21 de setembro de 2010

Andrando

Andrar é um novo verbo que significa escalar em Andradas. Trata se de um verbo que melhor que conhecer é conjugá-lo: Eu andro, Tu andras, nós andramos...

Pois bem, eu tenho andrado bastante e não foi diferente neste último final de semana, onde estive andrando pela Pedra do Pântano e do Boi.

Para deixar mais curto o relato, dividi ele em dois, de forma que fica mais fácil também para quem quiser andrar nas vias que eu andrei, achar estes relatos na net e repetir estas andrações.

Fui para Andradas com o Tacio Philip e sua namorada Paulinha na sexta, e sábado de manhã já estávamos caminhando até a Pedra do Pântano, localizada bem próxima ao refúgio, que novamente estava vazio (estranho ter tão poucas pessoas andrando...).

Chegando à rocha, fui direto escalar a via Pão Francês, que eu havia escalado pela metade com o Davi Marski uns meses atrás e que no meio da parede fomos acometidos de uma sede violenta e falta d´água...

Desta vez fomos preparados e deixei com o Tacio a incumbência de guiar a primeira enfiada, onde fica o primeiro crux da via (eu acho ser um 6sup), feito em móvel em um esquema de mini tetos muito peculiar que ele mandou com facilidade e dor no pé (pressão na aderência).

Tacio no primeiro crux

Em seguida fui eu guiar a segunda enfiada, um quarto grau tranqüilo numa canaleta imensa, feita inteira em móvel. Esta canaleta é tão profunda que em muitos trechos ela é escalada meio que em chaminé. Gosto bastante deste trecho, pois ele é bem técnico e bacana para usar as proteções, mas o Tacio não gostou muito não, acho que ele não gosta de chaminé... Quando fizemos a reunião na parada, pedi pra ele pra poder guiar a terceira enfiada, pois lá estava o crux que eu queria guiar e lá fui eu...

Pois bem, esta enfiada é bem técnica, com muito posicionamento e dificuldade constante acima do sexto grau. Há duas proteções fixas e depois é tudo em móvel, inclusive o tetinho que é o crux da via. Lá, coloquei duas peças pequenas antes do lance e protegi o crux, numa fendinha meio aberta, com um camalot .5, que ficou bem suspeito, mas que no final nem precisou de ser testado, pois acabei passando, mesmo com certa dificuldade. Achei difícil o lance: 7a, mas sei lá, de repente passei um pouco mais perrengue que o normal. Dali até o cume foi uma escalada bem tranqüila, de pura curtição.
Lance delicado do crux

A Pão Francês é graduada desta maneira: 5 VI E3 (150 metros). Eu, no entanto, acho que este grau está desatualizado e sugiro uma atualização para 5 VIsup ou então VIIa na dependência deste segunda crux que é bem comprometedor...

Descendo da Pão, fomos para nosso segundo objetivo do dia, escalar a via Baguete Não.

O Tacio guiou a primeira e segunda enfiada num só esticão totalizando 60 metros. Quase que tive que sair à francesa para ele chegar na parada, mas não foi necessário. Quando cheguei na reunião, depois de limpar tudo, dei de cara com a terceira enfiada, que eu já esperava ansiosamente para guiá-la.

Esta terceira enfiada é um lindo diedro em móvel que no croquis diz ser 6 grau, mas eu acho que também é subcotado, sendo pelo menos 6sup (embora eu ache que seja um 7a bem consolidado).

Enfim, saí guiando esta linda enfiada e com muito trabalho consegui chegar na terceira parada, onde acaba a escalada livre e começa um lance artificial.
Guiando o diedro. Fotos do Tacio

Tacio vindo de segundo


Eu não sou muito bom em artificial, acho uma escalada tensa. Como gosto de agilidade na escalada, eu acabo sendo impaciente para fazer este estilo, deixei com o Tacio a tarefa de guiar o lance, mas mesmo assim não rolou. O Tacio sofreu um acidente escalando uma via A2+ no ano passado e ele ainda não recuperou a confiança. Mesmo o lance da Baguete sendo considerada um A1+, este grau é relativo à segurança (no lance tem uma chapeleta pra segurar queda), mas não à colocações e nisso este trecho em artificial é foda, pois as colocações são ruins e inclusive uma delas saiu quando o Tacio tentava progressão. Resultado, desistimos da via...
Tentativa de escalar a quarta enfiada

Para acabar o dia, levei o Tacio para a Monstro do Pântano, que é uma das vias mais bonitas da pedra e ele fez ela à via unindo as duas enfiadas em uma só, escalando os 50 metros da via de uma vez, o que demanda muita resistência.

Andrar é assim. As vias são longas e exigentes. As vezes você se dá bem, às vezes tem que voltar. Para você andrar, é preciso ter tempo disponível, pois as vias lá são longas e em um dia não dá pra andrar mais do que duas ou três delas.

Guardamos energia para andrar no dia seguinte... amanhã eu conto...

2 comentários:

Daniel J.Casas, Joinville/SC disse...

hahahahahaha
ótimo pedro!!!
quero conjugar esse verbo tb!!!
abrazo
Dani Casas

Miriam Chaudon disse...

Acho que vai demorar para eu conjugar esse verbo...hehehe! Eu ainda estou aprendendo a conjugar engatinhar...é como me sinto ainda como iniciante!
E andrar me pareceu bem difícil....!
Bj.