Blog do Pedro Hauck: Dezembro 2014

30 de dezembro de 2014

Chegando na Puna de Salta

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Tem gente que acha que escalar nos Andes não é coisa para brasileiro. Que ir para alta montanha é coisa pra quem tem muito dinheiro e que só chegar lá é muito caro e distante. Isso não é verdade. 

Neste ano estou comemorando meu décimo quinto ano de escaladas nos Andes e nestes vários anos que se passaram eu vim aqui quase duas dezenas de vezes. Desta vez, não tenho muito tempo disponível, mas mesmo assim não vou desperdiçar a chance de escalar algumas montanhas de altitude. Então por isso vim a Salta, uma província no norte da Argentina que tem muita montanha e é próxima do Brasil. Da minha casa até aqui foram 2 mil km apenas e na terceira noite de viagem eu já estou aqui na altitude.

Claro que mesmo com bastante experiência, a gente não fica isento de umas trapalhadas. É verdade que não é fácil ficar de olho em tanta coisa, tantos equipamentos, alimentos, documentos e detalhes. Nessa, eu acabei perdendo meu passaporte e documento do carro. Fiquei muito mal por isso... Felizmente fomos muito bem atendidos pela Policia de Salta que nos ajudou bastante e temos uns BO’s pra continuar viagem.

Bom, pelo terceiro ano seguido, começo minha odisseia pelos Andes aqui na cidade de San Antonio de Los Cobres, numa altitude de 3700 metros. Apesar de vir aqui tantas vezes, não estou repetindo nenhuma montanha. Isso demonstra como aqui é um grande centro de andinismo. Totalmente desconhecido.

Hoje estaremos passeando pela região para ajudar em nossa aclimatação. Vamos para o povoado de Tolar Grande e de lá iremos passar o réveillon numa montanha chamada Nevado Macón. 

Esta montanha é bastante interessante. É mais uma daquelas montanhas que foram primeiramente escaladas pelos Incas. Todos os anos, a comunidade indígena de Tolar Grande sobe até o cume fazer uma homenagem a Pachamama. Outra coisa interessante é que na década de 40, a montanha foi palco de um incidente ufológico. Habitantes daquela remota cidadezinha viram o céu em chamas e ouviram um grande impacto. No dia seguinte, foram atrás procurar o que havia acontecido.

Encontraram uma cratera e pegadas parecidas com a de humanos, mas gigantes. Até hoje há revistas especializadas em ufologia reportando o caso.

Ficaremos um tempo sem internet e sem dar notícias, mas torçam por nós nestas aventuras pelas montanhas. Um abraço

Pedro Hauck e
Maria Tereza Ulbrich

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Maria e um Cardón, cacto gigante.

Eu e nossa rodonave, a Lhama

Subindo os andes pela quebrada del Toro

Ruta 51

Montanhas

Dirigindo

Casas antigas

Vista para o Acay

Chegando na Abra Blanca 4088 metros há 100 anos na inauguração da estrada, foi o recorde mundial de altitude alcançada por um carro.

Viaduto La Polvorilla

Puna no anoitecer

29 de dezembro de 2014

Expedição Puna de Salta

Salta é mais conhecida pelas empanadas do que pelas montanhas. Uma injustiça...

Não que as empenadas sejam ruins, pois não são, mas sim porque aqui tem muitas montanhas incríveis e ninguém conhece e ninguém escala. Só para terem uma ideia só as acima dos seis mil metros são 8! e são centenas as sobrepassam os 5 mil metros.

É o terceiro ano seguido que passo por aqui para escalar, isso porque já passei outras vezes por aqui indo para outros locais, como a Bolívia, que está pertinho.

Salta é o começo para as várias possibilidades de ascensões existentes na região, mas não é a base, é apenas o começo e o fim. A base mesmo está há 120 km daqui e muito mais alto. É San Antonio de los Cobres, há 3600 metros de altitude, mais perto, mas menos atraente, no sentido gastronômico, é claro! É que os gaúchos cozinham melhor que os Incas!

E como todo o começo se dá nestas ruas estreitas e casas coloniais, segue abaixo uma pequena coleção de fotos desta bela Salta das igrejas e das salteñas, suas deliciosas empanadas.









11 de dezembro de 2014

Escalando a Lidiane Arnaud no Bauzinho

Com suas paredes verticais e bem acessíveis, o Bauzinho possui diversas vias de escalada desafiadoras que orçam os duzentos metros de altura. Já havia escalado outras vias no local e desta vez, junto com a Maria e por recomendação do Rafael Wojcik, decidi entrar na Lidiane Arnaud, via que ele abriu com o Mario (marido da Lidiane) no ano de 2006.

