Blog do Pedro Hauck: Diário de um caipira em Paris

15 de abril de 2013

Diário de um caipira em Paris


Que puta vontade de tomar um chimarrão. Aqui tá frio como Curitiba naqueles dias mais frios de Julho. O branco no chão não é de geada, é de neve mesmo! Uma neve leve que levita no ar como uma pluma.

Em Paris, até a neve é mais charmosa que a da América do Sul. Apesar de caipira, eu conheço bem a neve, aquela que cai nos Andes, muitas vezes uma neve com chuva que eu mesmo batizei de nevágua. Essa neve não é igual a das montanhas, lá ela é densa e se acumula rápido, pintando a paisagem de branco. Seria lindo se o local acumulado não fosse a barraca...

Engraçado, eu vou pra Paris e falo das montanhas. É um fato inédito, pela primeira vez em anos faço uma viagem que não é para escalar e nem para estudar. Pela primeira vez em anos, vou para um local turístico, famoso, apenas para turistar. Como vai ser esta experiência? Um montanhista caipira na cidade luz? O que será que eu tenho pra contar de uma viagem normal?

Chegamos aqui pelo aeroporto de Orly, que é o que recebe os voos domésticos da Europa. Meu pai aproveitou uma promoção da Iberia e viemos via Madri, viajo também com minha irmã e minha madrasta. Não tivemos problema em entrar na Europa, nada de aduana, entrevista, revista e outros abusos que as vezes acontece com gente que vem dos países do Sul. 

Como em vários países do mundo, o ônibus para sair do Aeroporto e chegar na cidade é caríssimo, 7 Euros! Bom, não é nada comparado com o Airport Service de Guarulhos e nem o Manuel Tienda León de Buenos Aires, mas é caro! 

O ônibus nos deixou numa praça, onde há uma estação de metrô, numa periferia da cidade. As pessoas circulavam com pressa. Vi muitos africanos, mulheres com túnicas e soldados da Gendarmerie armados com metralhadoras. Não há guichê, apenas uma máquina onde se compra os bilhetes. Os valores são diferenciados, se você compra 10 tickets, paga 1,30 Euros, se compra unitário, paga 1,70.

Os bilhetes são iguais aos do metrô paulistano, mas a máquina te devolve o ticket depois que você insere, é pra você guardar. Vi umas pessoas pulando a catraca. Quase não há fiscalização e quem é safado aproveita. No entanto, há fiscais nos trens que pedem o boletinho que é devolvido pela máquina. Se você não tem, paga multa! Nunca vi estes fiscais, mas vi muita gente pulando a roleta ou entrando no vácuo dos outros. Quem disse que no primeiro mundo não tem malandragem?

O metrô também não é tão moderno como o de São Paulo, nem mesmo tão bem cuidado. Os vidros estavam com os cantos opacos e os corredores, onde batem a luz, deixam nítido que não muito varridos, pois há muita sujeira acumulada nos cantos onde não passam os pés. As paredes são revestidas com azulejos brancos, não muito bonitos. Os tuneis muitas vezes são longos, com muitas entradas e saídas, conexões desconexas e confusas, mostrando que ele tem idades diferentes e foi sendo adaptado com sua expansão. Há muitas escadas, o que dificultaria e muito a vida de deficientes. Incomoda carregar as pesadas malas.

Apesar de velho e feio, o metrô é super eficiente e pontual. Leva pra todos os cantos da cidade, sem que seja necessário andar muito depois. Ele foi nosso principal meio de transporte na cidade e um local para se observar a cara do povo, que até aquele momento era bem interessante.

Como chegamos pela periferia, notei uma presença grande de estrangeiros. Negros africanos, turcos, libaneses, paquistaneses e norte africanos, que são brancos muçulmanos. Aqui tem muito muçulmano e eles são bem distinguíveis dos franceses que não se misturam como nós brasileiros.

Chegamos à Place de La Nation, onde emergimos à superfície novamente. O trajeto até o hotel foi curto, mas quase congelou minha mão. Por que não vim com minha roupa de montanha?


3 comentários:

Davi Augusto Marski Filho disse...

paris sempre é show demais.. adorei o seu relato !!! :-)

Frederico Quintão disse...

Nao vai dar nem um pulinho em Fountaine? ;-)

Pedro Hauck disse...

Calma, este é apenas o post introdutório! Bom fui pra Fontainenbleau, mas nao escalei... nao fui pra ir pra Pedra.