27 de fevereiro de 2006

Cajon del Maipo

A ideia de realizar esta viagem de carro foi a de estar livre para irmos em montanhas que sao dificeis de se chegar com transporte normal e poder ir de uma montanha em outra por nossa própria conta.

Ir para o Cajon del Maipo no Chile parecia ser ideal, pois la existem varias montanhas proximas e acessiveis por estradas mas que nao seria nada facil chegar se fossemos de onibus. Outro criterio de escolha foi o fato das montanhas do Cajon serem escaladas tecnicas em gelo que nao necessitam mais que um dia de escalada, ou seja, em poucos dias poderiamos escalar varias montanhas bonitas, tecnicas e baixas e também nao teriamos problemas com a altitude.

O primeiro lugar que escolhemos para ir foi Baños Morales, um pequeníssimo vilarejo no fundo do Vale.

Para Chegar lá foi uma grande odisséia. Sair de Santiago foi dificilimo, pois a cidade nao tem sinalizacao. Há Placas com o nome das ruas, mas nao há placas dizendo onde elas vao, ou seja, perdemos horas nas ruas de Santiago procurando uma avenida para sair da cidade.

Toda esta odisséia piorou com o fato de o povo chileno ser muito pouco amistoso. Nao que isto seja um preconceito, mas o chileno eh muito fechado e nao sabe dar informacao, aliás, parece que nao gosta muito de estrajeiros que, como nós, nao querem pagar pelas informacoes que eles teimam em vender e nao dar.

Estivemos no Club andino Alemao de Santiago, perguntando sobre as condicoes das montanhas e coisas do tipo.... Eles nao estavam nem aí conosco, e fomos ao Cajon del Maipo sem saber de nada do que iriamos escalar ou encontrar pelas montanhas.

Assim chegamos em Baños Morales... Olhando as montanhas do vale, vimos o Cerro Morado e decidimos que ele seria a nossa primeira montanha a ser escalada no Chile.

O Morado eh uma montanha de dois cumes envolta por glaciares. Há Dois acessos à ela, um eh por Baños Morales e outra mais acima por uma lagoa chamada Morado, fomos por esta ultima pois pela informacao que tivemos, lah tinha mais gelo.

O trekking de aproximacao na montanha era bem curto, o fizemos em apenas 3 horas. O local era muito bonito, uma lagoa de borda de glaciar com uma cascata de gelo imensa pendurada numa parede de uns 300 metros de altura, este eh o glaciar colgante del Morado.

No primeiro dia apenas descansamos e deixamos a escalada para o dia seguinte, quando fomos ao colgante del Morado.

Este glaciar tem todas as caracteristicas de uma cascata de gelo, como a do Khumbu no Nepal. Muitos seraks e gretas grandes, tudo isso em movimento, impercetivel à nós que estavamos lah a pouco tempo.

Dormimos bastante e só chegamos na base da geleira por volta das 11 da manha. Chegando lah procuramos uma boa torre de gelo para praticar a escalada em gelo. Encontrada nossa parede de gelo, Maximo subiu por um caminho facil e no topo montou uma ancoragem para escalarmos um pouco em Top Rope.

Enquanto esperava o Maximo montar a ancoragem no topo da parede de gelo, um estrondo parecido com um trovao se rompeu no topo da geleira e quando olhei ao alto para ver o que havia acontecido, uma imagem que nunca imaginei que iria ver na minha vida, ou que pelo menos apenas imaginei que seriam as ultimas de minha vida aconteceu: Uma grande massa de neve e pedacos de gelo caiam exatamente na direcao em que eu estava. Nao dava para acreditar, mas eu estava exatamente na rota de uma avalanche!

Olhei para o alto e vi aquela massa branca se aproximando em velocidade, pensei comigo que nao poderia estar vindo à mim. Varias vezes eu jah havia visto uma avalanche, mas elas nunca caiam onde eu estava. Antes de meu cerebro processar esta realidade, minhas pernas jah tinham respondido ao impulso de sobrevivencia e eu sair correndo ateh embaixo de uma torre de gelo, onde nenhum pedaco de gelo caiu e assim saí sem nenhum arranhao, apenas com o coracao na garganta e pernas bambas.

No topo da torre de gelo, Maximo berrava meu nome, achando que talvez eu tivesse sido engolido pela avalanche. Demorei a contesta-lo, pois naquele momento mal conseguia falar. Entretanto, quando recuperei a fala ele se acalmou.

Mesmo depois de um evento que poderia ter acabado conosco, nao havia porque nos preocuparmos, pois estatisticamente nao ocorrem muitas avalanches num mesmo dia, assim que decidimos continuar escalando. Entretanto o tempo fechou e logo tivemos que voltar para a barraca.

A imagem da avalanche ficava martelando minha cabeca. Esta foi, sem duvida, uma experiencia desagradavel.

Dia seguine acordamos antes do sol nascer e voltamos cedo para a geleira. Comecamos a escalar e logo pegamos altura.

Entretanto a caracteristica da cascata de gelo era a maior dificuldade. Uma cascata nao eh como um glaciar de vertente que, mesmo com alguns bergschrund permanece sempre rente e com uma inclinacao perpendicular a inclinacao da montanha. Na cascata de gelo ha esses seraks, que sao blocos gigantes de gelo todos difusos. Há lugares com gelo em negativo, há gretas super profundas, pontes de gelo e coisas instaveis.

Logo no comeco, fomos afunilando a escalada e chegamos em uma torre com passagens em negativo que nao foram nada faceis de serem guiadas. Azar do Maximo.

Subimos uns 180 metros, ateh chegar em outra parede de gelo com trecho negativo. Lá o gelo era de tao pouca qualidade que a piqueta nao se segurava e era impossivel bater um parafuso.

Eu jah estava com medo, pois fazia calor e por onde eu olhava haviam rios de agua se formando, ou seja o gelo estava derretendo e isso poderia significar avalanches, como a do dia anterior.

