8 de outubro de 2008

A crise financeira

Para entender a crise:

Recebi um email muito interessante para quem não entendendeu o que está acontecendo no mundo nesta semana de quebradeira de bancos. Não sei de quem é este texto, mas tomei a liberdade de reproduzi-los pois é muito bom.

Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí, um banco perguntou pro Paul se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, dando seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares.

Com os 800.000 dólares, Paul, vendo que imóveis não paravam de valorizar, comprou 3 casas em construção dando como entrada algo como 400.000 dólares. A diferença, 400.000 dólares que Paul recebeu do banco, ele se comprometeu: comprou carro novo (alemão) pra ele, deu um carro (japonês) para cada filho e com o resto do dinheiro comprou tv de plasma de 63 polegadas, 43 notebooks, 1634 cuecas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Paul, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.

Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas que o Paul tinha dado entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez...

O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Fácil... Parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. As taxas que o Paul pagava começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e o Paul percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre.

Milhões tiveram a mesma idéia do Paul. Tinha casa pra vender como nunca.

Paul foi agüentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das 3 casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender, mais as prestações dos carros, as das cuecas, dos notebooks, da tv de plasma e do cartão de crédito.

Aí as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que neste momento Paul achava que já teria revendido as 3 casas mas, ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito menor que o Paul havia pago. Paul se danou. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul.

Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos que não quiseram acordo. Paul entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. Paul quebrou. Ele e sua família pararam de consumir...

Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Pauls em títulos negociáveis. Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com a inadimplência dos Pauls esses títulos começaram a valer pó.

Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos.

Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel... Preço que despencou. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500.000 dólares e de repente passou a valer 300.000 dólares e mesmo pelos 300.000 não havia compradores.

Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. A inadimplência dos milhões de Pauls atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de bilhões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba. Acabou.

Com a inadimplência dos milhões de Pauls, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir. O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo porém essas ações levam meses para surtir efeitos práticos. Essas ações foram corretas e, até agora não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão.

O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas. Até que na semana passada o impensável aconteceu. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária, correntistas correndo para sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, na segunda feira última, quebrado, insolvente.

No domingo o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan por 2 dólares por ação. Há um ano elas valiam 160 dólares. Durante esta semana dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre quebra de bancos. A bola da vez seria o Lehman Brothers, um bancão. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que nos espera na próxima segunda-feira.

O que começou com o Paul hoje afeta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só o tempo dirá.

Crise no Brasil

A História de Paul é muito elucidativa. Você deve estar se perguntando: O que isso tem a ver com Brasil?

Pois, essa história toda não tem nada a ver com o Brasil, pois nossos bancos e nem nosso governo emprestou dinheiro a nenhum Paul.

Entretanto a lógica econômica mundial não é tão simplista e o que acontece nos EUA, que é o país mais rico do mundo, reflete em todos os cantos do Planeta. Fala-se em recessão e isso é ruim para nós que exportamos, principalmente commodities. Isso faz que açãos como a da Vale, Petrobrás, Siderurgicas, caiam vertiginosamente. Estas são as principais ações da Bovespa.

Se estas ações caem, e a bolsa também cai, seja por mero desespero ou por que estas empresas perderam folega de exportação, teremos no Brasil o aumento do desemprego. Fora isso, dentro do quadro expeculativo, muita gente vai fugir da bolsa e irá correr para o dólar, Foi o que fizeram ontem e antes de ontem, quando a moeda americana subiu 30 centavos.

Na vida prática, o brasileiro que acostumou-se com a vida boa do crescimento econômico dos últimos 5 anos, terá que apertar o cinto. Quem poupou pode ficar tranquilo que aqui não teremos banco fechado, mas quem consumiu, principalmente a crédito, pode vir a sofrer com isso, principalmente aqueles que financiaram casas e carros a perder de vista. Este sempre foi um péssimo negócio...

Vamos esperar a poeira baixar e ver os resultados da ajuda econômica. Espero que esta crise não venha, de fato, frear o crescimento de nosso país.

2 comentários:

Parofes disse...

É isso aí.
O evento da subida do dólar aqui no Brasil é uma questão de oferta e procura.
Os Estados Unidos estão em crise e por isso recolhem a sua moeda espalhada no mundo na intenção de aumentar os recursos internos.
Aquantidade de dólares aqui no país cai, mas a procura não e o que acontece? Alta do dólar.
Dei sorte e comprei antes da crise a R$ 1,70.
O texto ficou interessante mesmo...Bom achado!
Abraço.

George Nas Nuvens disse...

E eu me fodi pra ir ao Aconcagua, eita...