Blog do Pedro Hauck: Março 2009

30 de março de 2009

Rumbo al sur...



As postagens deste blog poderão estar atrasadas, pois estou escrevendo durante a viagem, mas nem sempre encontro algum ponto de internet sem fio para manter as notícias atualizadas. Aliás, já que me chamam de garoto enxaqueca, vou fazer jus à fama e reclamar: Como a infraestrutura de turismo econômico no Brasil é desatualizada. Quase impossível achar internet wireless por aí!

Domingo 29 de março de 2009

Rodamos hoje 574 km, saindo de Curitiba e chegando em Torres – RS. O começo da viagem foi muito tranqüila, pois no norte de Santa Catarina a estrada é perfeita. Depois de Florianópolis o bicho começa a pegar. Pista Simples, muitos desvios, obras intermináveis e perigo eminente, quase um caminhão bateu em mim desviando de um sem noção que parou no meio da estrada... Realmente a BR 101, ou briói, como chamam os catarinas, é um desastre.

Chegamos em Torres à noite e fomos direto na região onde concentram-se os campings, longe do centro urbano. Reconheci a rua onde ficava um camping onde eu fiquei há 3 anos atrás, na volta de uma viagem pela Argentina. O camping em questão estava fechado e só havia lá uma opção de salgados quinze reais. Pagar tudo isso pra usar minha própria infraestrutura? Nem a pau...

Na procura de um outro camping mais barato, encontramos outros fechados e na sorte achamos uns Chalés por maravilhosos R$ 8,00. Beleza! Tá certo que o tal Chalé mais parecia uma tapera, mas o preço foi convidativo...

Segunda Feira 30 de Março

Após uma noite sofrida por causa dos pernilongos, o dia amanheceu nebuloso, mas logo abriu um belo e convidativo sol.

Fomos escalar no Parque da Guarita, uma bela praia e um fabuloso monumento geomorfológico. O nome Torres advém das Falésias com basalto de disjunção colunar, que segunda a Eliza é da unidade básica inferior da Formação Serra Geral, e é mesmo, pois deu pra ver os arenitos Botucatu na base e até mesmo conglomerados vulcânicos os Peperitos, que é quando ocorre a interação da lava e o sedimento em ambiente liquido.

Vivo pegando no pé dos esportiveiros que chamam qualquer afloramento rochoso de falésia. Falésia é na verdade quando há um desnível abrupto frente ao mar e o relevo de Torres é de fato uma falésia, com interessante erosão de base por abrasão, formando grutas localmente chamadas de furnas.

Bem, eu teria muito o que falar daquilo que vi no relevo desta região fantástica. Dunas, Falésias, linhas de pedra subsuperficiais sobre solos antigos e até mesmo cactáceas e bromélias xerófitas vivendo e competindo com as “hipomeas” da beira de praia em local onde umidade é superior à 80%. Torres é muito mais que uma bela paisagem cênica, é também uma paisagem de exceção que conta a história da natureza do continente sul-americano...

Começamos o dia reconhecendo as três torres e escalamos primeira a Torre Sul, com a Via (?) de 6 sup e a (?2) 6 grau. Vias lindas, altas e fáceis. Na torre sul havia no croquis outras vias, algumas marcadas como sendo em móvel. Entretanto fiquei muito ressabiado em entrar, pois de baixo não dá pra ver a parada e pra cima há muito caraguatá (bromélia) de forma que fica difícil uma fuga da parede.

Almoçamos um lanche (bem caro, a cidade é muito turística) e voltamos pra praia, quer dizer, pra rocha... Desta vez pra torre norte, ou torre do Farol, com vias mais curtas e mais difíceis. Entrei pra começar em um 5 sup que eu já havia feito na primeira vez que vim pra cá em 2006, na volta de uma viagem que eu e o Maximo fizemos pela Argentina (e que editamos aquele famoso vídeo “Star Wars”).