Depois de avaliar ser muito dificil continuar, comecamos a decida.

Por sorte logo no comeco encontramos um grande bloco de gelo, que lacamos com a corda e pudemos fazer um rapel, chegando ateh uma plataforma.

Foi muito seguro e tranquilo o primeiro rapel. Chegando na plataforma, desescalamos uma superficie pouco inclinada e entramos em uma gretinha com gelo verglas muito duro, onde fizemos um abalakov para descer.

Para quem nao sabe, abalakov consiste em furar o gelo duro e passar por ele um cordim ou fita de escalada, onde passamos a corda para fazer o rapel. Apesar de parecer pouco seguro, este tipo de ancoragem, se bem feito suporta o peso de um caminhao.

Rapelamos pelo abalakov sem problemas, acabei abandonado um cordim que eu achei na lapinha, e novamente paramos em outra plataforma, onde fizemos um outro rapel e enfim chegamos na base. Naquele dia discutimos sobre a questao das geleiras e do aquecimento global. Recentemente escrevemos um artigo no site sobre isso. Concluimos estavamos num lugar errado numa epoca errada. Numa latitude tao baixa era obvio que o gelo estaria derretido num fim de verao.

Nem fomos para outras montanhas no Cajon del Maipo, era muito previsivel que todas estariam na mesma condicao, gelo ruim e rochas expostas.... Fiquei com muita raiva por nao ter tido esta informacao antes!!

Devido a estes fatos, deixamos o Chile e viemos a procura de gelo no sul. Agora estamos em Bariloche, onde o frio eh uma realidade.

Descemos em um dia do Cajon del Maipo ateh Talca, pela ruta 5, uma autopista chilena muito movimentada e com pedagios carissimos. Em Talca pelgamos uma estrada para o interior, que logo perdia o pavimento e se transformou numa estradinha de terra horrorosa, com muitas costelas de vaca e perigosíssima, cheio de precipios, mas belíssima. Esta era a estrada internacional.

Novamente passamos a noite numa fronteira, dormindo ao lado de um lago maravilhoso, o lago Maule, onde muitos chilenos pescavam trutas e outras delicias de aguas frias.

Cruzamos a fronteira, descemos a cordilheira e novamente estavamos no deserto do oeste argentino. Quase ficamos sem gasolina no caminho fomos salvos pela gasolina do fogareiro e fizemos 42 Km com um litro, indo abastecer somente em Malague. Claro que fomos ajudados com varias descidas e muita banguela!

Mais um dia de estrada foi necessario para Cruzar o sul de Mendoza e a toda a provincia de Neuquen. Passamos por lugares lindissimos no caminho a cada parada para tirar fotos percebiamos uma ligeira mudanca na temperatura, ateh que enfim demos conta que fazia frio demais e o vento estava filho da puta demais... percebemos que a paisagem mudara e por fim estavamos na Patagonia.

Agora em Bariloche o tempo está patagonico. Temperatura de 10 graus, umidade de 45% e ventos de 45 km/h.
Se queriamos frio, conseguimos, agora espero o principal. Pegar bom gelo no Tronador.

Esta sera infelizmente nossa ultima montanha na viagem. Pretendiamos escalar como nunca nesta nossa expedicao, entretanto os problemas burocraticos e o calor estragaram os planos.

Quero somente escalar em gelo no Tronador. Nao me importo muito em fazer cume aqui, pois eu jah escalei esta montanha em 2003.

Entretanto estou um tanto decepcionado, pois ateh agora eu soh fiz cume do feio e seco vulcao San Francisco em Catamarca, e o Tronador eh uma montaha de tres cumes e eu so subi um. Assim que somente lah em cima vou saber o que vou fazer.
Vou esperar para ver o que o tempo tem a me dizer.


ps. novamente desculpem-me pelos erros de pontuaco e etc... estou num teclado diferente do brasileiro.

Coletania de fotos

Rio Limay perto de Bariloche
Paraiso da escalada proximo a Bariloche
Torre de rocha perto de Bariloche
Por do sol na estrada na provincia de Neuquen... Bemvindos à Patagonia
Duna de areia invadindo a estrada no sul de Mendoza
Rio Encaixado em meio a rochas vulcanicas no sul de Mendoza
Detritos vulcanicos de centenas de quilometros de extensao no sul de Mendoza
Vegetacao tipica do oeste argentino, sul de Mendoza
Uma falha transcorrente no norte de Neuquén na Patagonia Argentina.
Condicoes do carro apos quilometros de estradas de terra.
Montanhas na fronteira da Argentina com o Chile, Paso Pehunche.
Linhas de deposicao de Morenas no acampamento base do Cerro Morado
A escalada no glaciar Morado
Maximo lancando a corda glaciar abaixo para fazer o rapel de
Eu fazendo o rapel de descida do glaciar ancorado num bloco de gelo
O vale onde fica o Cerro Morado no Cajons del Maipo
Visao do Glaciar Morado de mais longe, ele deve ter uns 300 mts de altura.
Maximo olhando para o Glaciar Morado, o qual escalamos.
Maximo e eu na base do Glaciar Colgante del Morado no Cajon del Maipo, Chile
Vista do Vulcao Incahuasi desde as termas

17 de fevereiro de 2006

Vamos ao Chile!

Hoje estivemos pesquisando nossa proxima escalada.

Estava nos planos a escalada do Cerro Mercedario, de 6770 mts de altitude.

Entretanto, as dificuldades que este tipo de montanha representa, como por exemplo, a aproximacao longa, a necessidade de um planejamento logistico, a necessidade de se contratar um servico 4x4 para se chegar lah, as molestias com a altitude, uma vez que esta eh uma das mais altas montanhas da América.

Tudo isso nos fez repensar e ficamos com uma grande lombeira (fala do Bruno) de ter que passar por tudo isso denovo.

