A ideia de realizar esta viagem de carro foi a de estar livre para irmos em montanhas que sao dificeis de se chegar com transporte normal e poder ir de uma montanha em outra por nossa própria conta.
Ir para o Cajon del Maipo no Chile parecia ser ideal, pois la existem varias montanhas proximas e acessiveis por estradas mas que nao seria nada facil chegar se fossemos de onibus. Outro criterio de escolha foi o fato das montanhas do Cajon serem escaladas tecnicas em gelo que nao necessitam mais que um dia de escalada, ou seja, em poucos dias poderiamos escalar varias montanhas bonitas, tecnicas e baixas e também nao teriamos problemas com a altitude.
O primeiro lugar que escolhemos para ir foi Baños Morales, um pequeníssimo vilarejo no fundo do Vale.
Para Chegar lá foi uma grande odisséia. Sair de Santiago foi dificilimo, pois a cidade nao tem sinalizacao. Há Placas com o nome das ruas, mas nao há placas dizendo onde elas vao, ou seja, perdemos horas nas ruas de Santiago procurando uma avenida para sair da cidade.
Toda esta odisséia piorou com o fato de o povo chileno ser muito pouco amistoso. Nao que isto seja um preconceito, mas o chileno eh muito fechado e nao sabe dar informacao, aliás, parece que nao gosta muito de estrajeiros que, como nós, nao querem pagar pelas informacoes que eles teimam em vender e nao dar.
Estivemos no Club andino Alemao de Santiago, perguntando sobre as condicoes das montanhas e coisas do tipo.... Eles nao estavam nem aí conosco, e fomos ao Cajon del Maipo sem saber de nada do que iriamos escalar ou encontrar pelas montanhas.
Assim chegamos em Baños Morales... Olhando as montanhas do vale, vimos o Cerro Morado e decidimos que ele seria a nossa primeira montanha a ser escalada no Chile.
O Morado eh uma montanha de dois cumes envolta por glaciares. Há Dois acessos à ela, um eh por Baños Morales e outra mais acima por uma lagoa chamada Morado, fomos por esta ultima pois pela informacao que tivemos, lah tinha mais gelo.
O trekking de aproximacao na montanha era bem curto, o fizemos em apenas 3 horas. O local era muito bonito, uma lagoa de borda de glaciar com uma cascata de gelo imensa pendurada numa parede de uns 300 metros de altura, este eh o glaciar colgante del Morado.
No primeiro dia apenas descansamos e deixamos a escalada para o dia seguinte, quando fomos ao colgante del Morado.
Este glaciar tem todas as caracteristicas de uma cascata de gelo, como a do Khumbu no Nepal. Muitos seraks e gretas grandes, tudo isso em movimento, impercetivel à nós que estavamos lah a pouco tempo.
Dormimos bastante e só chegamos na base da geleira por volta das 11 da manha. Chegando lah procuramos uma boa torre de gelo para praticar a escalada em gelo. Encontrada nossa parede de gelo, Maximo subiu por um caminho facil e no topo montou uma ancoragem para escalarmos um pouco em Top Rope.
Enquanto esperava o Maximo montar a ancoragem no topo da parede de gelo, um estrondo parecido com um trovao se rompeu no topo da geleira e quando olhei ao alto para ver o que havia acontecido, uma imagem que nunca imaginei que iria ver na minha vida, ou que pelo menos apenas imaginei que seriam as ultimas de minha vida aconteceu: Uma grande massa de neve e pedacos de gelo caiam exatamente na direcao em que eu estava. Nao dava para acreditar, mas eu estava exatamente na rota de uma avalanche!
Olhei para o alto e vi aquela massa branca se aproximando em velocidade, pensei comigo que nao poderia estar vindo à mim. Varias vezes eu jah havia visto uma avalanche, mas elas nunca caiam onde eu estava. Antes de meu cerebro processar esta realidade, minhas pernas jah tinham respondido ao impulso de sobrevivencia e eu sair correndo ateh embaixo de uma torre de gelo, onde nenhum pedaco de gelo caiu e assim saí sem nenhum arranhao, apenas com o coracao na garganta e pernas bambas.
No topo da torre de gelo, Maximo berrava meu nome, achando que talvez eu tivesse sido engolido pela avalanche. Demorei a contesta-lo, pois naquele momento mal conseguia falar. Entretanto, quando recuperei a fala ele se acalmou.
Mesmo depois de um evento que poderia ter acabado conosco, nao havia porque nos preocuparmos, pois estatisticamente nao ocorrem muitas avalanches num mesmo dia, assim que decidimos continuar escalando. Entretanto o tempo fechou e logo tivemos que voltar para a barraca.
A imagem da avalanche ficava martelando minha cabeca. Esta foi, sem duvida, uma experiencia desagradavel.
Dia seguine acordamos antes do sol nascer e voltamos cedo para a geleira. Comecamos a escalar e logo pegamos altura.