Chegamos tarde na base do Bauzinho, pois ainda estava cansado da guiada do dia anterior. Como em todas as vias tradicionais, sempre é meio difícil achar a via que você vai escalar por conta delas serem meio afastadas umas das outras. Através do croquis do Eliseu consegui identificar a via “V” de Vitória e logo na sua esquerda o primeiro grampo, seguido de chapas da Lidiane.

A primeira enfiada é bem técnica, com um lance de uma barriguinha meio vertical/negativa sem mãos, onde você é jogado para fora e tem que subir os pés para encontrar um reglete salvador à uma certa altura. Depois disso, ela fica mais tranquila e continua bonita.

A segunda enfiada é um quinto bem técnico e não menos desafiador, com lancezinhos de pé para ganhar altura. Estes lances foram bons para comprovar a eficiência da borracha desenvolvida pelo Snakinho, que ressolou minha sapatilha. Na terceira, existe uma parada intermediária que pode ser ignorada. Depois dela há um platô com mato, que é desviado pela direita até achar uma parede mais vertical bem protegida.

A quarta certamente é a enfiada crux, composta por um diedro negativo, mas com boas agarras. Apesar do risco eminente de quedas, o local é bem protegido. Na quinta, há alguns lances de pé com a presença de uns cristaizinhos para se segurar. A sexta é uma das mais lindas, vertical e com agarrão.

Minha opinião sobre a via é que ela é muito bonita e bem protegida. Com um grau técnico intermediário é boa para quem quer começar uma via que exige tecnicamente, mas que ainda não tem equipamentos e nem psicológico para uma parede mais comprometedora, pois não precisa de móveis e também tem pouca exposição.

Maria na saída da via Lidiane Arnaud

Chegando na primeira enfiada da via Lidiane Arnaud

Escalando a via Lidiane Arnaud

Escalando a via Lidiane Arnaud

Maria numa das paradas da via Lidiane Arnaud com o Baú ao fundo.

Crux da via Lidiane Arnaud

Crux da via Lidiane Arnaud

Nas aderências do Bauzinho




Vista do Baú desde o Bauzinho.

Bebemorando no cume.

9 de dezembro de 2014

Escalando a Ana Chata com ex alunos e com crux de marimbondo

Comecei a ministrar cursos de escalada em um clube no Paraná no ano de 2008. De lá para cá muita coisa mudou. Naquela época eu era um escalador, não era um guia de montanha. Há muita diferença entre saber escalar bem e saber ensinar as pessoas a escalar.

Neste meio de tempo fui estudando e me aprimorando. Desenvolvi um método que respeita a cognição da maioria das pessoas e com isso vi muitos ex alunos se desenvolverem. Claro que no meio do caminho apareceram pessoas talentosas que treinaram e seguiram seus próprios passos, me orgulho em dizer que o André Maeoka, que ficou em terceiro lugar no campeonato brasileiro de escalada, foi meu ex aluno. Também passou pelos cursos o Felipe Uzum e o Victor Hugo Germano que estão escalando barbaridade e já fizeram vias super casca grossa, como a Domingo Giobbi, a Marvada Bunda do Baú e a Parque dos Dinossauros.

Acho que um bom método e um lugar adequado dá para encurtar caminhos. Quem diga a Maria Tereza Ulbrich, que fez o curso em Dezembro do ano passado e neste meio de tempo já foi para Corupá, Imbituba (SC), Salinas e Dedo de Deus (RJ), Andradas (MG) e no complexo do Baú em SP, fazendo vias que exigem mais para iniciantes.

Neste final de semana tive o prazer de poder guiar 3 ex alunos que fizeram o curso de escalada no final de outubro em uma escalada tradicional na Ana Chata. Escalamos a Lixeiros e a Tom Sawyer, vias boas para quem está começando, mas que exigem controle emocional. Foram 6 enfiadas com crux de maribondo, que não nos pegou, mas deu várias picadas no Bruno Zurlini que veio escalando depois da gente.

Abaixo estão as fotos que comprovam, é escalando bastante que a gente escala melhor. Obrigado Erik, Tarik e Felipe pelo final de semana na rocha.

A enfiada crux da Lixeiros

Tarik vindo no meio da corda na primeira enfiada da Tom Sawyer

A primeira enfiada da Tom Sawyer é muito bonita, feita inteira em móvel.

Erik na Tom Sawyer

Filipe na Lixeiros

Parada em móvel

Maria e Filipe na segunda parada da Lixeiros

Filipe escalando a terceira enfiada da Lixeiros

Filipe e o Baú ao fundo.

Maria escalando a Lixeiros com o Baú ao fudo.


Escalando a quinta enfiada da Lixeiros, vide canto superior da direita

Tarik dando segurança para Erik na terceira enfiada da Tom Sawyer.



Pai e filho aprendendo e escalando juntos
A crista final da Lixeiros, muito visual!
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