Assim abandonamos este projeto de realizar uma expedicao ao mercedario para realizar escalas no Cajón del Maipu, nas proximidades da cidade de Santiago do Chile.

O Cajon del Maipu eh um grane vale rodeado por montanhas, sendo que a mais alta dela eh o Cerro Marmolejo, a montanha de 6 mil metros mais ao sul da cordilheira dos Andes.

Entretanto o Marmolejo nao eh uma das que figuram em nossa lista, pois suas caracteristicas se assemelham ao do Mercedario, e por isso nao queremos subi-lo.

Pretendemos ir para a regiao de Baños Morales, embalse del Yeso e talvez Farellones, onde se concentram algumas montanhas de 4 e 5 mil metros de trechos tecnicos com gelo, ou seja, vamos chegar e ir direto ao assunto.

Sao todas montanhas tecnicas mas nao dificeis. Podemos escalar um cume por dia, dependendo de nosso fisico e vontade.

Uma das montanhas que esta na lista eh o Cerro Bello e Cuerno Blanco, na regiao de Baños Morales. Mas há outras....

Daqui da Argentina nao ha muitas informacoes sobre o Cajon del Maipu, de forma que vamos ateh lah para saber com exatidao quais sao as montanhas que vamos escalar e quanto tempo ficaremos incomunicaveis.

Assim, eh provavel que eu fique um bom tempo sem escrever neste blog. O motivo vc´s jah sabem...

Entao um grande abrazo e ateh mais noticias

Rumo ao Sul

Depois de deixar a montanha no paso de San Francisco, voltamos ao piemonte andino e pegamos a estrada em direcao ao sul para chegar na cidade de Chilecito em La Rioja.

No caminho nos deparamos com as consequencia da tempestade que tivemos na parte alta dos Andes.

Anteriormente tentei descrever a paisagem da regiao noroeste da argentina, citando todas as dificuldades ambientais que o escasso povo daqui sofre... Acho que esqueci de dizer um detalhe.

Apesar do noroeste argentino estar situado na diagoal arréica da América do Sul, numa das tres regioes aridas e semi-aridas do continente, aqui a escassez de agua eh rompida uma vez ao ano quando a neve dos cumes andinos eh derretida no verao.

Como as montanhas da Puna sao deserticas e nao possuem uma vegetacao que segure as vertentes. As aguas do degelo escorrem superficialmente com muita energia, carregando todo tipo de material existente, inclusive de tamanho de matacoes, diga-se, do tamanho de Corsa como o meu.

Esta agua e seu material transportado desce com violencia pelos vales e vai ganhando muita forca ao ponto de se tornaresm grandes trobas de água e lama, formando grandes fluxos de lama pelos vales encaixados da cordilheira.

Ao chegar no piemonte, este fluxo de lama perde energia e deposita os materiais mais grosseiros primeiro e depois, quando perde energia, depositar areia e argila. Este caminho da água atinge dezenas de centenas de quilometros e eh tao periodico que nao chegar a definir um canal fluvial, de forma que estes rios lamacentos tem uma caracteristica difusa, podendo ocorrer em qualquer local, dependendo da forca que possue em cada ano.

Desta maneira, por toda regiao aos pes das montanhas andinas eh muito dificil manter uma habitacao permanente e atividades economicas sem antes fazer grandes obras para controlar a forca destrutiva destes fluxos de lama... A Engenharia desta regiao deve sempre pensar que uma hora ou outra havera um fluxo de lama para destruir tudo pela frente.

Encontramos em nosso caminho para o sul, mostras de como eh a vida por esta regiao desolada. As estradas que cortam o noroeste argentino indo perpendicular a cordilheira sao todas à prova de fluxos de lama. Elas sao construidas em aterros e dependendo da ocorrencia dos fluxos elas tem depressoes periódicas, chamadas de badenes constuidas para dar passagem aos fluxos sem destruir a estrada.

O problema eh que na epoca do degelo, estas estradas ficam cortadas ao trafego e dao mostra de que esta nao eh uma regiao muito dinamica para a producao de qualquer coisa que seja, e isso, aliado com o clima arido e a deficiencia hidrica eh um grande impecilio para o desenvolvimento.

Por onde quer que estejamos, sempre que passamos por uma cidade ou um povoado, sempre a aparencia que temos eh de que o local esta morto. Nao vemos ninguem nas ruas, nao vemos nenhum sinal de atividades economicas, tudo eh muito pobre e sem esperanca, parece que todos os dias nestas cidades sao domingo ou feriado.

Quando estivemos em Tinogasta, pegamos uma estrada para chegar em Chilecito, mas o fluxo estava cortado pois em um badene havia tanta lama e agua que poderiamos ser arrastados pela forca do fluxo. Fizemos um desvio de uns 150 km e depois de varias horas chegamos em Chilecito.

A cidade de Chilecito eh prospera no noroeste da Argentina pois fica em um vale entre duas cordilheiras, a serra de Famatina e a serra de Velasca. uma com cumes de mais de 6 mil metros e outra com pelo menos uns 4500 mts.... ou seja, pelo vale de Chilecito, se drenado, tem-se a agua para o desenvovolvimento.

A regiao eh muito seca, e com a agua drenada no vale cria-se em Chilecito um clima artifial imitando o clima mediterraneo e lah e produz muita uva e vinhos e muita Oliva e azeite, por isso Chilecito eh um Oasis no meio do deserto.

Assim mesmo Chilecito nao deixa de ser morta, apesar de turistica, a cidade ainda mantem aquele velho habito argentino de se realizar a siesta, ou seja de para com tudo depois do almoco. Chegamos na cidade às 15:00 de uma terca feira e encontramos uma cidade tao morta que nem parecia o dia que era, mas sim um domingo. Nao havia nem sequer um cachorro na rua para pedir informacao, parecia uma madrugada em plena tarde.

