16 de agosto de 2007

Voltando ao normal

De volta ao espaço técnico científico informacional. Agora as coisas vão virando rotina, o dia a dia na universidade, os fins de semana na Serra do Mar e as noites no ginásio de escalada.... Assim é a vida de um montanhista geógrafo na metrópole das Araucárias.

Hoje tive a oportunidade de fugir um pouco e disfrutar o que este lugar tem bom, rocha.

Matei a saudade do morro do Anhangava e pude perceber que nestes quase 40 dias sem escalar me fez mal e regredi um pouco nas minhas habilidades.

Como prometi à um amigo, vou postar as fotos para mostrar como são as montanhas verdes do Paraná.

Hilton Benke, o parceiro para roubadas na Serra!

Indo de segundo numa via de 6sup

A mulherada da montanha de Curitiba

Pra finalizar, um lindo pôr do sol!

Fotos da volta

Estas são umas fotinhos interessantes da viagem de volta de La Paz a Curitiba...
Desfile de 6 de Agosto, dia da independencia da Bolívia em Oruro
Os bolivianos adoram desfiles, este foi bloco de Cholas é bem pitoresco... Vejam só a lorota desta empresa de ônibus! Atravessando um salar ao lado do Lago Poopó perto de Oruro
Cadê o painel do carro?
Tá aqui! Muitos dos carros na Bolivia são comprados usados do Japão, que tem mão inglesa. Os bolivianos simplesmente invertem o volante, deixando o painel assim!
Eu e Marcio vestido para entrar em uma mina em Potosi
Este são os "insumos" usados pelos mineiros, folha de Coca e Alcool 96%, isso mesmo, os mineiros bebem alcool Zulu!
O Cerro Rico de Potosi, já foi a maior mina de Prata do mundo no século XVI, hoje é explorada com técnicas rudimentares, sua riqueza está quase esgotada....
Estes são os que vivem do pouco que restou de riqueza do Cerro Rico.... ainda hoje Potosi vive da mineração. Os materiais mais retirados são Zinco, Cobre, Bronze, Pirita e Prata
Animais cruzando a pista!
Estrada para a Argentina
Estrada para a Argentina II, no maior estilo boliviano, ou seja, de terra, mas com pedágio!
Enfim, Argentina....

13 de agosto de 2007

De volta para casa!

Após vários dias de estrada pela Bolívia e Argentina, enfim estou em Curitiba. Chegamos na terrinha hoje as 6 da manhã depois de 16 horas de viagem de Corrientes, Argentina até aqui. Um dia longo com direito a tentativa de extorsão por parte de um policial, sem sucesso, ainda bem! O Marcio está no Rio. Para finalizar, ele fez um album de fotos no picasa que ficou muito bonito, confiram e opinem: http://picasaweb.google.co.uk/marciocarrilho/ViagemAndes2007?authkey=6xZjN1UHJuo abraço a todos...

7 de agosto de 2007

Expresso Huayna Potosi

Sair de La Paz às 15:00 de sábado, chegar ao refúgio Huayna Potosi, à 4700 metros em Zongo, Bolívia às 17:00 horas. Acordar 1:47 da madrugada, começar a caminhar às 3 horas. Chegar ao cume de uma montanha de 6088 metros às 13:00 horas no domingo e regressar onde tudo começou às 19:00 para às 21:00 horas estar em um Hotel no centro da cidade... Este é um fim de semana montanhístico boliviano!

Nunca havia escalado uma montanha andina tão rápido! Esta ascensão expressa no Huayna Potosi até me pareceu um programa de fim de semana na Serra do Mar no Paraná, ou uma escaladinha expressa na Pedra do Baú em São Paulo. De fato, isto só foi possível por que estávamos super aclimatados e por que o Huayna Potosi não era novidade tanto para mim quanto para o Marcio.


Marcio escalou esta montanha em 1999 com uma expedição de agência. Um ano mais tarde, ele esteve com seu amigo Mad denovo na Bolívia, mas não chegou ao cume do Huayna. Eu estive na montanha com o Maximo e o Fábio no verão de 2001, com neve até a cintura e sem equipamentos para pelo menos tentar o cume. Voltei para a região em 2002 e fiz o cume do Huayna Potosi na época correta, mas com condições de tempo desfavoráveis.

Desta vez, não era para tentarmos este cume, pois já estamos no limite do tempo para voltar ao Brasil. Entretanto, era impossível resistir a esta escalada tão linda. Foi por isso que decidimos fazer uma escalada expressa, sem acampamentos, fazendo o ataque ao cume da base da montanha.

