenas seguindo a multidão. Atravesso a avenida e pego uma perpendicular, que apesar de seguir o mesmo paisagismo, tem um comercio mais simples, com borracharia, lojas de ferragens e mercadinhos.

Após caminhar por cerca de 1 km, chego em um centro comercial e apenas seguindo a multidão chego em um local com lojas ornamentadas no estilo arquitetônico tradicional chinês. Paro em um restaurante, onde peço um Pato com molho agridoce e um tipo de teppaniaki com lula, mariscos e outros frutos do mar. Estava ótimo!

Após o almoço, continuo caminhando pela rua exclusiva de pedestres e chego em um canal que é cruzado por uma ponte de pedra. Há uma grande multidão e na ponte, guardas falam no microfone algo que não entendo. Pelo tom e pelos apitos concluo que não permitem que as pessoas parem na ponte, pois o tráfego de gente acaba ficando todo congestionado.

Ruinha estreita
Após cruzar a ponte, chegamos numa ilhota, onde as partes de trás das casas são voltadas para o canal e na parte da frente há lojinhas e restaurantes vendendo os mais diversos tipos de comidas exóticas. A rua, que deve ter no máximo 3 metros de largura é congestionada.

Dobrando uma esquina, a ruinha acaba se tornando uma marginal que circula um dos canais, onde avisto pela primeira vez gôndolas. Os canoeiros, com chapéus triangulares, estilo Vietnam, navegam com turistas chineses pelos canaizinhos. É uma perfeita Veneza, mas com arquitetura completamente oriental.

Não me resta opção senão observar. Restaurantes há aos montes. Servem caranguejo, lagosta e outros crustáceos. Não é barato. Um café custa custa mais de 20 reais, um sorvete também. Fico com um refrigerante de 5, para refrescar a garganta do calor que faz.

No entanto a Veneza chinesa não é totalmente histórica. A ruinha que serpenteia o rio é cruzada por uma avenida moderna. Várias outras ruinhas terminam em estacionamentos e por um tempo fico procurando a Zhujiaojiao original, que encontro voltado pela primeira ponte que cruzei e sigo paralelo ao canal. Lá encontro templos e outras pontes finamente ornamentadas.

Gondolas de Zhujiaojiao.
Comidas chinesas

Comidas chinesas

Uma das pontes de Zhujiaojiao


Uma das pontes de Zhujiaojiao
Canais de Zhujiaojiao




Canais de Zhujiaojiao
 

Canais de Zhujiaojiao


Modelo com roupas tradicionais.


Canais de Zhujiaojiao

Arquitetura tradicional.


Em Zhujiaojiao encontrei escorpião para comer. No entanto isso não é comum na China. É mais para turista ver.

Jogo do Shangai em seu belo estádio.

Zhujiajiao tem 1700 anos! Porém sua parte antiga é pequena se comparado à Veneza italiana e no meio da tarde já sinto vontade de voltar à Shangai. No entanto, como há tempo e o Marcos Costa, escalador teresopolitano que morou na China por mais de 10 anos, apareceu online no meu Facebook, resolvo perguntar onde há em Shangai uma loja de equipamentos de montanha. Ele me passa o endereço e eu decido fazer uma espionagem industrial.

Acabo comprando o bilhete do metro para ir para a Sanfo, em outra parte da cidade, na frente do maior estádio da cidade. A loja de equipamentos de montanha me surpreendeu pelos preços altíssimos. Até pretendia comprar uma calça, mas pagar R$1.000,00 me afugentou. Por outro lado me levou de volta à frente do estádio, onde havia uma concentração de torcedores com camisetas vermelhas. Um cambista me ofereceu um ingresso por 100 maos, achei o preço razoável e comprei. Vou assistir um jogo do Shangai, time onde joga Oscar (aquele que marcou o único gol brasileiro no 7x1 em 2014), Hulk, Elkerson e o argentino Conca, que jogou no Fluminense.

O Estádio era impressionante. Dentro dele tem um ginásio de escalada! No entanto, aproveitei o banco mais para descansar do que para ver o jogo. Como era noite e dia no Brasil, pude conversar com várias pessoas, mas deixei o estadio antes do fim, para não chegar muito tarde no Hostel. O jogo terminou em 5x0 para o time local, que com o resultado passou para a liderança do campeonato chinês.

O dia seguinte prometia. Iria pela primeira vez fazer uma viagem de trem pela China. Percorrendo cerca de 400 Km até a cidade de Ningbo, onde fica a sede da NatureHike, empresa de equipamentos de montanhismo e trekking a qual temos grande parceria. Melhor não acordar tarde!