Logo quando estava entrando na via apareceu um escalador, o Ricardo, que é o único ativo da cidade. Ele nos deu umas dicas e montou um top na via Solião do Farol um 7b de entalamento em teto indescritivelmente animal! (No croquis diz ser um 8a)

Após eu ter entrado na via, foi a vez da Eliza, que mandou muitíssimo bem, com apenas uma queda. Depois dessa, o Ricardo ficou pilhado em entrar na via mais tradicional do setor, a “Master Blaster”, um 7c de posicionamento maravilhoso. Ele guiou a via de deixou as costuras para eu entrar em Pink Point. Fiz a via com queda e dando duas seguradas na costura, pois de fato, é uma via de equilíbrio, leia-se, equilíbrio na hora de costurar... Mas beleza, de primeira sempre fazemos umas jaguaríces.

Torres é um lugar espetacular para a escalada esportiva. Pode adicionar à seu potencial o fato de lá ter muitas fendas e via em móvel. Entretanto é preciso ter cuidado, pois a maresia lá é o bicho e um grampo dura apenas 6 meses! O ideal é que as vias sejam protegidas com parabolt e chapeleta de aço inox. Há muitas linhas a serem conquistadas e que dariam vias lindas. Só que é caro abrir vias de 25 metros e extensão com proteções deste tipo, então o potencial da cidade ainda é pouco explorado. Nas vias em móvel é preciso ter informação sobre o estado da parada na cabeça da via. Não adiante você saber escalar em móvel e não ter por onde descer. Fez falta aqui em Torres um binóculo igual àquele que o Belezinha usa pra ficar olhando as agarras em campeonato. Aqui seria utilizado pra procurar as proteções de rapel.

Daqui estamos indo para a região da restinga da Lagoa dos Patos. Quando possível, mandarei notícicas...

Abs.
A "Guarita"em Torres, contato entre o arenito Botucatu e o Basalto da Fm. Serra Geral.

Linhas de Pedra...

Eu escalando uma das vias...

Uma das vias na torres sul.

Karla

Altura da Falésia.

Eliza de segundo

Karla

Passagem de um teto

Eliza na Solião do Farol

Já viu isso antes?

28 de março de 2009

Indo pro Uruguay

Depois de ter dado um gás na minha dissertação e ter ficado sem ter tempo pra atualizar este blog, estarei indo aproveitar uma merercida viagem, de estudos!

Estou indo a Montevideo participar do EGAL. Encontro de Geográfos da América Latina. Já participei deste evento uma vez, quando foi em São Paulo em 2005 e agora, aproveitando que será bem perto lá vou eu, de carro, é claro!

O roteiro de ida é beira mar. Sairemos amanha de Curitiba e pela BR 101, iremos até Torres, no Rio Grande do Sul. De lá, iremos até Osório e seguiremos pela 101, passando pela Restinga da Lagoa dos Patos, um lugar que eu sempre quis conhecer.

Atravassarei a fronteira via Chui e seguirei pelo litoral até Montevideo.

Estarei acompanhado nesta viagem pela Karla, Eliza e Mayumi. Quando puder estarei postando informações e fotos.

Até breve!

16 de março de 2009

Video do campeonato catarinense

Os negócios estão indo bem e já tenho alguns clientes. O Hilton pediu 200 litros, a Janine diz que vai levar pros Jogos Mundiais em Taiwan, o Maximo vai tomar um mate com ele e o Parofes veio na onda. A água milagrosa de Campo Alegre está fazendo Fama!

Não é por menos. Este video eu comprovo a eficácia do meu produto. Estrelando Andreas, Jürgen e a galera de Santa Catarina.


Campeonato catarinense de escalada from betojoly on Vimeo.

Ps. Ainda estou estudando o preço final da Água de Campo Alegre, mas como já tive pedido de pessoas ilustres, acho que o preço será um pouco caro no começo. Aguardem!

15 de março de 2009

Vendo água de Campo Alegre

Tive uma idéia sensacional!

Já que minha fonte de riqueza se esgotou (acabou minha bolsa da Capes), vou começar a vender a milagrosa água de Campo Alegre.

Pra quem não sabe, essa pequena cidade situada no planalto do norte catarinense, circulada por florestas de Araucária, campos abertos e ovelhas (que assadas são muito boas!) é a sensação da escalada esportiva do Brasil.

Isso por que lá tem somente 10 mil habitantes, mas teve 4 atletas selecionados para o mundial juvenil de escalada esportiva que acontecerá na França em Agosto.

Ontem fiz minha prometida visita á capital brasileira da escalada de competição para acompanhar a primeira etapa do catarinenense de escalada, comer carneiro assado e constatar que Santa Catarina é o estado com o maior índice de mulheres bonitas do Brasil.