Foi uma odisseia de 16 horas! Esforço até o limite do corpo. Marcio que já correu dezenas de maratonas, já pedalou do Rio até Natal, Belém e Buenos Aires, chegou a ficar sem energia no corpo e apelar ao velho e calórico chocolate para se ¨abastecer¨. Deu certo e enfim escalamos uma montanha juntos!

Escalar o Huayna Potosi não é grande coisa. Esta montanha é a mais popular da Cordilheira Real na Bolívia, tanto que ela é a única a ter refúgios. Mesmo assim, ela não é tecnicamente a mais fácil. Montanhas como o Illimani, Parinacota e até mesmo o Sajama, tem rotas normais que são meramente trekking de altitude. Diferentemente o Huayna Potosi tem dois trechos bastante inclinados, sendo que o último, que leva até o cume, tem 200 metros de altura e uma inclinação de aproximadamente 45 graus, que faz necessário o uso de piolets e corda, pois um erro pode resultar numa queda grande em direçao à uma enorme greta.

Nesta última parede, escalamos em estilo francês, ou seja, fomos encordados mas sem bater proteçoes e sem fazer reuniões, apenas escalando simultaneamente. Como eu estava com meus piolets técnicos, se o Marcio caísse, eu iria segurar sua queda. Neste tipo de escalada, o guia (eu) não pode cair!

Assim fomos e rapidamente chegamos ao afiado cume do Huayna. enfim, eu pude ter a maravilhosa vista do topo desta montanha para o resto da Cordilheira Real, privilégio que não tive quando escalei esta montanha a 5 anos atrás. Do cume, avistamos todas as outras montanhas mais o lago Titikaka, o altiplano e a cidade de El Alto.

A descida foi tranquila e sem segredos. Montei um rapel com uma estaca de neve para o Marcio descer. Depois, quando ele já estava na fim da corda, me dava uma segurança, recolhendo-a enquanto eu desescalava a parede. Fizemos isso rapidamente e enfim já estávamos na base, restando somente regressar caminhando (e quanto caminhar!) até a estrada, para pegarmos o carro e voltar para a cidade depois de nosso fim de semana boliviano.


Primeira vista do Huayna Potosi na estrada para Zongo

Nascer do sol durante a escalada

No topo do primeiro escalão, com vista para o Illimani no horizonte

Acima das nuvens

Gretas no meio caminho e vista para o Tiquimani, uma das montanhas mais difíceis da região

Escalada francesa no segundo escalão

Inclinação do segundo escalão

O pequeno e afiado cume do Huayna

Auto retrato no cume

Marcio imitando Tenzing Norgay

Fantástica vista do cume do Huayna para o norte da Cordilheira Real

O altiplano desde o cume. A cidade de El Alto está no horizonte

Rapelando desde o cume da montanha

Minha mochilinha adaptada para uso em alta montanha. Obrigado Beto Joly!

Caminhando para a base!

Estamos agora de volta à estrada. Serão alguns milhares de quilometros até o Brasil. Aguarde noticias!

obs. nao reparem os erros de acentuaçao, estou novamente em um teclado em español!

2 de agosto de 2007

Escalando o Pequeño Alpamayo

O Alpamayo é uma montanha de 5950 metros localizada na Cordilheira Blanca no Peru. Tornou-se famosa por ter sido considerada a montanha mais bonita do mundo por algum tempo. Antes de vir para a Bolívia, minha intenção era escalar esta montanha peruana com o Maximo e o Fabinho. Os planos, no entanto, não deram certo e por acaso deu certo de eu vir para cá com o Marcio.

O (pequeno) Alpamayo boliviano fica localizado na Cordilheira Real, que é a cadeia de montanha oriental deste país, erguendo-se entre o altiplano e a baixada amazônica. É uma região formada por montanhas não vulcânicas, ou seja, são montanhas dobradas, falhadas e soerguidas, muitas das quais tem altitudes superiores à 6.000 metros, como o Illimani, Ancohuna, Illampu, Huayna Potosi, Chachacomani e Chearoko.

Dentro da Cordilheira Real, o Pequeno Alpamayo fica localizado no grupo Condoriri, que são montanhas de baixa altitude (para os padrões bolivianos!) muito delas rochosas, porém circulada por geleiras, que faz que alguns cumes desta região sejam de grande dificuldade para a escalada.