25 de outubro de 2018

Segundo Dia de caminhadas em Shangai

Acordo tarde para compensar o cansaço dos dois dias anteriores. Para o dia de hoje decido começar indo até a estação de trem para conhecer o caminho até lá e também para trocar a passagem que comprei na internet. 

Apesar de parecer simples, achei que poderia ser desafiador, pois para chegar lá precisaria de andar de metrô, trocar de linha duas vezes e ainda descobrir como trocar a passagem na ferroviária. Parece simples? Sim, mas não numa China onde ninguém te entende e você não entende ninguém. Pelo menos para mim que não estava "aclimatado".

Caminho 900 metros até a estação de metros mais perto. Está vazia. 

Chegando no túnel encontro uma máquina para comprar os tickets. Tudo está em ideograma chines. Porém no canto vejo um botão escrito “english”. É lá que eu apero. De repente o analfabeto aprende a ler.

É  preciso clicar na estação de destino. O preço depende disso. Lugares mais longe são mais caros, locais mais próximos, mais baratos. São apenas 4 Yuans até a estação. Isso dá um pouco mais de 2 reais. Barato!

Antes de entrar na estação é preciso passar a mochila no raio X, depois precisa encostar o cartão de embarque na catraca e levar contigo no bolo. Quando sair na estação de destino, é preciso inserir o cartão na máquina, assim não dá para dar o golpe no metro e você só paga pelo o que usa. É inteligente.

Olho no mapa qual é a ultima estação no sentido do meu destino. Olho nas placas e vejo que estou na direção correta. Entro no trem, faço baldeação na próxima estação, sendo atento para não pegar o trem oposto e assim chego na ferroviária. Lotado de gente!

Passo novamente num raio X para entrar na bilheteria e lá pego uma fila. Na minha vez escrevo no Google translator e mostro para a atendente “Quero trocar a passagem que comprei na internet”. Ela fala algo em chinês. Não entendo nada e depois ela fala “passport”.

Entrego a ela meu passaporte. Ela digita no computador. Nada.

Mostro o e-mail da confirmação da compra. Nada.

Ela chama uma pessoa no telefone e depois pede meu celular e meu passaporte e depois voltam falando em chines. Não entendo nada, apenas entendo a palavra “refund”. 

_ Refund what?

Perco a vez e todos os chineses entram na minha frente na fila. Neste momento ouço uma voz feminina: _Do you need Help?

Primeiramente penso ser uma funcionária da estação, mas era apenas uma chinezina que viu meu desespero e decide ajudar.

Explico a ela o que houve e ela entra na fila junto comigo até esperar minha vez para perguntar o que aconteceu. Meu numero de passaporte não batia com a reserva.

Quando comprei minhas passagens em Kathmandu, digitei errado meu numero de passaporte. Por conta disso não podia trocar a passagem. Fiquei desesperado!

_ Calma Pedro, você precisa pensar.... Dizia  minha mente.

 Friamente falei para a chinesa que me ajudara:

_ Fala pra ela que eu quero comprar uma nova passagem. Não importa se eu tenho essa, quero comprar outra para o mesmo dia e mesmo horário.

Deu certo. Agradeci a ajuda e voltei imediatamente para o hotel, onde tentei de tudo para acessar o site onde fiz a compra dos bilhetes.

No entanto, na hora que eu comprei, não me registrei no site. Com isso, não conseguia mudar meus dados. Pedia para que o site me enviasse a senha do cadastro, porém como na China não funciona o Google e meu e-mail é do Gmail e o site da empresa só funciona com VPN desligado, eu não conseguia mudar.

Decido então mudar de estratégia e ligo no telefone do site, onde me atendem com um perfeito inglês. Pausadamente falo o que houve e me informam que não posso mudar meu documento, apenas posso cancelar as passagens e fazer uma nova compra. Peço então que cancelem tudo e e devolvam meu dinheiro no cartão, e a atendente consegue realizar minha solicitação. No final lembro que comprei também uma passagem de avião de Hong Kong para Shangai, na volta de minha viagem. Esta, felizmente, é possível alterar o documento.

Desligo o telefone com missão cumprida, mas sem passagens de trem. Agora preciso comprar novos tickets. 

Entro no site, escolho o itinerário, o horário, porém na hora de pagar, o site não aceita meu cartão.
Entro no aplicativo do Banco do Brasil e tento desbloquear o cartão. No final da transação, o aplicativo mandou um SMS para meu celular. Mas celular brasileiro. A mensagem com o código para liberar o cartão está viajando até hoje.

Fico desesperado.

Tento relaxar, ainda é meu segundo dia na China e estas passagens são para daqui vários dias. Dá tempo de comprar de outra forma. De repente indo de volta a uma ferroviária.

Vou até a recepção e pergunto a atendente, que falava um inglês razoável, se dá para eu comprar passagens entre cidades alheias a Shangai na bilheteria de umas das estações da cidade. Ela diz que não.