Fiquei com tanta raiva deste costume folgado que adicionei a siesta como um dos motivos para o subdesenvolvimento da regiao, alias quem quer investir numa regiao em que todo mundo so trabalha de manha. Ainda bem que nao existe siesta no Brasil, nao há nem se quer uma palavra para isto em portugues, o que mais se aproxima eh folga, isso sim...

Bom, voltando ao relato, acabamos por encontrar um camping na periferia da cidade. e Dormimos lah por apenas 3 pesos. De noite apareceu dois viajantes franceses que vinham do sul de bicicleta e se juntou a nos dois e mais um canadense que também, viajava de bike. Conversamos ateh altas horas e depois fomos dormir.

No dia seguinte acordamos cedo e nem tivemos tempo de despedir dos amigos e logo estavamos na estrada novamente, com o Maximo se lembrando sempre de sua odisseia por aquela regiao 5 anos atras.

Atravessamos La Rioja e logo adentramos San Juan, indo parar no Parque nacional de Ischigualasto, que na linguagem indigena significa terra sem vida, um bom nome para o lugar.

Em Ischigualasto aflora-se à superficie formacoes geologicos das tres eras, o paleozoico, mesozoico e cenozoico. Lah ha fosseis de varias idades e eh uma referencia mundial para a paleontologia, tendo sido encontrados os dinossauros mais antigos do mundo, datados do Triassico.

O parque nacional eh tb chamado de vale da lua para atrair os turistas, que vem do mundo inteiro para ver os dinos, entretanto a regiao para mim tem grande interesse geomorfologico, pois durante a historia geofisica do local, passou por diversos clima e ambientes e podemos ver aflorados lateritas quando na regiao imperou um ambiente do tipo do cerrado que inclusive foi responsavel por mantem a vida dos grandes dinos que ali habitaram.

De volta a estrada, passamos pela regiao frutifera mais importante talvez da ameria do sul, de onde vem as azeitonas que consumimos no brasil, e tambem os pessegos, vinhos e outras frutas.... passamos a noite num posto de gasolina e chegamos ontem a Mendoza, que desde de 2000 tem sido uma referencia em nossas viagens.

Estamos descansando um pouco e nos preparando para escalar nossa proxima montanha. Entretanto ainda nao sabemos o que vamos fazer.

Uma das opcoes seria escalar o Cerro Mercedario, que com 6770 mts eh uma das mais altas dos Andes. Entretanto para chegar la teremos que pagar um 4x4 e tambem teremos que fazer uma longa aproximacao, atravessando quilometros com as mochilas nas costas e cheios de equipos, pois gostariamos de fazer a rota sul, que se assemelha muito com o glaciar polacos do Aconcagua. Acontece que fazer tudo isso eh demorado e desgastante e tudo o que eu nao quero agora eh passar por este tipo de dificuldade fisica e os abalos psicologicos que a altura e o cansaco faz.... Estamos estudando e em breve veremos o que famos fazer.

ps. novamente peco desculpas pelos erros, nao se esquecam que estamos num pais com um teclado totalmente diferente do portugues, e com pressa para nao gastar muito no cyber cafeh... abrazo a todos....

