Blog do Pedro Hauck: Perrengue no Pontão do Sol

27 de julho de 2011

Perrengue no Pontão do Sol

Após um dia de descanso, merecido, fomos experimentar as vias do Pontão do Sol, que é um tipo de um pilar do Pico Maior. A idéia desta viagem é não repetir vias que já fizemos, assim sendo, teríamos a Segredo do Sol e a Mundo da Lua para fazer no local, pois no ano passado o Tacio escalou a Sol Celeste, que é a terceira via do Pontão. Respectivamente, uma é a via mais difícil, a outra a mais fácil e esta terceira a média.

Após várias escaladas em Salinas, achamos estar confiantes para escalar a Segredo, que é bem técnica e apresenta um crux de sétimo em móvel. O problema, no entanto, foi que não conseguimos chegar nela.

Esta via começa num platô mais à esquerda da Sol Celeste. Para chegar lá, é preciso desescalar um lance de costão e depois andar um pouco no mato. O Serginho nos recomendou sair escalando do começo da Sol e chegar numa diagonal direto no P1 da Segredo. O lance é exposto, mas fácil.

O Tacio se encarregou em escalar esta "aproximação". Ele saiu em diagonal e achou um grampo logo no começo. Depois, viu umas lacas, parecidas com aquelas que aparecem na primeira enfiada do croquis da via que queríamos escalar. Ele foi até elas, protegeu em móvel como deu e seguiu esticando, enfrentando lances de quinto bastante exposto: E4. Quando a corda estava para acabar e eu teria que sair escalando à francesa, ele achou um grampo simples e fez ali a parada. Ufa!

Saí escalando de segundo, achando que estava na via certa. Cheguei na provável P1 da Segredo e como escalamos alternando, fui tocando pra cima. Passei por diversos lances de aderências, com barriguinhas de rocha um pouco verticais seguidos de positivos, onde não havia nada de mão, só a aderência da sapatilha.

Após esticar uns 10 metros ou mais, achei estranho que não via nenhuma proteção em um lance tão perigoso e resolvi verificar o croquis. Nele eu vi que teria uma chapa na minha frente e que depois dela eu teria que sair pra esquerda e entrar numa canaleta, mas que canaleta? Pra cima de mim continuava o rampão e as barriguinhas. Nessa hora eu saquei que estávamos no lugar errado!

Totalmente no veneno, fui desescalando vagarosamente. Era preciso firmar bem o pé e mantê-lo chapado, para depois descer o outro pé e assim perder altura. Não era fácil, principalmente nos lances de barriguinha.... Várias vezes eu tinha que parar, respirar, esquecer a roubada e assim controlar meu psico, pra ele não me derrubar...

Eu sei bem o que é escalada psicológica e sei o que é cair num lance daqueles... Significa sair quicando na pedra, bater cabeça, costas e até se enrolar na corda... Queda em positivo é o pior tipo de queda e pior ainda quando estamos mais de 10 metros acima da ultima proteção, que no caso é era meu próprio parceiro preso em um simples grampo "P" velho.

Não sei quanto tempo demorei pra descer... Mas no meio do caminho eu enxerguei um grampo da via Sol Celeste ao lado. Isso aliviou bastante o psicológico e realizando uma perigosa e exposta travessia, fui até ele. Mais tarde, conversando com o Sergio Tartari, descobrimos que este grampo está perdido na parede, pois nem ele sabia da existência desta proteção ali!

Depois de um perrengue destes, ocasionado por uma bobagem, já que os lances do "atalho" que fizemos eram parecidos com o do croquis da via, ficamos receosos de entrar na via original e encarar um sétimo em móvel. Acabamos por escalar uma via que condizia com nosso estado de espírito: O Mundo da Lua...

Esta via, que tem 300 metros, foi uma escalada linda e fluente, porém senti meu psicológico e protegi mais que o necessário nos lances em móveis. Infelizmente no meio da via o tempo virou, vieram nuvens brancas e encobriram o pico maior. O vento fez muito frio e assim fizemos o cume do pontão.

Na descida, a "zica" continuou. Mesmo tomando muito cuidado para a corda não enroscar nas inúmeras lacas da via, isso veio a acontecer no penúltimo rapel. A corda enroscou em dois lugares e o Tacio teve que sair escalando fora da via para resgatá-la.

Resolvido o problema, descemos com o tempo ruim. Uma frente fria chegou em Friburgo e no dia seguinte choveu o dia inteiro. Ótima desculpa pra descansar a mente e o corpo para outras escaladas!



Pico Maior

 Escalada no Mundo da Lua


 Boas lacas pra proteção móvel



Tacio resgatando a corda quando ela enroscou na descida

2 comentários:

Paulo Roberto - Parofes disse...

Tenso cara! Fui lendo e imaginando as cenas...

Caio Cesar disse...

Hauahauahau... Teeeenso! Q bom q deu td certon no final