Explico o que houve e quando eu faço uma tentativa para mostrar, consigo pagar a passagem. Era o VPN que precisava estar desligado! Ufa!

Com isso, perdi metade do meu dia, mas ainda dava pra aproveitar.

Olho para meu guia (tipo um Lonely Planet) e vejo que na periferia da cidade tem um shopping de coisas baratas. Estou na China, terra do Alibaba, vou comprar uns eletrônicos baratos. Na lista tinha um HD externo, uma câmera de carro, um mini projetor. De repente um novo celular mais moderno ou qualquer bugiganga útil que aparecer.

Tomo o metrô e chego na tal estação, que é de um museu de Ciência. Na própria estação há um shopping de bugigangas. Passo por ele achando que atrás haveria o shopping que no guia diz que é o melhor da cidade para comprar este tipo de coisas. Mas não... Era aquilo mesmo.
Museu de Ciência de Shangai

O shopping era metade de roupa social e outra metade de bugigangas, predominantemente acessórios de celular: Capinhas, fone de ouvido, power bank, cabos, e outras porcarias. Sem muita opção compra apenas um panda de pelúcia e volto ao metrô, onde pego um trem para centro da cidade, onde fico andando aleatoriamente até cansar.

Na volta do hotel passo por um “family market” onde compro uma bandejinha com sushis e sashimis super barato. Como na rua e volto ao Hotel para descansar.






Fotos acima da paisagem urbana de Shangai feitas nos passeios aleatórios.

23 de outubro de 2018

Shangai: Conhecendo a maior cidade do mundo


O dia amanheceu preguiçoso, com pouco barulho vindo da rua. Olhando pela janela, pouco pude notar da paisagem urbana da cidade. Um edifício envidraçado do outro lado da rua, sobrados envelhecidos do lado e prédios e mais prédios no horizonte. Me chamou atenção uma Ferrari vermelha estacionada na rua.

Desci até rua e fiquei meio sem saber para onde ir. Tomei uma direção, achando estar indo para o centro, mas peguei o caminho contrário. As ruas são retilíneas e bem arborizadas, os edifícios são modernos, as calçadas largas e há muito paisagismo, deixando tudo muito bonito para os olhos.

Retorno à esquina do hotel e decido trocar um pouco mais de dinheiro em um banho apenas no outro lado da rua, tarefa que realizo com facilidade, sem porta giratória e sem precisar falar nada de inglês.

Meu estômago reclama de fome. _Uhm, adoro comida chinesa!

Coca Cola na China
 Ando poucos metros, veja uma padaria, e ao lado um restaurante de noodles: _Yakissoba?! Nada mal!
Uma mulher me atende no caixa e eu aponto para a foto onde vejo um yakissoba de carne de legumes. 25 Yuans. Faço a conta e é barato!

Pouco depois chega meu pedido junto com uma latinha de Coca Cola escrito em ideograma. O Macarrão tá sem sal, o molho é aguado e a carne é fina como um presunto e não tem gosto. Não foi a melhor experiência, mesmo assim comi inteiro.

Saindo dali vou descendo a Jiangning Road em direção à Praça do Povo. A área residencial vai dando lugar edifícios de escritório e não demora até aparecer um Shopping. Entro lá para dar uma olhada.

Como todo shopping de luxo, tem piso brilhante que reflete a luz artificial. No lobby há um tipo de uma “feirinha” onde há um outlet de roupas sociais. Nem parei pra ver. Subo a escada rolante, dou uma volta a um corredor e dou de cara com uma loja de celular, onde vejo o último lançamento da Samsumg sendo vendido por pouco mais de 1000 dólares. Não é pra mim.

Deixo o shopping e vou para na rua Nanjing, com suas lojas de luxo, as quais passo sem dar atenção até chegar na esquina da Rua Wujiang, uma rua de pedestre cheia de restaurantes legais, os quais passo com água na boca, porém sem tempo para comer algo, ou melhor, gostando tanto dessa exploração urbana, que desejava mais continuar do que parar.

Atravesso a rua, passando em frente a um grande Starbucks Café. Me chama atenção uma chinesinha adolescente chorando enquanto escreve no celular. _Xi, levou um pé na bunda do boy, só pode! Basta eu passar que ela começa a discutir com uma mulher mais velha. Talvez a mãe. Vai saber o que aconteceu?

