Blog do Pedro Hauck: Fevereiro 2010

26 de fevereiro de 2010

Foz do Iguaçu

Foz do Iguaçu é uma cidade estranha, pois ao mesmo tempo que nem parece que é o Brasil, há certos brasileirismos que não deixam esquecer que estamos do lado de cá da fronteira. Particularmente, eu gosto muito disso. A fronteira é algo muito louco, como pode algo criado pelo homem dividir tão bem culturas, linguas e sentimentos?

Foz é tudo isso e muito mais, pois não são dois países, mas sim três e além disso há todo o fluxo de turistas que são atraídos pelas cataratas do rio Iguaçu, um dos maiores patrimonios naturais da humanidade.

O mais interessante de Foz é que a fronteira é muito globalizada. Há muitos árabes e chineses que tem negócio no Paraguai, mas que mora no Brasil e muito brasileiro também que trabalha por lá e gringo que trabalha aqui, seja como contrabandista ou como comerciante.

Para fazer de Foz uma cidade ainda mais atrativa, lá tem escalada! E escalada de qualidade. Vejam mais na minha coluna no AltaMontanha: Escalando nas Cataratas do Iguaçu.

Vejam as fotos

 Escalada no Espaço das Américas, lá a AMC leva pessoas comuns para escalar todos os sábados.



Entrada da Canyon Iguaçu, onde ficam as vias.

Ginásio de escalada da empresa Canyon Iguaçu

Trilha suspensa no meio da mata.

Escalando no canyon do rio Iguaçu

 Grampo a mais de 4 metros de altura entortado pela força da água durante enchente no começo do ano!!!!

Escalada no Basalto

Eliza

Falésia do lado argentino, 100% proibida.

Visu das vias

 Zangão, nosso ciceroni e parceiro de escalada

Eu numa das vias mais clássicas, a Toca da Onça

Zangão numa via em móvel

O basalto tem muitas opções para vias em móvel

Um setor de escalada

Outro setor de escalada


Acabado com calor

 Com a galera se refrescando... Eu, Eliza, Lucele, Zangão e Marcelo.

Maravilha da natureza

 Quati, bonitinho e ladrãozinho tb!

Avenida Brasil em Foz

Panorama do centro da cidade

Muitas árvores pra refrescar do calor

Influências

Que tal comer um Shamarma?

19 de fevereiro de 2010

Irati

A primeira vez que eu ouvi falar da cidade de Irati, no interior do Paraná, foi quando o time local, o Iraty com "ipsolom" fez uma esquema com o XV de Piracicaba, acho que em 1995 e foi formado um timaço e o XV quase subiu pra primeira divisão do brasileiro.

Depois disso, a cidade ficou famosa pra mim por causa da formação geológica do grupo Passa Dois de folhelhos pirobetuminosos que empresta o nome da cidade. A formação Irati é tem uma fácie que tem o famoso xisto, que é um argilito oleoso que pode virar petróleo, mas não é explorado pois para que a reação ocorra, gasta-se mais energia do que o a energia que a queima do petróleo pode gerar.

Outra peculiaridade de Irati, é que nesta formação, o fóssil guia é o famosíssimo Mesosaurus brasiliensis, um pequeno réptil que existiu no paleozóico e que está presente apenas da América do Sul e na África e que serviu de argumento para a aceitação da Teoria da Deriva continental por Alfred Wegener, embora estas observações tenha sido feitas por Reinhard Maack, o pai da Geografia do Estado do Paraná.

Isso tudo mostra que esta pequena cidade de cerca de 60 mil habitantes já fazia parte da minha vida há 300 milhões de anos... Agora no Holoceno, Irati é uma cidade típica do interior do segundo planalto. Tem casinhas de madeira no estilo ucraniano, ruas de paralelepípedo, um centrinho simpático e pequeno, praças e jardins floridos, muitas Araucárias e uma Universidade Estadual pública com 14 cursos de graduação, a Unicentro, onde estive dando uma aula de Geografia Física hoje.

Cada vez eu gosto mais do interior do Paraná, quem sabe esta cidade não me reserva algo no futuro?.

O centro de Irati hoje.

Unicentro de Irati

Pequeno museu de Ciências da Terra no meio do bosque de Araucárias.