Minha idéia é engarrafar a água da cachoeira do Rio Turvo, localizado quase no centro da cidade, onde há, inclusive, vias de escalada no Riolito (nuances da paisagem sub-superficial dos planaltos meridionais). O problema foi que o Eleandro me disse que essa água não dá pra beber e acabou com meu negócio (ou será que ele está guardando segredo?).

O porquê eu não sei, mas ontem o Andreas "Francês", viciado na água de sua cidade, se embebedou dela e mandou todos os boulderes á vista, levando a primeira etapa do catarinense. O Jonas e o Victor, de tão viciados na tal água milagrosa, foram convocados a trabalhar como route setters, senão o campeonato já estaria resolvido antes de começar.

Parabéns á galerinha de Campo Alegre e os cabeças da Pé na Agarra. Com água ou sem água hoje são destaque na escalada de competição do Brasil e certamente irão fazer bonito na França. Mas não me engane Eleandro, pois eu ainda vou ficar rico engarrafando esse água aí!

Centro de Campo Alegre.

Festa da Ovelha, evento que sediou o campeonato de escalada.

Jürgen pagando um montê no boulder da final.

Caio Lopes de Curitiba, atleta convidado.

O tal francês endiabrado que é na verdade alemão!

Festa do Carneiro, quer dizer, Ovelha (qual a diferença entre um e outro?) ?Talvez o sucesso da escalada em Campo Alegre seja a realização de competições em festas públicas...

... Ou porque em Santa Catarina há premiação em campeonatos e apoio político. Olha lá o Prefeito de Campo Alegre no pódio!!!!

Guris de Campo Alegre que são da seleção brasileira.

O que é isso. Um Carneiro ou um bode?

13 de março de 2009

De licença para estudar

Nos últimos tempos tenho me dedicado muito ao montanhismo e escalada. Apesar de ser a coisa que eu mais gosto, essa dedicação me custou caro e agora terei que correr atrás do prejuízo.

Acontece que eu não vivo de escalar e quem pagou minhas contas nos ultimos anos foi a CAPES, pois sou bolsista do Programa de Pós Graduação em Geografia da UFPR.

Durantes estes últimos dois anos fui conciliando a escalada com os estudos, mas ultimamente deixei a escalada ocupar mais tempo do que eu tinha para ela. É realmente uma tarefa árdua parar de pensar em montanha e se focar em estudos, passando dias e dias em frente ao computador lendo e interpretando textos complexos de assuntos que vc's nem imaginam.

Estes dias expirou meu prazo de defesa e eu ainda não tinha terminado minha dissertação. Claro que consegui prazo para poder terminá-la e daqui em diante estarei me dedicando exclusivamente à ela.

Por este motivo estarei ausente do mundo da montanha, por mais que seja possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo, quero estar focado no meu trabalho e não posso ter o luxo de de desconcentrar, já que pensar em montanha é muito mais prazeroso do que em ciência.

Por isso peço aos meus amigos e familiares que nestes próximos 2 meses me deixem em paz e não me convidem para ir pra montanha e nem sintam minha ausência, ela será necessária.

Ao término desta obrigação tudo se normalizará e tenho certeza que vou realizar projetos muito legais por aí. Aguardem e sejam pacientes, o tio aqui precisa se tornar um mestre logo!

 Um gráfico que fala muito sobre as origens da paisagem do Paraná

9 de março de 2009

Fim de semana das mulheres no Anhangava



Rolou neste fim de semana, em comemoração ao dia internacional das mulheres, a invasão feminina do Anhangava. Não que elas precisassem desta data pra aparecer lá pra escalar, mas neste fim de semana o morro ficou, por algum tempo, mais bonito.

Acontece que estamos falando de escalada e não de balé, onde pelo menos em Curitiba, o que predomina são os marmanjos, que sentindo a atração dos feromônios femininos, compareceram em massa ao Anhangava também. Tentei infrutíferamente ir escalar em São Luis do Purunã, mas sem parceiro ficou muito dificil e não tive opção senão que fazer parte da contra invasão masculina na montanha.