16 de fevereiro de 2006

A escalada

Depois que fizemos a aclimatacao no paso San Fracisco e descer de volta para as termas, chegou em fim a hora de subir o Incahuasi.
Escolhemos este lugar para aclimatarnos pois ali o acesso eh muito facil e podemos chegar numa altitude elevada de carro, nao precisando, como no sul fazer toda a aproximacao à pé.
Entao saimos com o carro das Termas para ir ateh a base do Vulcao Incahuasi. No caminho atravessamos uma grande planicie inundada por agua salgada, onde os flamingos comiam livremente.
Tivemos dificuldades no caminho, pois o Corsa nao eh um carro feito para antes em terrenos muito acidentados. Por vezes tivemos que parar e tirar rochas vulcanicas vitreas do caminho para que elas nao rasgassem o pneu e nem mesmo estourassem meu carter, pois o carro eh muito baixo. Mesmo no frio da altitude, andando a poucos quilometros por hora, o motor aqueceu varias vezes e tambem tivemos que parar muito devido a estes incidentes. Resultado, chegamos na base do vulcao por volta das 16:00.
Estavamos famintos, de modo que ainda tivemos que cozinhar antes de subir.
Separamos todos os equipos e fomos o mais leve possivel para o vulcao. Mas sem antes cuidar do carro, tirando a bateria para que nao houvesse nenhuma zica, como naquela manha em que a bateria havia descarregado e haivamos ficado nas termas sem ter como tirar o carro de lá. O mesmo incidente iria dar muito mais trabalhor para nós, pois desta vez estavamos a uns 10 km de Las Grutas em uma estradinha precaríssma, o que talvez significasse uma negativa de socorro.
Comecamos a subir tarde. Pelo menos o sol nao nos castigou. Atravessamos uma pampa de sedimentos vulcanicos e em breve chegamos numa crista negra de materiais magamaticos, por onde subimos.
Quando as nuvens deram uma trégua, pude observar pela lado sul da montanha um caminho mais simples entre as encostas do Incahuasi e um colo que se formava em em cone vulcanico secundario, onde se acumulava bastante neve que naquele lugar nos possibilita conseguir agua.
Apesar disto fomos pelo norte nesta crista negra e seca.
Quando eram por volta das 19:00 horas encontramos um lugar mais ou menos plano onde estabelecemos um acampamento 1, a 4800 mts de altitude.
Dormimos muito bem neste local e no dia seguinte desmontamos tudo e prosseguimos para o alto mais leves, pois haviamos consumido toda a agua que levavamos, o que nos obrigava desta vez a acampar perto de neve.
Subimos e penamos pela crista vulcanica. Varias vezes as rochas soltas nos faziam voltar e perder o equilibrio, transformando tudo num pesadelo. A pior parte foi uma treavessia sobre uma vertente inclinada e coalhada de cascalhos brancos, provavelmente gesso vulcanico que se comportava como bolinhas de gude.
Depois de muito esforco e paciencia conseguimos superar esta dificuldade e chegamos em uma outra crista rochosa e escarpada onde montamos um acampamente 2 a quase 5700 metros de altitude.
Desta vez, antes de descansar, tive que passar por uma longa secao de derretimento de gelo para se obter o tao precioso liquido da vida. Nos hidratamos muito para que a aclitacao ficasse tudo ok e fomos dormir no meio do frio negatico da montanha.
Acordei por volta das 7 da manha e me deparei com um dia perfeito, sem nuvens e vento e logo me preparei parapoder subir.
Demoramos um tanto na preparacao, pois o Maximo sentiu muitas dores de cabeca durante a noite. Jah havia cogitado a hipotese de esperar mais um dia, mas rapidamente Maximo se recuperou e pudemos por nos em marcha para o ataque ao cume.
Como disse, acabamos saindo tarde, por volta das 10 da manha, mas em um lugar que anoitece as 10 da noite este nao era nenhum problema. Subimos uma outra crista negra de material magmatico e em breve chegamos em um glacial. O gelo no inicio era de boa qualidade, mas em quase todo o caminho ele se mostrou oco, ou seja pisavamos nele e abaixo da superficie havia uma camada de ar que fazia que afundavamos ateh o calcanhar e nos fazia cansar.
Tivemos que procurar um caminho para ascender sem se cansar tanta e por isso ficamos zigzagando por perto das rochas procurando estes lugares que nao afundavam.
Apos andar assim por duas horas, chegamos em um lugar mais rochoso e escarpado e quando conseguimos vencer estes obstaculos e pareciamos que iriamos galgar no cume, chegamos numa plataforma gigante de onde o cume verdadeiro se elevava mais uns 200 metros pelo menos.
Foi um desanimo chegar la e ver o cume tao longe, nao somente verticalmente mas tambem horizontal, pois teriamos que atravessar esta enorme plataforma cheia de neve fofa e subir uma vertente longa e pouco inclinada para se chegar ao cume.
Pensamos um pouco, e fomos em direcao ao cume. Haviamos chegado la em somente 3 horas e faltava pouco para chegar ao ponto mais alto da montanha, de forma que nao haviamos que nos preocupar com o cansaco.
Atravessarmos cuidadosamente a grande plataforma nevado, desviando ora e outra da neve fofa e traidora que nos fazia afundar ateh o joelho. Chegamos ateh a a pendente que nos levava ao cume, quando de repente os ventos comecaram a soprar mais forte e se formou um grande nuvem negra no cume e no horizonte que ameacou a acabar com tudo. Ainda resistimos um pouco, mas o mal tempo era mais forte.
O cansasso bateu forte em mim e resolvi dar meia volta e descer. Quando isso aconteceu o altimetro do gps marcava 6522 metros, ou seja menos de 100 mts do cume que poderiamos em condicoes perfeitas alcancar em menos de 40 minutos.
Desci procurando a entrada do vale glaciar por onde subimos. Entretanto o caminho que fizemos para desviar da neve fofa e os montes de detritos vulcanicos tranformaram tudo num labirinto piorado com a confusao da tempestade.
Fiquei pela primeira vez sem saber por onde ir na montanha, entao me comuniquei com o Maximo pelo radio pedindo a ele onde era o caminho certo e ele veio a mim para que descessemos juntos. O cume estava acabado para nos.
Nos confudimos todos para achar o caminho, mas depois que achamos estar no lugar certo, descemos com rapides e chegamos salvos no acampamento.
Dormimos exaustos com o dia puxado. Foi muita infelicidade ter acontecido esta trempestade. A noite foi gelada e nevo como nunda la em cima. Ao amanhecer, toda a secura da Puna do Atacama foi tomada pelo branco da neve que caiu durante a noite, trasnformando completamente a paisagem.
Desmontamos o acampamento e sem comer descemos lentamente as encostas do vulcao, sofrendo muito com aqueles cascalhos brancos que como bolinhas de gude nos botava no chao e nos castigava sem piedade. Foi um inferno aquela travessia.
Quase morto de cansasso chegamos ao carro. Montamos a bateria e ele deu a partida. Entretando quando eu acelerava ele morria. Empurramso o carro ladeira abaixo e ele andou uns 500 metros e nao morreu. Gracas a deus o carro funcionou, agora so faltava a estrada maldita para chegarmos no asfalto.
Com muito medo fui desviando das rochas pontudas e consegui vencer os 10 km mais traicoeiros que jah dirigi.
Chegamos as termas feitos fantasmas. Nos banhamos nas aguas quentes e quando jah pretendiamos passar a noite lah, alguns trovoes nos fez desistir da ideia e nos mostrou como seria a proxima noite na altitude.
Pegamos todas nossas coisas e rapidamente saimos de lah.
Deixamos las Grutas e a uma aparente tempestade de neve para tras e pegamos a estrada com a ideia de dormir em um refugio na beira da estrada em uma altitude mais baixa.
Apos rodar uns 50 km chegamos ao lugar que haviamos acampados na nossa primeira noite la. Eu havia esquecido neste local uma garrafa de refrigerante na agaua de uma lagoa para esfriar e fomos lah resgata-la.
A encontramos uns 15 metros acima da lagoa, numa barranco do rio, que nos mostrou que a tempestade na montanha resultou la embaixo de enchernte. A garrafa estaca toda suja de lama, mas o conteudo era delicioso depois de 10 dias de montanha.
Acampamos em uma antiga fazenda que havia se transformado em refugio. A casa era de barra e nao tinha portas. Dentro estava uma poera de centimetros no chao e um caos.
Fizmeos uma macarronada a alho e olho, a unica coisa que havia sobrado de comida e fomos dormir contentes. Entretanto a casa se mostrou nao ser abandonada e de noite o dono mostrou sua cara: RATOS!
Fmos violentados pelos ratos, que nos torturaram como podiam. Abandonamos o refugio e tivemos que dormir la fora, sob ameaca de chuva.
Com sorte nao choveu, mas fez um frio tao grande que tivemos que esperar o sol ficar forte para podermos descongelar o carro para sair.
Descemos o resto da montanha que havia e em breve chegamos em uma Fiambalá assolada pelo fluxo de lama que desceu da montanha resultado da tempestade que agarramos lah em cima.
Foi uma escalada estranha, nao cheguei a curtir muito, embora varias vezes eu tenha me impressionado com a beleza cenica da regiao.
Cheguei a conclusao que o Incahuasi eh uma montanha que aproxima muito o ceu do inferno. Foi isso o que aconteceu conosco.