Continuando, passo por trás da Praça do Povo, onde fica o parque Renming. Cruzando a rua Xizang, a rua Nanjing vira um calçadão, onde pela primeira vez posso sentir a quantidade de gente que vive em Shangai. São mais de 25 milhões de habitantes, talvez a maior cidade do mundo! É sexta feira de feriado, mas mesmo assim há muita gente no calçadão, que tem todas suas lojas abertas. Lojas de grandes marcas, Apples, Huaweii e seus caros celulares. Além de grifes que nem sei o nome. Eu apenas olho as vitrines, o povo, a limpeza da rua o paisagismo e a arquitetura dos grandes edifícios de destacando em meio a prédios vitorianos reformados que sediam as grandes empresas.

O novo centro financeiro de Shangai e o rio Huangpu.

Falando em grandes prédios, Shangai tem pelo menos 2 ou 3 entre os 10 mais altos do mundo e é possível avistá-los a poucas quadras, na margem do rio Huangpu, que divide a cidade em 2. De lado onde estou está o centro antigo e do outro lado, em uma península formada pelo rio, está o novo centro financeiro, onde ficam estes arranha céus e a famosa Torre de TV.

Os quarteirões próximos à orla não tem lojas, apenas os edifícios antigos que abrigam relojoarias e bancos. Porém, a rua está tomada de gente, tanto de gente que vem quanto de gente que vai em direção à orla do rio. É tanta gente que fica difícil andar pela calçada da esquerda da rua e troco de lado. Uma mão para ir e outra pra voltar.

Assim, no fluxo da multidão chego na orla, onde há um deck do qual é possível ver o rio e a outra margem. Tento subir no deck, mas é contra mão e o guarda me indica a direção de onde devo subir.
Passo uma estátua do Mao Tsé Tung, encontro uma passagem sem guarda e decido subir por ali mesmo. Ao chegar no topo do deck, a visão é estonteante. O rio Huangpu nos dá uma distância certa para poder observar por inteiro a qual imensidão de edifícios. Obras de engenharia e arquitetura que impressionam. Não é a toa que tanta gente quer ver.

O "Bund" do rio Huangpu é o local mais famoso de Shangai.

Há todo tipo de gente. Vejo adolescentes chineses, sempre conectados, tirando selfie. Há inúmeros casais vestidos de noivos tirando fotos para casamento e um ou outro turista estrangeiro. Apenas de ser uma cidade global, não vi muitos estrangeiros por onde passei em Shangai. Ou são poucos, ou os Shangaleses são muitos, botando muita água na mistura. Acho que é a segunda opção.

Vou apenas seguindo o leito do rio, caminhando pelo deck. São quilômetros e quilômetros de trilha, numa paisagem bastante artificializada pelo homem, mas de grande beleza arquitetônica. Caminho até cansar e descido voltar à cidade bem na região onde identifico pelo Google Maps ser a cidade velha. Uma região onde as ruas são curvilíneas e estreitas.

A cidade Velha de Shangai era onde viviam os chineses na época do colonialismo antes da segunda guerra mundial. Shangai foi ocupada por japoneses e teve um canto japonês. Antes disso, a cidade teve um bairro francês e outro inglês, onde estes países tinham privilégios especiais, como polícia própria e execução própria de suas leis.

Isso fez que a cidade herdasse bastante da arquitetura ocidental, mas na cidade antiga acabou virando uma “China Town” dentro da própria cidade chinesa. Uma contradição.

Eis que esta China Town era bem interessante. Cheia de pequenos comércios onde se vende de tudo. Desde acessórios de celular, passando por alimentos in natura, como peixes vivos, pérolas, frutas, roupas.

Entre uma rua e outra, chego em um largo, onde destaca-se uma grande construção com arquitetura tradicional chinesa. É um shopping. Entro e em seu corredor encontro um grande número de pessoas. 
Novamente lojinhas de bugigangas, onde meus olhos são apenas observação.

No final dos corredores, chega-se em um patio a céu aberto, onde há uma aglomeração anormal de pessoas. Todas se espremem para passar sobre uma ponte. Explico.

A ponte é na verdade uma artificialidade. Há na verdade um lago muito bem ornamentado e repleto de carpas. A ponte, toda tortuosa, serve apenas para andar sobre este lago, uma atração bem turística e sem sentido, a qual levei uns 40 minutos para percorrer, dado o grande número de gente.

A ponte na Cidade Antiga de Shangai.

Volto a caminhar pelas ruinhas da cidade velha e logo chega numa moderna avenida, onde novamente vou parar na rua Wujiang, onde entro em um “shopping” de restaurantes. Vou apenas olhando as fotos dos pratos para não errar como errei no almoço. Após olhar todas as inúmeras opções, nos 4 andares do prédio, escolho um restaurante coreano, onde como um tipo de Teppaniak com queijos e bacon. Muito bom, mas um pouco apimentado.

Volta ao hotel cansado após o primeiro dia de caminhadas.

Ruas de Shangai a noite. A caminho de volta no Hotel.

Ruas de Shangai a noite. A caminho de volta no Hotel.