Nunca vi um dia com tanto montanhista conhecido reunidos no Anhangava, vi o Waldemar Niclevicz, Irivan Burda, Tonto, Snakinho, Ernesto, Irmãos Cover, Beto Joly, Feijoada, Dalinho, Natan, Chiquinho Hartmann..., isso só pra falar nos mais famosos. Também estava lá o Sean Leary, ex. namorado da Roberta Nunes e uns caras que fizeram o video Fanatic Search, que passaram pelo Brasil pra fazer um documentário em homenagem à ela.

Montanha cheia e como não gosto muito de pegar senha pra escalar, fui para o setor mais distante, o "Deus te chama". Na parceria do Beto Joly e de seu amigo Careca, a escalada fluiu bem o dia inteiro, até que escalando a "Porca Miséria" bati meu joelha na pedra e não aguentei mais suportar o peso do meu corpo na perna esquerda. Tive que voltar machucado pelas rampas do campo das Panelas, o que não foi nada legal pra mim. Game Over no sábado.

À noite rolou festerê na 5.13, muita animação e gente como não via em festa de montanha há muito tempo. Posso dizer que quase toda a comunidade de montanhistas e escaladores de Curitiba compareceu, o que é muito dificil, pois não sei porquê a galera gosta de se auto boicotar.

Domingão o dia amanheceu ensolarado, mas logo começou a fechar, que bom! pois meu joelho já estava melhor e assim levei meu coleguinha "Deco" de apenas 16 anos para conhecer o campo das Panelas.

Escalamos a "Professor", "Parece mas não é" e "Laranja Mecânica", que é minha via favorita no Anhangava. O Deco, que é um dos melhores escaladores da Campo base e no ano passado ficou em segundo no ranking paranaense amador, tinha escalado somente duas vezes no granito e mandou muito bem nos regletinhos e posicionamento de pé do Anhangava. Em seguida levei ele escalar a "Porca Miséria" e ele encadenou a via sacando as costuras.

Para finalizar o dia mandei a Jô Casta na cadena para o piá vir em seguida, mas ele ainda precisa melhorar as aderências de pé, ou senão melhorar de sapatilha. Aproveitando o caminho, minha amiga Camila Armas entrou na Jô e escalando muito bem quase conseguiu escalar a via.

O dia só não foi melhor pois por volta da 4 horas caiu um baita chuvão. Chegamos no carro encharcados e por conta disso meu celular parou de funcionar.

Snakinho na Sétimo dia

Eu e o Deco na parada da Professor

Deco nos regeltinho da Laranja mecânica

Deco fazendo o teto da Porca Miséria

Isso ae guri....

Domingo de manhã...

5 de março de 2009

Gruta do Monge: Potencialidades e problemas para a escalada

Vista panorâmica da Escarpa no Parque do Monge em Lapa - PR

Hoje estive participando do conselho consultivo do Parque estadual da Gruta do Monge, localizado no município da Lapa à cerca de 60 Km de Curitiba.

A gruta do Monge é um abrigo sobre pedra na escarpa que divide o primeiro do segundo planalto paranaense em sua porção mais austral. Esta escarpa é a popular "Serrinha" ou a técnica "Escarpa Devoniana", tudo depende de seu ponto de vista.

No ponto de vista da história do Brasil, Lapa foi uma cidade onde ocorreu um conflito sangrento durante a revolução federalista chamado "Cerco a Lapa", de acordo com o Wikipedia:

Ocorreu durante a Revolução Federalista em 1894, quando a cidade de Lapa tornou-se arena de um sangrento confronto entre as tropas republicanas, os chamados pica-paus (legalista) e os maragatos (federalista), contrários ao sistema presidencialista de governo. Lapa resistiu bravamente até que os lapeanos comandados pelo General Antônio Ernesto Gomes Carneiro, caíram exangües em combate. Resistiram ao cerco por 26 dias, mas sucumbiram ante ao maior número do exército Federalista. O episódio ficou conhecido como o "Cerco da Lapa", a batalha deu ao Marechal Floriano Peixoto, chefe da República, tempo suficiente para reunir forças e deter as tropas federalistas. Ao todo foram 639 homens entre forças regulares e civis voluntários, lutando contra as forças revolucionárias formadas por três mil combatentes. Os restos mortais do General Carneiro, assim como de muitos outros que tombaram durante a resistência, estão sepultados no Panteon dos Heroes, vigiados permanentemente por uma guarda de honra do exército brasileiro.