Entretanto a caracteristica da cascata de gelo era a maior dificuldade. Uma cascata nao eh como um glaciar de vertente que, mesmo com alguns bergschrund permanece sempre rente e com uma inclinacao perpendicular a inclinacao da montanha. Na cascata de gelo ha esses seraks, que sao blocos gigantes de gelo todos difusos. Há lugares com gelo em negativo, há gretas super profundas, pontes de gelo e coisas instaveis.
Logo no comeco, fomos afunilando a escalada e chegamos em uma torre com passagens em negativo que nao foram nada faceis de serem guiadas. Azar do Maximo.
Subimos uns 180 metros, ateh chegar em outra parede de gelo com trecho negativo. Lá o gelo era de tao pouca qualidade que a piqueta nao se segurava e era impossivel bater um parafuso.
Eu jah estava com medo, pois fazia calor e por onde eu olhava haviam rios de agua se formando, ou seja o gelo estava derretendo e isso poderia significar avalanches, como a do dia anterior.
Depois de avaliar ser muito dificil continuar, comecamos a decida.
Por sorte logo no comeco encontramos um grande bloco de gelo, que lacamos com a corda e pudemos fazer um rapel, chegando ateh uma plataforma.
Foi muito seguro e tranquilo o primeiro rapel. Chegando na plataforma, desescalamos uma superficie pouco inclinada e entramos em uma gretinha com gelo verglas muito duro, onde fizemos um abalakov para descer.
Para quem nao sabe, abalakov consiste em furar o gelo duro e passar por ele um cordim ou fita de escalada, onde passamos a corda para fazer o rapel. Apesar de parecer pouco seguro, este tipo de ancoragem, se bem feito suporta o peso de um caminhao.
Rapelamos pelo abalakov sem problemas, acabei abandonado um cordim que eu achei na lapinha, e novamente paramos em outra plataforma, onde fizemos um outro rapel e enfim chegamos na base. Naquele dia discutimos sobre a questao das geleiras e do aquecimento global. Recentemente escrevemos um artigo no site sobre isso. Concluimos estavamos num lugar errado numa epoca errada. Numa latitude tao baixa era obvio que o gelo estaria derretido num fim de verao.
Nem fomos para outras montanhas no Cajon del Maipo, era muito previsivel que todas estariam na mesma condicao, gelo ruim e rochas expostas.... Fiquei com muita raiva por nao ter tido esta informacao antes!!
Devido a estes fatos, deixamos o Chile e viemos a procura de gelo no sul. Agora estamos em Bariloche, onde o frio eh uma realidade.
Descemos em um dia do Cajon del Maipo ateh Talca, pela ruta 5, uma autopista chilena muito movimentada e com pedagios carissimos. Em Talca pelgamos uma estrada para o interior, que logo perdia o pavimento e se transformou numa estradinha de terra horrorosa, com muitas costelas de vaca e perigosíssima, cheio de precipios, mas belíssima. Esta era a estrada internacional.
Novamente passamos a noite numa fronteira, dormindo ao lado de um lago maravilhoso, o lago Maule, onde muitos chilenos pescavam trutas e outras delicias de aguas frias.
Cruzamos a fronteira, descemos a cordilheira e novamente estavamos no deserto do oeste argentino. Quase ficamos sem gasolina no caminho fomos salvos pela gasolina do fogareiro e fizemos 42 Km com um litro, indo abastecer somente em Malague. Claro que fomos ajudados com varias descidas e muita banguela!
Mais um dia de estrada foi necessario para Cruzar o sul de Mendoza e a toda a provincia de Neuquen. Passamos por lugares lindissimos no caminho a cada parada para tirar fotos percebiamos uma ligeira mudanca na temperatura, ateh que enfim demos conta que fazia frio demais e o vento estava filho da puta demais... percebemos que a paisagem mudara e por fim estavamos na Patagonia.
Agora em Bariloche o tempo está patagonico. Temperatura de 10 graus, umidade de 45% e ventos de 45 km/h.
Se queriamos frio, conseguimos, agora espero o principal. Pegar bom gelo no Tronador.
Esta sera infelizmente nossa ultima montanha na viagem. Pretendiamos escalar como nunca nesta nossa expedicao, entretanto os problemas burocraticos e o calor estragaram os planos.
Quero somente escalar em gelo no Tronador. Nao me importo muito em fazer cume aqui, pois eu jah escalei esta montanha em 2003.
Entretanto estou um tanto decepcionado, pois ateh agora eu soh fiz cume do feio e seco vulcao San Francisco em Catamarca, e o Tronador eh uma montaha de tres cumes e eu so subi um. Assim que somente lah em cima vou saber o que vou fazer.
Vou esperar para ver o que o tempo tem a me dizer.
ps. novamente desculpem-me pelos erros de pontuaco e etc... estou num teclado diferente do brasileiro.

