Igreja no centro.

Casa de madeira

Mais casas de madeira

Estádio que no final de semana rebeceu um clássico regional: Iraty x Serrano de Prudentópolis.

Eliza mostrando os folhelhos da formação Irati

17 de fevereiro de 2010

Guarapuava

Guarapuava (lobo bravo em guarani?) é uma cidade média que fica no centro do Estado do Paraná. É uma das cidades mais frias do Estado por que fica em um planalto acima dos mil metros de altitude, o terceiro planalto do Paraná, que é um prolongamento da Serra Geral, onde se conserva grandes pacotes de derrames de basalto, rocha vulcânica original de fissuras oriundas da separação entre a América do Sul e África há uns 100 milhões de anos atrás e outras vulcânicas que falarei mais tarde...

Aqui tem uma das paisagens de planaltos mais belas do Brasil meridional, a quebra do relevo favorece a existência de várias cachoeiras. Além disso, ainda há belíssimas florestas de Araucária e campos subtropicais.

A parte urbana da cidade merece a atenção. Não há nada demais, mas também nada de menos. A cidade é simples e bonita. Não há uma arquitetura excepcional, o que existe são pessoas que mantém casas com jardim, calçadas arborizadas e uma prefeitura que mantém jardins, praças e muitos parques preservados, aproveitando o relevo, os rios e outros aspectos naturais da cidade para o lazer, como é a lagoa das lágrimas e o parque do lago, além da pedreira de riolito ao lado da rodoviária, que virou a Praça da Fé, onde há vias de escalada.

Hoje eu tentei duas vezes ir escalar na Praça da Fé. Na primeira, pela manhã, eu fiquei uns 40 minutos fazendo croquis das vias. Quando coloquei os equipos para escalar, começou a chover...

À tarde eu e a Eliza fomos fazer umas transparências para dar uma aula na Unicentro de Irati, amanhã. Perdemos a tarde inteira!

No fim da tarde, o tempo estava ensolarado, mas quando chegamos na praça, o tempo fechou e choveu de novo. Azar!

A chuva foi rápida, mas o suficiente para molhar todas as vias. Já que não dava para escalar, fomos para o parque do Rio Jordão, onde ficam umas corredeiras e há uma paisagem muito bonita, com gramados e churrasqueiras e muita Araucária.

As cidades do Sul são muito legais e bonitas, dá pra sentir como as pessoas são mais cuidadosas com os locais onde moram. O mais interessante é que aqui teve uma colonização paulista, dos tropeiros que saíam de Sorocaba e iam para Viamão. Mais tarde a cidade recebeu imigrantes europeus e depois gaúchos, por isso tem tanta gente que torce pro Inter e Grêmio, além do Corinthians, é claro!

Mais tarde continuo com minhas observações sobre Guarapuava e outras cidades da região. Ainda preciso conhecer mais cachoeiras e as escaladas. Tomara que o tempo colabore.


Praça 9 de Dezembro


Lagoa das Lágrimas

Casa típica no centro



Lagoa à noite



Praça da Fé prestes a chover



Eu estava colocanda a solteira quando começou a chover.... (foto Eliza Tratz)

E assim ficou na segunda vez que caiu água, pela tarde...

Rio Jordão

Parque do Rio Jordão

Rio Jordão ao fim da tarde (foto Eliza Tratz)

Ponte no rio Jordão (Foto Eliza Tratz)

Araucária e pôr do sol. A foto ficaria linda se não fossem estes postes de alta tensão! (foto Eliza Tratz)

10 de fevereiro de 2010

Vídeo de Maximo Kausch aparece na TV Record e é sucesso no Youtube

O vídeo de Maximo Kausch "Via do Sofá", que ficou em segundo lugar no Kmon Festival, festival de curtas de humor em montanha, no ano passado, apareceu no quadro de vídeos incríveis do Domingo Espetacular da TV Record no último Domingo.

Certamente a apresentadora Fabiana Scaranzi não deveria saber que aquele "cara maluco" mora no Brasil e nem mesmo que é colunista de um dos maiores sites de montanhismo e escalada da língua portuguesa. Ela não entendeu muito bem a escalada e deu destaque de como Max fazia para chegar até o computador.