Lapa Também foi palco de outra guerra, a do Contestado em que Paraná e Santa Catarina entraram em conflito. Foi mais ou menos nesta época que um denominado Monge, chamado João Maria D'Agostini, habitou a região da escarpa. Sua fama de ser milagreiro atrai até hoje romeiros e pessoas que fazem promessa, o que transformou Lapa em uma cidade de peregrinação religiosa.

Pois bem, a cidade de Lapa tem muita história, aliás, ela ainda preserva em sua arquitetura parte de sua história, seja no calçamento de pedra, nas casas coloniais, nas igrejas e outras edificações, muito bonitas por sinal...

Aliado à este potencial, a paisagem do entorno de Lapa é muito belo, com as altas escarpas de arenito que orçam a altitude de mil metros que eram recobertas por campos naturais, eram!

O Governo do estado do Paraná foi culpado de um grande crime ecológico há muitas décadas atrás. Ele plantou na área antes ocupada por campos espécies arbóreas invasoras muito agressivas, como o Pinnus e o Eucalipto que mudou completamente a paisagem que hoje comporta um Parque Estadual, o único da Escarpa Devoniana, o Parque do Monge.

O Parque Estadual do Monge está abandonado e cheio de problemas. Há construções irregulares e completamente impróprias para um parque estadual, como restaurantes, quiosques de churrasqueiros entre outros. Nas escarpas há pixações e muita sujeira deixada pelos visitantes que por lá passam de maneira desordenada.

O triste desta história toda é que quem mais se ferrou com toda a depredação foram os escaladores, primeiro porque eles acompanharam as pixações e os abusos aconteceram com as rochas e depois porque foram por fim proibidos de escalar e muitas de suas vias sofreram com vandalismo, pois alguém cerrou e entortou vários grampos de vias de escalada.

Agora participando do conselho consultivo vim saber, que o parque será fechado por um ano, pois as árvores exóticas serão cortadas do parque o que poderá causar acidentes aos visitantes. Entretanto, esta noticia não é tão ruim, pois o governo do estado está investindo na preservação do parque e em sua infraestrutura e a Fepam terá uma grande chance de provar que a escalada em arenito não é impactante.

Como diretor da Fepam estarei atuando na elaboração de um documento com normas de conquista e conduta de visitação em toda a escarpa devoniana. Este documento será a norma de conquista de vias no Monge, que tem potencial para abertura de mais de 200 vias pelo visto. Estive na região da escarpa acompanhado pelo Zelão, que é o escalador local mais empenhado pela causa. Seus olhos brilhavam diante da beleza da escarpa. Ele me contou muitas histórias de escaladas e de conquistas, o que mostra seu amor pela região e pelo que faz.

Entretanto, antes da elaboração deste documento, é preciso comprovar técnicamente que escalada é uma atividade segura e que ela não irá causar danos ambientais. Para isso precisarei da ajuda de um geólogo e de escaladores experientes que já equiparam vias em arenito em São Luis do Purunã.

O caminho a ser percorrido para conseguir a liberação da escalada no Monge é longo, mas é não é difícil. Esta experiência será muito importante para mostrar para quê a Federação existe e fortalecer nossos vínculos com o IAP, a Paraná Turismo e a Eco Paraná, além da prefeitura e outras entidades governamentais.

Isso abrirá caminho para a gente participar e conseguir planejar outros parques em montanhas, como o Pico Paraná e o Anhangava, que pelo visto serão os próximos a receberem investimentos do governo estadual. Vamos arregaçar as mangas, trabalhar e ir na luta por nosso direito de escalar...

Reunião do Conselho Consultivo

Vista da escarpa por cima

A cidade de Lapa vista desde o topo da escarpa

Olha essa fenda!! depois que liberarem a escalada vou direto nela!

Um teto aluciante e um dos problemas: Abelhas!

Mais lugar para vias fortes!

Esta parede tem alguns sextos que fora alvo de vândalos que destruiram chapeletas

Mais parede

Mais tetos e mais potencialidade

Mais parede

Bizarrices no interior da Gruta do monge

Uso impróprio da rocha.... sem comentário!

