Blog do Pedro Hauck: Como resolver o problema do trânsito nas grandes cidades?

17 de fevereiro de 2009

Como resolver o problema do trânsito nas grandes cidades?


Recentemente está acontecendo em Curitiba uma grande discussão sobre transporte coletivo. A cidade é candidata a ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, mas na atualidade estamos enfrentando um sério problema de mobilidade urbana causada principalmente pelo excesso de automóveis.

A cidade sempre foi exemplar no quesito transporte público, que sempre foi eficiente sem precisar de grandes investimentos. O sistema escolhido foi o de ônibus de canaleta exclusiva, os bi-articulados, que são ônibus enormes e circulam com velocidade. Para complementar, há os ligeirinhos, que são os ônibus dos tubos e enfim os amarelos, que são os alimentadores.

Quando inventado há cerca de 20 anos atrás, o sistema de tubo era interessante, pois possibilitava a integração do passageiro, que podia sair de um ônibus e pegar outro sem pagar outra passagem. Entretanto hoje o tubo não é mais tão eficaz. Pra começar, é comum ver pela cidade vários locais cheios de tubo, um ao lado do outro, em que eles não são conectados, ou seja, a pessoa tem que sair de um tubo e entrar em outro, pagando uma segunda passagem.

Esses tubos desconectados são ruins por que não cumprem o seu papel de integrar. Outra critica ao tubo é que ele é caro. Os vidros dobrados custam muito mais caro que o normal e ainda o formato de tubo, faz com que seu espaço interno seja reduzido e não haja janelas, fazendo que no verão as pessoas passem mal por causa do calor e no inverno por causa do frio.

Apesar de serem bonitos, os tubos ficaram obsoletos, caros e inúteis. A tecnologia dos cartões magnéticos possibilitam a integração sem precisar de intervenção na infraestrutura de terminais, pois as pessoas compram um bilhete única saem e entram dos ônibus até o tempo do carão terminar. É muito mais barato.

Outro problema é que o ónibus ficou caro e ele ainda fica parado no trânsito, pois com excessão do bi-articulado, os ônibus dividem espaço com os automóveis particulares. Desta forma o veiculo particular sempre será previlegiado e as pessoas vão optar pelo transporte privado ao público, piorando a situação da mobilidade urbana.

Os ônibus de Curitiba deveriam ter preferência aos automóveis, deveriam ter faixas exclusivas nas grande avenidas para agilizar o transporte e favorecer o coletivo em detrimento do particular.

Por conta da falta de coragem de desmotivar o transporte privado, a prefeitura está cada vez mais namorando um projeto muito caro e que vai dar um atestado de incopetência de gestão da URBS, o projeto de metrô.

O porquê deste atestado de incopetência? Ora, não pensem que o sistema de transporte através de ônibus não foi planejado. Desde os anos de 1960 com Osmar Sabbag ele foi pensado e poderíamos ter um transporte mais eficiente e mais barato, mas a pressão pelo automóvel é muito maior e não permite que as ruas seja dos ônibus.

A linha do metrô irá acompanhar o bi-articulado entre Santa Candida e CIC. Ele será construido debaixo da canaleta do onibus, ou seja, aonde temos o melhor transporte hoje em dia é onde será feito o metrô, em um sistema cava e tampa o buraco...

Ao final da obra certamente teremos extinta a canaleta de onibus e as avenidas estarão livres aos carros. Embaixo da superfície toda a lotação dos bi-articulados irá se repetir nos vagões do metrô.

Outra saida econômica, limpa e muito mais popular é a construção de ciclovias. Nosso sistema de ciclovias é totalmente voltada ao lazer. Não há ciclovias nos locais de trabalho.

Novamente a prefeitura não quer mexer no privilégio dos motoristas, a construção de ciclovias requer a substituição de vagas na rua para automóveis em faixas exclusivas para as bicicletas. Vc's acham que os politicos vão querer? Claro que não!

O resultado vc's já sabem. Irão gastar uma fortuna do dinheiro público e não ser resolverá nenhum dos problemas. A cidade ficará abarrotada de carros, o povo vai ficar se abarrotando em ônibus e metrô saturado, caro e ineficiente. Enquanto isso se vc disser basta e querer independencia do transporte coletivo e do transporte motorizado, corre o risco de perder a vida em cima de uma bicleta.

Ah, a foto que ilustra este post é de um conhecido que trabalha comigo chamado Gustavo. Ele foi preso em um protesto contra a URBS e o aumento da passagem de ônibus na ultima semana. Não reclamem dos maus serviços prestados...

Um comentário:

Parofes disse...

É Pedrão...

Te dou razão em tudo, mas o que eu mais gostaria mesmo é que a saúde física e mental fosse aplicada a todos: Bicicletas.
Assim, não haveria desastres de trânsito, não haveria poluição, e todos seriam mais saudáveis.
Meu controller vive me dizendo "Paulo, por que vc não compra um carro cara? Vc tem condições!"
E eu respondo: "Ivan, já temos o segundo pior trânsito do planeta, não vou ajudar a piorar a situação e poluir mais ainda. Acho até cômodo pagar R$ 2,40 e ir de metrô".
E eu falo a verdade. Nunca comprarei um carro na vida...E agora que aluguei uma casinha com área espaçosa, comprarei uma bike pra retomar minha paixão!
Abraços, boníssima matéria.