A exibição do vídeo pegou todos de surpresa, inclusive a mãe de Max, que me mandou um email avisando que havia sido exibido.

Hoje o vídeo da Via do Sofá tem quase 200 mil visualizações no Youtube e é um dos primeiros que aparece com a palavra chave "bouldering". O sucesso mostra que ele deveria ter ganho o Festival Kmon!

Aproveitando a oportunidade, vou fazer minha campanha para que Max ganhe o Prêmio Outsider do ano da Revista Go Outside, já que ele fez escaladas incríveis no ano passado. Para votar, clique aqui. para ver as conquistas dele em 2009, veja este post.

Para quem ainda não viu o vídeo, segue abaixo:


8 de fevereiro de 2010

Fotos do Brasileiro Juvenil


Aconteceu neste fim de semana o segundo campeonato Brasileiro Juvenil de escalada esportiva aqui em Curitiba, com a participação de jovens atletas de 7 Estados brasileiros.

Apesar do calor infernal e insuportável, que inclusive me fez muitíssimo mal (eu tenho sérios problemas com calor, dor de cabeça, vômito etc...), eu estive nos dois dias da competição fazendo a cobertura completa do evento e tirando foto, veja:


Campeonato Brasileiro Juvenil 1a. dia

Campeonato Brasileiro Juvenil 2a. dia

Tenho que destacar a atuação de todos os atletas que participaram do mundial e estiveram competindo novamente, eles mostraram evolução e amadurecimento e certamente farão um campeonato mundial melhor neste ano. Também não posso ser injusto com Rafael Takahase, que participou pela primeira vez do campeonato e venceu sua categoria, e também à Bruno Milani, que se superou e ficou em segundo lugar na categoria mais difícil, perdendo apenas para o Felipe Camargo. Bruno tem tudo para fazer parte do hall dos excelentes escaladores gaúchos.

Estou deixando os albuns de fotos dos dois dias de competição. Veja abaixo:

Primeiro dia:


Segundo dia:

2 de fevereiro de 2010

Maximo Kausch para outsider do ano 2009

Em 2009 várias pessoas realizaram feitos notáveis no montanhismo e escalada, entretanto ninguém fez tanto em qualidade e quantidade como Maximo Kausch, por isso eu votei nele na premiação que a Revista Go Outside está realizando nos destaques dos Esportes de Aventura para este ano.

Em 2009 Max começou o ano viajando para escalar em rocha. Ele com seu amigo israelense Eyal foram para a Jordânia, escalar no deserto de Wadi Rum

Acampamento de beduínos na Jordânia - foto de Maximo Kausch

Lá tem paredes de mais de 400 metros de arenito cheios de via, todas elas sem proteções fixas, ou seja, são vias longas de escalada tradicional completamente em móvel.

Se não bastasse eles terem repetido dezenas de vias longuíssimas, eles ainda conquistaram uma nova linha em uma Torre sem Nome. A via se chama “Chupa Camel” é um 6a (fr) e tem 260 metros e nenhuma chapeleta batida, num estilo totalmente limpo.


Orações muçulmanas no meio da parede do deserto de Rum, Jordânia - impressionante!!

Depois de ter passado mais de um mês na Jordânia, Israel  e quase ter pisado numa mina terrestre na fronteira com a Arábia Saudita, Maximo veio ao Brasil, onde escalou em Minas (Andradas), São Paulo (Bragança Pta) e Paraná (São Luis do Purunã e Anhangava).

Logo depois, Maximo foi para a Argentina, onde fez o curso do WFR (Wilderness First Responder) o curso de resgate em ambientes remotos mais completo do mundo. Em seguida, ele foi para Bariloche, onde fez o primeiro módulo do curso de Trekking Cordilheira, da Associação Argentina de Guias de Montanha. Além disso, ele ainda fez um curso de escalada artificial na Pedra do Baú em SP com o Bito Meyer.

De volta, ele e eu fomos à Bolívia, onde escalamos as quatro montanhas mais altas daquele país, o Sajama (6542 metros), Illimani (6438), Ancohuma (6327) e Illampu (6300). Não tivemos moleza nestas escaladas, fizemos o Sajama e o Ancohuma com mal tempo e o Illimani abrindo caminho na neve. O Illampu é um caso à parte, ela é a montanha de 6 mil metros mais técnica da Bolívia. Max também fez uma tentativa frustrada de escalar o Parinacota de 6348 metros.



