Blog do Pedro Hauck: Morro do Sete – Serra da Farinha Seca

20 de abril de 2010

Morro do Sete – Serra da Farinha Seca

Fim de semana com sol e não muito calor, um indicador que a temporada de montanhismo está começando após longos meses de chuvas.

Aproveitando o bom tempo fui para a Graciosa com o Julio Fiori para conhecer uma montanha na Serra do Mar paranaense que eu ainda não conhecia, o Morro da Mãe Catira e do Sete.

A caminhada começa em um sitio ao lado da antiga estrada da Graciosa. Quase imediatamente após deixar o carro no sitio, começa a caminhada na bela floresta, que certamente sugere o nome de “Graciosa” para aquele passo entre os maciços do Ibitiraquire e Farinha Seca, erroneamente chamado de “Serra”.

A caminhada é tranqüila, atravessando rios cristalinos onde abastecemos os cantis com uma água pura, excelente pedida para testar mais uma vez aquele repositor eletrolítico Suum que eu ganhei e que é muito gostoso!


Depois de meses de chuvas, a trillha estava um lamaçal. Encontrei umas pessoas que reclamaram do barro, mostrando o tênis encharcado e a meia de algodão já arriada, como se fosse uma "meia boca de sino".

Quando você encharca muito o pé, é comum que a meia fique pesada e comece a entrar dentro da bota, encharcando ela também, mesmo que seja impermeável, o que provoca as desagradáveis bolhas. Como eu estava com uma bota boa e uma meia super tecnológica, enfiei o pé na lama sem dó e pude testar como estes equipamentos fazem a diferença.

Alguns equipamentos existem a muito tempo, mas com a tecnologia dos materiais eles foram melhorando de forma significativa e numa condição destas, você caminha com todo o conforto, pois fica com os pés secos e sem bolhas no final. É o caso de botas e meias.

Há um tempo atrás, quando eu cheguei em Curitiba, não costumava usar botas. Certa vez numa saída de campo com a UFPR, eu pisei numa poça d´água ao sair do ônibus e fiquei passando mal o dia inteiro porque havia molhado minha meia. O mesmo aconteceu comigo na cidade, com as maravilhosas calçadas curitibanas e esse clima de chuva constante, cheguei a molhar o pé no Centro Politécnico e tive que ficar o dia inteiro lá aguentando frio do pé molhado.

Hoje eu uso minha botas Nômade até mesmo na cidade e na trilha estou usando uma meia de primaloft da Lorpen, que expulsa o suor e seca super rápido, fazendo toda a diferença numa trilha dessas, que mesmo debaixo do lamaçal, o pé fica seco e assim o passeio fica agradável como é para ser. Pode ver na foto que a bota mesmo surrada, combinada com uma meia destas tecnológicas, aguenta a umidade e isso evita bolhas e não há risco das famosas meias boca de sino.


Com a subida, a gente sai das árvores e entra na região dos campos com Caratuvas, mas logo volta para uma florestinha de baixo porte, a chamada “matinha nebular”. O ponto mais alto do Morro do Mãe Catira é recoberto por uma florestinha desta.

De lá, começa uma descida até o Morro do Sete. Esta é uma das poucas montanhas da Serra do Mar que para se chegar ao cume é preciso descer. Mas esta descida vale a pena, pois o Mãe Catira não tem uma visão boa por conta da vegetação e o cume do 7 é descampado.

Na verdade, ambas as montanhas era um único maciço, uma falha na escarpa que delimita as montanhas evidencia que o Mãe Catira foi soerguido em algum momento da história geológica. Outras falhas em sentido perpendicular foram pontos de incisão de erosão remontante que esculpiu diversos canyons no front da Escarpa da Serra do Mar e entre o Sete, Mãe Catira e Polegar há um destes canyons gigantes e profundos.

Você deve estar se perguntando, mas porque do nome Sete? Bem, este motivo é bem tolo. É que na escarpa da montanha há uma fenda que parece desenhar o número sete na rocha. Eu na verdade nunca consegui visualizar isso... O que vi foram falhas geológicos da Zona de Cisalhamento do lineamento brasiliano, vi também o grabén entre a Serra do Mar e o esporão do Feiticeiro, enxerguei os pedimentos Alexandra no sopé das montanhas e vi que terei muita dificuldade de interpretar tudo isso mais tarde...

Traduzindo, o que eu vi foi um dos mais belos visuais da Serra do Mar, pois estava exatamente no meio entre o maciço onde fica o Pico Paraná e a Serra do Marumbi. Veja as fotos:

Pico Paraná, Ciririca e Aguda da Cotia

Falhamentos

Canyon


Serra do Prata e Serra da Igreja

Baia de Paranaguá

Serra do Marumbi

Panorâmica para a Serra da Farinha Seca

Panorâmica para o Ibitiraquire

3 comentários:

Guilherme disse...

muito massa!! so me deu ainda mais vontade de conhecer essa parte da serra, quem sabe ainda esse ano... So nao curti as propagandas no comeco hehehe valeu abraco!!

Heitor disse...

mto legal cara. Não vejo a hora de subir lá tbm! Hein, como vc fez essas panorâmicas?

Marcos&cia disse...

Tive o privilégio de conhecer. Realmente tem muuuuuuita lama e é alguns lugares, quase no joelho. Andei o tempo todo muito enlameado e com os pés molhados mas isto não me incomodou e apesar de não ser tão alto, a vista é privilegiada, não de cima para baixo, mas de baixo para cima, pois está centralizado entre os principais pontos culminantes deste trecho da Serra do mar. Vale toda a ralação.