Blog do Pedro Hauck: Pissis, galgando a terceira montanha dos Andes

9 de janeiro de 2013

Pissis, galgando a terceira montanha dos Andes

:: Leia o relato desta expedição desde o começo
:: Leia a parte anterior deste relato

Depois de ter ficado um tempo longe da civilização, fizemos uma pausa de um dia inteiro na cidade de Fiambalá. Nos hospedamos num camping, de nome sugestivo “Paradiso”, onde pudemos arrumar as coisas, lavar roupas e até fazer um churrasco argentino.

Após este estratégico descanso, pegamos a Andino e voltamos pra montanha, desta vez pra encarar o Monte Pissis, que com 6800 metros é a terceira montanha mais alta da cordilheira.

Trata-se de uma montanha pouco conhecida e que até pouco tempo atrás, era pouquíssimo escalada. Aparentemente a Província de Catamarca está querendo atrair gente e por isso arrumou a trilha, de 90 km, que vai até a base da montanha.

Com a estrada boa, pela primeira vez na viagem encontramos alguém na montanha. Um casal de russos com um carro alugado no Chile. Montamos nossos primeiro acampamento não solitário num local abrigado do vento, mas sem água.

No dia seguinte, antes que o sol batesse na barraca, eu e o Waldemar já deixávamos o base rumo à parte superior da montanha. Fazia frio para uma altitude tão baixa (apenas 4600m) e tivemos que caminhar com blusa e anorak.

Quase 10 km e umas 7 horas depois, já estávamos instalando nossa barraca há 5700 m, onde derretemos gelo e fizemos nosso jantar antes do sol se por.

Com o tempo bom, pouco vento, acordamos tarde, às 3 da manhã e uma hora depois já estávamos caminhando rumo ao topo.

Atravessamos o glaciar da montanha, o que me deu a esperança de encontrar este tipo de desafio até o topo, mas infelizmente, pouco depois já estava de volta subindo um acarreo (subida com seixos soltos), foi assim até o cume, que alcançamos às 11:30.

Por incrível que pareça, o frio sumiu no cume, e tive até que tirar um pouco de roupa. Ficamos um tempão lá cima admirando a vista. Pudemos ver o Walther Penck, Nascimiento, Ojos Del Salado, Três Cruces, Incahuasi, Cerro Bonete Chico, Veladero, Sierra de Famatina e outras tantas montanha que não pude reconhecer.

A descida foi rápida. Às 3 já estávamos no campo alto e antes das 4 já estávamos com tudo nas costas para descer até o base, onde chegamos às 6:20. Insuficiente para desarmarmos o primeiro acampamento e percorrer os 180 km até Fiambalá para comer carne novamente. Sem problemas, passamos mais uma noite naquela agradável montanha para percorrer de dia as maravilhosas paisagens que nos levou até a civilização novamente.

Esta foi nossa 6 montanha. Em média, contando desde o dia em que saímos de Curitiba, estamos fazendo um cume a cada 4 dias. Nada mal contando que algumas destas montanhas estão entre as top 20 de todo continente.

:: Continue lendo este relato

Laguna Celeste, caminho ao Pissis.

Trilha em bom estado, 90 km do caminho.

Laguna Celeste com o Ojos del Salado ao fundo

Indo ao campo alto do Pissis

Admirando a montanha

Waldemar no caminho ao campo alto.

Vista dentro da barraca no campo alto.

Atravessando um campo de penitentes a caminho do campo alto.

Nosso acampamento a 5700m.

Vista do cume para o Bonete Chico (esquerda), caldero del Inca (centro) e Veladero (direita).

Chegando ao cume.

Waldemar ao amanhecer durante o ataque ao cume.

No cume do Pissis

Cume do Pissis

Descendo ao campo alto.

Placa em homenagem à Pierre Joseph Aimé Pissis no cume.

Altitude marcada no GPS

Ultima vista para o Maciço do Pissis.

Um comentário:

Orlando Mohallem disse...

Show Pedro !

Belo projeto ... lindas imagens !

Saudações da Mantiqueira