9/02

Por sorte a agua do carro nao congelou, mas mesmo assim estou preocupado. Ficamos mais duas noites a 4700 naquele refugio. Apos Maximo ter acordado depois daquela noite terrivel, ele teve uma significante melhora. Para conter a angustia de ter que ficar esperando numa altitude tao ingrata, fui buscar agua no Chile e desci ateh a aduana que fica ao lado da Laguna Verde, um lugar muito interessante. Fiquei imaginando o Maximo lah naquele local a cinco anos atras passando por apertos… mas isso ele mesmo conta no site. No chile tudo eh muito arido e a agua da laguna verde era impropria para beber. Por isso voltei para o refugio e desci novamente a Grutas para pegar mais agua. Este pequeno passeio de ir e voltar me fez sentir melhor e os animos retornaram. Nesta noite o tempo foi impecavel, sem ventos e com ceu claro. Dormi confortavel e ainda assisti um filminho no computador para distrair. No dia seguinte acordei disposto a atacar o cume do San Francisco, mas o Maximo nao estava bem novamente. Acabei por sair sozinho por volta das 11 hs. Achava que iria ser facil escalar aquele vulcao, mas aqui as aparencias enganam. A subida pela vertente do vulcao era interminavel e logo o cansasso me abateu. Parei varias vezes para descansar e beber agua. So nao desisti por que quando olhei no altimetro do relogio percebi que faltava pouco para o fim. Cheguei no cume muito cansado, nem verifiquei que horas eram. Tirei algumas fotos, dentre elas uma em que figurava no horizonte o Monte Pissis o Bonete Chico e Bonete Grande, algumas das mais altas montanhas dos Andes. Nao lembro de nenhuma boa recordacao do cume do San Francisco. De todos os cumes que jah alcancei, este foi sem duvida o mais feio, pois com excessao destas montanhas, incluindo ai o Incahuasi, tudo o que se ve eh um deserto seco sem vida. Por fim foram 1200 mts de ascensao direta por um caminho muito longo. A descida foi penosa devido aos ventos e principalmente o cansaco. Senti que se eu estivesse melhor aclimatado tudo seria mais facil. Voltei para o refugio exausto e dormi muito mal, tendo algumas alucinacoes e acordando muito durante a noite. O dia amanheceu hoje diferente de ontem, havia muita neblina nos vales e fazia um pouco mais de frio, embora estivesse sem vento. Decidimos entao regressar a grutas e dar incio a tentativa de escalar o Incahuasi. Deixamos avisados os policiais e viemos de volta as termas para descansar. Iremos passar a noite na terma e amanha iremos ao Inca. Antes de chegarmos aqui, fui conferir o caminho ateh lah, tive pena do carro, mas ele esta ateh agora reagindo muito bem as nossas necessidades. Espero chegar ao cume do Inca sem problemas. O dia nao foi tao bonito como os anteriores e o cume dele ficou fechado o tempo todo. Vou torcer para que estas nuvens se vao rapido e que em 4 dias no maximo possamos estar la em cima. Vamos ver no que vai dar.

Dia 7/2

Ontem subimos de las Grutas, onde ficam os policiais da aduana e os funcionarios que mantem a rodovia que fica a 3900 mts e viemos ateh a fronteira que fica a 4700 mts.
Sao apenas 20km que separam estes locais. A Fronteira, chamada de paso San Francisco, fica na base de um vulcao do mesmo nome que tem cerca de 5800 e que fazia parte de nossos planos escala-lo para forcar uma aclimatacao. Chegamos aqui por volta das 13 horas e nos instalamos em um pequeno refugio que eh um abrigo para quem tem problemas na Estrada e eh usado pelos andinistas como nós. Passaram alguns carros por aqui, dentre eles tres suicos que vizitaram o refugio, tomamos mate com eles. Quando os suicos se foram, Maximo me contou que sentia uma leve dor de cabeca. Entao propus que ele subisse um pouco para forcar a aclimatacao. Em pouco tempo ele se preparou e partiu, enquanto isso fiquei no refugio cuidando das coisas e carregando a bateria do computador. Se lah embaixo o aquecimento do motor do carro era uma de minhas preocupacoes, aqui em cima passou a ser o congelamento dele. Eu ateh entao nao havia pensado nesta hipotese, mas a agua do radiador pode facilmente ser congelada e isto podera acarretar problemas nas mangueiras e no proprio radiador, como uma rachadura e vasamentos. Se isso acontecer, estamos ferrados aquí neste deserto. Maximo demorou tres horas para voltar, subiu em um local tao alto que pelo radio ele me explicava e eu nao conseguia enxerga-lo nem mesmo com a lente de 300 mm da maquina fotografica. Ele voltou exausto, a tempo que eu preparasse um macarrao que saiu uma gororoba horrorosa. Ao inves da subida ter forcado nele uma aclimatacao, resultou o contrario, ele se exauriu e passou a ter mais dor de cabeca. A noite chegou calma, com poucos ventos e um ceu aberto cheios de estrelas. Eu dentro do refugio resolvi tirar a agua do radiador, mas nao consegui sacar quase nada. A noite foi terrivel para ambos, mas pior para o Maximo que teve delirios e alucinacoes. Eu dormi muito mal tambem. Senti dores de cabeca e tive sonhos ruins que faziam minha cabeca girar como ondas do mar. me senti um pouco enjoado. Pela manha, antes do sol nascer, maximo acordou para vomitar, o que eh um mal sinal. Para a aclimatacao. Subimos muito rapido, saindo do fundo da bacia do Parana a 200 mts de altitude para os 4700 em apenas 3 dias, por isso ficamos assim.. Para piorar, meu medo de dar algum problema no carro aconteceu. Agora pela manha abri o capo do carro e a agua estava congelada no radiador.Nao sei o que faremos hoje, mas o mais prudente eh descer. Se queriamos forcar a aclimatacao jah forcamos bastante subindo e dormindo aqui. Vou esperar o maximo levantar e o carro descongelar para tomarmos uma attitude.