Parafuso de chapeleta que foi cerrado por vândalos

Grampo que foi entortado por vândalo

Imagem de satélite sobreposta com track de GPS na Escarpa. São cerca de 1 km de parede lateral de arenito de qualidade.

4 de março de 2009

Ginásio de escalada em Crise?!



Os primeiros ginásios de escalada surgiram na União Soviética nos anos 50 com o objetivo de ser um local para treino de escalada em rocha durante o inverno quando lá é impossível estar na pedra. As agarras naquela época eram de madeira e muito rústicas. Hoje os ginásios têm grandes estruturas, as agarras de resina são especiais e pensadas para minimizar as lesões.

Os ginásios são populares no mundo inteiro e neles é onde se propaga a cultura da escalada e do montanhismo. Na Europa e nos Estados Unidos há ginásios enormes, super equipados, onde treinam escaladores de quase todas as modalidades, sendo que estas estruturas são muito importantes para manter os escaladores em forma na época de muito frio e de chuva, assim como também na época de muito trabalho, onde fica difícil se afastar da cidade por muito tempo.

No Brasil há poucos ginásios de escalada e a maioria se concentra em grandes cidades. Custa muito caro manter uma estrutura de um ginásio e o público muito especifico dificulta a vida do empreendedor, tanto que até mesmo em cidades onde há uma grande comunidade de escaladores, há uma dificuldade de se manter um ginásio, como no Rio, onde o preço dos imóveis são estratosféricos e a rocha é de graça e está por todos os lados.

Em São Paulo estes ginásio se tornaram, de uma certa maneira, populares nos finais dos anos 90. Foi quando a Casa de Pedra teve três unidades. Além dela, na cidade de São Paulo ainda tinha a 90 graus e o Ginásio Crux, que virou mais tarde a Rocódromo e depois fechou. Outro ginásio que também fechou foi a Vertical Indoor de Arujá e o Ginásio Alpino de Campinas, fora a unidade da Granja Viana da Casa de Pedra, que no ano passado quase ficou com uma só unidade.

Curitiba parece ser hoje a cidade os ginásios mais movimentados. Aqui tem a Campo Base, o super equipado e enorme Via Aventura e o pequeno ginásio da Pro mountain. Outra cidade que está com muitos ginásios é Belo Horizonte, com o Ginásio das Pedras, Tórtons e o novo e grande Rokaz, que eu ainda não conheço.

Existem outros ginásios espalhados pelo Brasil, como o Altitude de São José do Rio Preto, o Pedra e Aventura de Taubaté. Há ginásios de boulder em Brasília, Goiânia, Porto Alegre, Montes Claros e em algumas capitais do Nordeste, onde a cultura da escalada está florescendo.

Da mesma forma como vimos pipocar ginásios de escalada e boulder, vimos também que muitos deles não agüentaram viver por muito tempo e fecharam. Alta carga de impostos? Inexperiência administrativa? Falta de adeptos? É difícil saber os motivos, pois cada caso é um caso e só o proprietário poderia dizer o que pesou mais na difícil decisão de fechar as portas de uma "casa da escalada".

Acho que além destes motivos citados, poderia citar mais um: Boicote. Sim, há escaladores que boicotam os ginásios e isso é muito feio. Se você é escalador pode decidir se quer treinar em um ginásio ou não, mas o que não pode é ficar falando mal deles, só por que no seu ponto de vista isso é legal ou não.

Assim como existe escalada em artificial, escalada tradicional, escalada esportiva, escalada de boulder, existe também a escalada indoor e ninguém é dono da verdade em achar que a "sua" escalada é melhor que a dos outros. De certa forma vejo que escaladores experientes entram no ginásio para treinar e levam ferro de escaladores de plástico que nunca escalaram na rocha antes, isso desperta a raiva de gente que se acha "donos da verdade" na escalada e ao invés de ficar na sua e treinarem para melhorar suas deficiências eles simplesmente boicotam ginásios falando que isso não é escalada.

Eu treino umas três por semana em um ginásio em Curitiba, lá eu vejo gente que só escala em ginásio e nem pensa em ir pra rocha treinando ao lado de grandes nomes da escalada brasileira, como o Edmilson Padilha, Valdesir Machado, até o Waldemar Niclevicz aparece lá para escalar. Eu mesmo treino com o objetivo de evoluir e mandar vias mais difíceis e também mais comprometedoras.