Isabel (frente) e Maximo (atrás) chegam no cume do Illampu, montanha mais difícil da Bolívia. Foto tirada por mim.


 Depois da Bolívia, Maximo foi à Argentina e lá escalou abriu uma nova rota na face Leste do Cerro Vallecitos (5420 metros), a “Cordobês Trucho”,  com graduação sugerida em D/D+ 800 mts IV 50/75°.

Dias depois desta conquista, ele foi para o Cerro Rincón (5280 metros), onde abriu uma nova variante na difícil Super Canaleta, uma rota já existente e que já ceifou diversas vidas devido sua periculosidade. Lá, para evitar as avalanches, ele escalou um novo trecho de rocha. O grau da rota com a variante ficou em D/D+ 1000m V 75º.




Face Leste do Cerro Vallecitos. Rota mais difícil e perigosa aberta até hoje na montanha, pois é rota de avalanche.

No meio de duas grandes escaladas, Maximo conheceu um fracasso, ao tentar estabelecer uma nova rota na face Sul do Cerro Plata (5950 metros). Lá ele foi castigado pelos Ventos Zonda que quebraram sua barraca e o arrastou pela montanha.

Em desistir jamais, Maximo voltou à Cordilheira dos Andes onde abriu uma nova rota, desta vez no remoto e difícil Cerro Tolosa (5403 metros).  A rota que eles abriram ficou graduada em D+ e tem 1600 metros de desnível!!!

Vocês acham que ele fez só isso em 2009? Calma, ainda estamos em novembro, mês que Max decidiu “descansar” e ficar somente escalando em rocha, nas torres de granito de Arenales, em Mendoza – Argentina.



Isabel indo de segundo na face Leste do Vallecitos


Suportando ventos Zonda na Sul do Plata

Escalando em Arenales

Maximo e Isabel no cume do Cerro Tolosa, primeira ascensão e ainda abrindo rota há anos!


Após este treino na rocha, Max voltou novamente para a altitude, para enfrentar outras montanhas técnicas. Pra começar, mais um seis mil metros, o Cerro Ramada (6384 metros), para aclimatar!

Lodo depois, ele foi para o Pico Polaco, de seis mil metros, onde não conseguiu fazer cume por conta das condições ruins de gelo. Esta montanha é o seis mil metros com rota normal mais dificil da Argentina e Chile, uma vez que fica na fronteira entre ambos países.

Após esta experiência e ficar um grande tempo esperando o tempo melhorar, Maximo fez cume no Cerro Mercedário, a oitava montanha mais alta dos Andes. Detalhe, ele escalou a montanha por sua temida Face Sul, a segunda maior parede dos Andes, que tem 2400 metros de altura! Max fez uma travessia total na montanha, subindo por um lado e descendo por outro, tendo que puxar todo o equipo nas costas nesta enorme e perigosa parede. 




Esquerda, Pico Polaco, centro, Face Sul do Mercedário e direita, Cerro Negro. Foto tirada por mim desde o cume do Cerro Ramada.


Foram 3 semanas isolado na montanha passando fome, pois ele não estava esperando um mal tempo tão prolongado, o que o fez perder 8 quilos!

Em resumo, Maximo esteve em 2009 em oito montanhas de seis mil metros, fazendo cume em seis! Ele também esteve em quatro montanhas de cinco mil metros, fazendo cume em quatro. Max abriu uma via de escalada tradicional e mais três vias mistas de gelo e rocha em montanha de altitude. Ele escalou em 4 países, Brasil, Argentina, Bolívia e Jordânia.

Foi ou não foi um ano e tanto? Certamente... Quem não conhece esse cara ficaria imaginando de onde ele tirou patrocínio para tantas coisas... Maximo não tem patrocínio e nunca teve.. Tudo o que ele tem foi conquistado com muito suor, pois ele trabalhou muito e nos piores empregos, para conseguir dinheiro para viajar. Isso não foi só agora, mas sim sempre... Mais um motivo para ele receber esta premiação!


Para votar em Maximo Kausch, clique aqui!!


Maximo passando o natal na montanha!!!