De San Fernando a Puna do Atacama.

A maior vantagem, desta viagem, a qual sonhei durante anos foi sem duvida contar com um carro para poder realiza-la. Eh por causa disto que posso escrever agora na integra o que anda passando. Estamos com um notebook na montanha e por isso posso escrever na hora que as coisas acontecem. Agora sao 23 hs. Estou junto com o maximo que ouve musica em seu saco de dormir dentro da barraca. Lah fora faz muito frio (tb estamos a quase 4000 mts de altitude). A noite estah Linda, com uma lua que ilumina toda a puna e as montanhas ao redor, como o Cerro San Francisco e o Vulcao Incahuasi, que pretendemos escalar. Esta eh uma das regioes mais impressionantes que jah visitei, tudo aqui eh longe, selvagem e inospito, mas acessivel, pois chegamos de carro por uma estrada asfaltada. Mesmo assim nao eh facil. Para mim que nunca havia dirigido na altitude e em Desertos, fiquei preocupado. Para comecar, quando atravessamos a Pampa lah em baixo, fazia um calor superior ao Piaui. Era insuportavel e tinhamos que deixar ligado o ar o tempo todo. Ficava sempre alerta com a temperatura do motor, que mesmo em movimento sempre ficava nos 95 graus. Mesmo com o ar ligado, o carro andou bem. Fizemos uma media de 620 km por tanque de 50 lts. Nada mal para um carro cheio. A gasolina aqui na Argentina eh muito mais barata que no Brasil. O litro esta saindo por volta de 1,75 pesos, isso pq cada real vale 1,25 pesos, ou seja, pudemos usar o ar condicionado. Ateh San Fernado soh cruzamos pampas secas recobertas pela vegetacao do Chaco que jah tentei descrever. San Fernado fica rodeado por montanhas da pre cordilheira, com baixa altitude e muito secas. Pelo vale de Catamarca, observei inumeros rios intermitentes que caracterizam bem como sao as coisas por aki. Saih da cidade rumo ao sul, a Provincia de La Rioja. La o ambiente transiciona de Chaco para um total deserto. Cruzamos alguns esporoes da pre cordilheira somente habitados por enormes cactaceas e bromelias de chao, alem de alguns arbustos lenhosos repletos de espinhos. Maximo jah esteve aki uma vez, durante sua zicada viagem solitaria pelo deserto. Ele me descreveu o local como sendo uma regiao que Deus passa somente de Helicoptero, mas depois que conheci aki, passei a acreditar que Deus nem sequer existe. Por todo o horizonte nao se avista arvores e somente os mais robustos e adaptados vegetais resistem ao calor, vento e salinidade do solo. Mesmo assim existe prosperidade. Passamos pela cidade de Aimogasta, onde observei inumeras plantacoes de Oliveira. Apesar da cidade ser pobre, existe lah uma fonte de economia, assim como a Uva e o vinho de Tinogasta, uns 100 km depois jah de volta a provincia de Catamarca Esses locais sao pitorescos, verdadeiros oasis no meio do deserto, irrigados pelas aguas que degelam das montanhas. Assim tambem eh Fiambala, o ultimo ponto civilizado antes do lugar que estou agora. De Fiambala ateh aqui sao cerca de 200 km mais ou menos. Neste caminho subimos por vales interminaveis e verdadeiros desertos com direito a tempestades de areia e tudo… Estamos muito perto do Chile, e de outras montanhas famosas, como o Ojos del Salado e o Pissis, que sao umas das mais altas montanhas de toda a America. Apos estabelecermos este acampamento, pudemos disfrutar dos confortos de se viajar de carro. Trouxemos liguicas, hamburger e outras coisas impossiveis de se trazer numa mochila e por isso comemos muito bem… Entretanto, o melhor nao foi a comida, mas sim o fato de aqui onde estamos ter uma fonte de agua termal onde pudemos descansar como se estivessemos num spa. Como esta eh a segunda noite nossa na altitude, nao pudemos subir mais do que onde estamos, isso devido aos problemas que uma mah aclimatacao pode acarretar. Mesmo assim fui bisbilhotar aki perto. Subi uma colina de rochas vulcanicas para se ter uma melhor visao da regiao e alem da vista pude ver um bando de Vicunhas que pastavam livremente. Ao horizonte pude reconhecer na baixada do Incahuasi uma playa de sedimentos vulcanicos e concentracao de agua represada que formava um lago de cor branca devido a concentracao de sal. Reconheci tambem um caminho para ascencao do vulcao e julguei que nao sera muito complicado. Amanha iremos subir um pouco para forcar a aclimatacao. Talvez nos vamos tambem ascender o Cerro San Francisco.Enquanto isso vou aproveitar o conforto do saco de dormir para tirar um cochilo De San Fernando a Puna do Atacama. A maior vantagem, desta viagem, a qual sonhei durante anos foi sem duvida contar com um carro para poder realiza-la. Eh por causa disto que posso escrever agora na integra o que anda passando. Estamos com um notebook na montanha e por isso posso escrever na hora que as coisas acontecem. Agora sao 23 hs. Estou junto com o maximo que ouve musica em seu saco de dormir dentro da barraca. Lah fora faz muito frio (tb estamos a quase 4000 mts de altitude). A noite estah Linda, com uma lua que ilumina toda a puna e as montanhas ao redor, como o Cerro San Francisco e o Vulcao Incahuasi, que pretendemos escalar. Esta eh uma das regioes mais impressionantes que jah visitei, tudo aqui eh longe, selvagem e inospito, mas acessivel, pois chegamos de carro por uma estrada asfaltada. Mesmo assim nao eh facil. Para mim que nunca havia dirigido na altitude e em Desertos, fiquei preocupado. Para comecar, quando atravessamos a Pampa lah em baixo, fazia um calor superior ao Piaui. Era insuportavel e tinhamos que deixar ligado o ar o tempo todo. Ficava sempre alerta com a temperatura do motor, que mesmo em movimento sempre ficava nos 95 graus. Mesmo com o ar ligado, o carro andou bem. Fizemos uma media de 620 km por tanque de 50 lts. Nada mal para um carro cheio. A gasolina aqui na Argentina eh muito mais barata que no Brasil. O litro esta saindo por volta de 1,75 pesos, isso pq cada real vale 1,25 pesos, ou seja, pudemos usar o ar condicionado. Ateh San Fernado soh cruzamos pampas secas recobertas pela vegetacao do Chaco que jah tentei descrever. San Fernado fica rodeado por montanhas da pre cordilheira, com baixa altitude e muito secas. Pelo vale de Catamarca, observei inumeros rios intermitentes que caracterizam bem como sao as coisas por aki. Saih da cidade rumo ao sul, a Provincia de La Rioja. La o ambiente transiciona de Chaco para um total deserto. Cruzamos alguns esporoes da pre cordilheira somente habitados por enormes cactaceas e bromelias de chao, alem de alguns arbustos lenhosos repletos de espinhos. Maximo jah esteve aki uma vez, durante sua zicada viagem solitaria pelo deserto. Ele me descreveu o local como sendo uma regiao que Deus passa somente de Helicoptero, mas depois que conheci aki, passei a acreditar que Deus nem sequer existe. Por todo o horizonte nao se avista arvores e somente os mais robustos e adaptados vegetais resistem ao calor, vento e salinidade do solo. Mesmo assim existe prosperidade. Passamos pela cidade de Aimogasta, onde observei inumeras plantacoes de Oliveira. Apesar da cidade ser pobre, existe lah uma fonte de economia, assim como a Uva e o vinho de Tinogasta, uns 100 km depois jah de volta a provincia de Catamarca Esses locais sao pitorescos, verdadeiros oasis no meio do deserto, irrigados pelas aguas que degelam das montanhas. Assim tambem eh Fiambala, o ultimo ponto civilizado antes do lugar que estou agora. De Fiambala ateh aqui sao cerca de 200 km mais ou menos. Neste caminho subimos por vales interminaveis e verdadeiros desertos com direito a tempestades de areia e tudo… Estamos muito perto do Chile, e de outras montanhas famosas, como o Ojos del Salado e o Pissis, que sao umas das mais altas montanhas de toda a America. Apos estabelecermos este acampamento, pudemos disfrutar dos confortos de se viajar de carro. Trouxemos liguicas, hamburger e outras coisas impossiveis de se trazer numa mochila e por isso comemos muito bem… Entretanto, o melhor nao foi a comida, mas sim o fato de aqui onde estamos ter uma fonte de agua termal onde pudemos descansar como se estivessemos num spa. Como esta eh a segunda noite nossa na altitude, nao pudemos subir mais do que onde estamos, isso devido aos problemas que uma mah aclimatacao pode acarretar. Mesmo assim fui bisbilhotar aki perto. Subi uma colina de rochas vulcanicas para se ter uma melhor visao da regiao e alem da vista pude ver um bando de Vicunhas que pastavam livremente. Ao horizonte pude reconhecer na baixada do Incahuasi uma playa de sedimentos vulcanicos e concentracao de agua represada que formava um lago de cor branca devido a concentracao de sal. Reconheci tambem um caminho para ascencao do vulcao e julguei que nao sera muito complicado. Amanha iremos subir um pouco para forcar a aclimatacao. Talvez nos vamos tambem ascender o Cerro San Francisco.Enquanto isso vou aproveitar o conforto do saco de dormir para tirar um cochilo.