Claro que essa facilidade toda leva para os ginásios muita gente sem pretensões algumas, gente que escolha entre escalar e fazer natação e que por avaliar os benefícios de uma coisa e outra e sabendo que tem que deixar de ser sedentário se matricula num ginásio, mas não pensa em ira para rocha, pois não é fanático como nós somos. Hoje estas pessoas são as que mantêm os ginásios abertos, pois se os empresários dependessem somente de escaladores, eles não teriam o movimento necessário para manter uma estrutura como aquelas abertas para treinarmos. Estes escaladores ocasionais também movimentam as lojas de montanha e por isso mantém as fábricas de equipamentos produzindo. Se todos os ginásios do Brasil fechassem, certamente não haveria demanda suficiente para que tivéssemos uma fabrica de sapatilha e teríamos que voltar a escalar de kichute novamente, assim como usar cadeirinha artesanal de fita de cinto de segurança, como nos anos 80.

Os ginásios são a casa da escalada, centros de propagação de nossa cultura e locais de encontro da galera e porta de entrada para nossa atividade. Dentro dos ginásios somos fortalecidos como agremiação de pessoas e também individualmente como escaladores mais fortes e treinados. Embora nos ginásios não possamos treinar todos os tipos de escalada, a evolução da escalada passou por eles e sem eles o que teremos será a involução de nossa atividade, pensem nisso!

1 de março de 2009

Curso e escalada em São Bento do Sapucaí

Estive meio fora do ar estes dias. Aproveitando que o ano apenas começou (com o fim do carnaval), resolvi fazer um curso de escalada artificial, para dar uma ajuda na realização de alguns planos para este ano.

Já há algum tempo, meu amigo Tacio Phillip de São Paulo, vinha me falando em fazer um curso para a gente encarar umas vias de maior compromisso. Como meu orçamento é sempre muito pequeno, nunca tinha tido a chance, mas depois que realizei o curso do PAARE com o Nativo em Janeiro em Curitiba, me animei em ir atrás de um curso para me aperfeiçoar, já que nunca tinha feito um curso de escalada antes.

Fizemos o curso só eu o Tacio, tendo como professor ninguém mais ninguém menos que o Eliseu Frechou.

O curso foi muito bom, vi com estes dois cursos que fiz nestes últimos meses como eu fui burro em não ter investido nisso antes. Além de pular muitas etapas no aprendizado, pois a troca de experiência encurta muito o caminho para quem tem planos grandes, fica aí a dica pra quem tá na dúvida: Invista em sua formação como escalador e montanhista.

Terminada as aulas, nos encontramos com o Luciano Fernandes, autor do famosíssimo blog de escalada. Há tempos converso com ele por MSN e email, mas nunca tinha escalado com ele. Resolvemos então fazer uma cordada de três e encarar a “V de Vingança”, uma das maiores vias do Bauzinho, com 270 metros e um crux de 6 sup muito difícil, guiado pelo Luciano.

Foi uma escalada bem proveitosa, mas bem vacilante, com direito em errar a base da via, e se perder e se achar na parede por causa de uma variante recém batida.

Depois da escalada em São Bento fui para a cidade onde moram meus pais e me reencontrei com um grande parceiro de escaladas, que há 3 anos não via, Maximo Kausch, que estava trabalhando na Europa. Já realizei uma dezena de expedições para os Andes com o Maximo, mas nos últimos anos ele tem feito grandes escaladas no Himalaia que eu não pude acompanhar.

Hoje, antes de pegar a estrada para Curitiba, vamos Tacio, Maximo e eu, escalar esportivo e treinar uns artificiais no Visual das Águas e, Bragança, uma chance de se distrair e consolidar os tais planos que tenho para este ano que começou muito corrido, mas que tem tudo para ser muito proveitoso na montanha.

Quem disse que o Tacio não consegue mandar um boulder mais dificil que um V0? Esse aí, por exemplo, é um A2!

Descansando das aulas

Começo da V de Vingança

Tacio

Luciano e Tacio em uma das paradas da V de Vingança





Luciano

E o bauzão sempre atrás

Penúltima enfiada

Enfim cume, a boa de se escalar em SBS é que não é preciso rapelar!