Escolhemos escalar no grupo Condoriri pela facilidade de acesso e pelo conforto do acampamento base, que fica ao lado do lago Chiar Khota, num lugar muito agradável com gramado e bem protegido do vento, embora numa altitude de 4600 metros.

O acesso ao acampamento base se faz por Tuni, que é um vilarejo de índios Aymará ao lado de uma represa que abastece La Paz de água. Lá negociamos uma mula para carregar nosso equipamento e começamos nossa caminhada rumo ao lago Chiar Khota. São apenas 10 quilômetros que separa a vila do acampamento, uma distância curta para o montanhismo.

Uma vez no acampamento base, fizemos uma caminhada de reconhecimento da rota para o Pequeno Alpamayo, que não é inteiramente avistado desde a base, pois ele fica atrás do Nevado Tarija. A intenção era na verdade fazer um treino de escalada em gelo, mas as paredes de gelo estavam tão longe que não pudemos fazer nada a não ser vê-las à distância.

No dia 1 de Agosto acordei por volta das 5 horas da manhã e esquentei o resto do jantar da noite anterior. Não fazia muito frio para o padrão das montanhas bolivianas e assim pude me preparar sem maiores problemas fora da barraca. Cansado e sem dormir a alguns dias. Marcio ficou no acampamento, enquanto que eu fui a caminho da geleira do Nevado Tarija.

Em pouco tempo cheguei à base do Nevado Tarija e comecei a subir sua encosta, que em alguns pontos chega a ter uma inclinação razoável e grandes gretas, fácilmente reconhecidas. Em pouco tempo, já estava no cume desta montanha, a 5340 metros, o primeiro lugar de onde se avista o Pequeno Alpamayo por inteiro.

A visão era espetacular, a montanha é um espigão elevado extremamente escarpado por todos os lados e todo nevado. A visão que não agradava muito era a o caminho que me levava do Tarija à esta montanha. Eu teria que descer uma escarpa rochosa para chegar à um colo, subir um morrote e depois escalar uma crista afiada para chegar ao cume do Pequeno Alpamayo.

Haviam dois grupos em minha frente escalando a montanha, ambos com guias e com cordas, eu, sozinho, não tinha ninguém para me dar segurança, ou seja, cair era impensável.

Rapidamente desci a encosta do Tarija e comecei a subir a crista do Pequeno Alpamayo. Cruzei com uma das equipes que desciam a montanha bem no momento em que eu escalava a parede mais inclinada, com cerca de 55 graus de inclinação, tive que esperar alguns minutos numa situação delicada, porém nada demais.

Subir uma parede como esta requer atenção, principalmente quanto se está com apenas um piolet de travessia, é preciso fixar bem os pés no gelo e depois fixar bem o piolet e prosseguir vagarosamente. Assim, de pouco em pouco cheguei ao cume da montanha, que é um platozinho bem pequeno e afiado, de lá pude ver várias montanhas que eu já estive, como o Illimani e o Huayna, foi maravilhoso... as fotos podem contar a história melhor do que eu.

Vilarejo de Tuni e a face oeste do Huayna Potosi
Scharzbrot, o pao do Mikael, presente até nos Andes.
A geleira do Nevado Tarija
Atravessando algumas gretas no caminho do Tarija
O cume do Tarija mais de perto
O caminho de descida do Tarija em direcao ao Pequeño Alpamayo
Auto retrato no cume do Tarija com o Pequeño Alpamayo ao fundo
Vista do Pequeño Alpamayo desde o colo, conseguem ver gente na rota de escalada?
O trecho mais inclinado da Crista do Pequeño Alpamayo
Minhas coisa no cume afiado da montanha
Auto retrato no cume do Pequeño Alpamayo com montanhas do grupo Condoriri ao fundo

La Paz cidade louca!

Secao comércio de La Paz
Loja de eletronicos de La Paz
Venda de ovos, com vendedora dormindo
Padaria de La Paz
Supermercado de La Paz
Açougue de La Paz
Produtos diretos do campo e vendedora dormindo de novo! Marcio e as vendedoras de coca de La Paz Secao arquitetura: Igreja San Francisco, catedral de La Paz Mercado de carne de La Paz Ponte das Américas em La Paz, centro moderno Secao visual de La Paz Transito de La Paz Centro velho de La Paz, Rua Illampu
O centro "ocidental" de La Paz, a avenida do Prado
Eu e o Illimani
Vista panorâmica mais conhecida de La Paz, com o Cerro Illimani no horizonte. Desculpem os erros de acentuacao: estou num computador em español!