4 de fevereiro de 2006

Jah estamos na estrada

Os tempos de angustia passaram. Acabei nao conseguindo transferir o carro da minha mae para meu nome. Nao pude acreditar na burocracia que criaram para fazer uma coisa tao simples. Para nao perder a viagem, que jah estava atrasadissima, tive que tomar uma decisao extrema, ir para Brasilia e conseguir uma autorizacao no Ministerio das relacoes exteriores para poder vir para a Argentina. Saimos no dia 28 de Itatiba e fizemo os quase 1000 Km que separam minha cidade da capital do pais em um dia apenas. Entramos com os documentos somente na segunda. Durante este tempo estivemos na casa de minhas primas, Daniela e Luciana. Também reencontramos uma amiga, a Iara, com quem passamos o fim de semana conhecendo as loucuras arquitetonicas da Capital. Terca feira saiu o documento, foi incrivel, mal podíamos acreditar depois de tantos contra tempos, pegamos a estrada neste mesmo dia. Saimos de Brasilia por volta das 15:00 e fomos em direcao de Goiania, onde fizemos uma pausa para comprar algumas comidas para a viagem. Em seguida pegamos a Transbrasiliana, a BR 153. Cruzamos todo o sul de Goiás. A estrada oscilava entre pessimo e excelente, com muitos trechos em duplicacao. Atravessamos o Rio Paranaíba de noite e chegamos em Minas Gerais, em um local que eu já conhecia das saídas de campo da faculdade. A estrada havia melhorado muito desde a ultima vez, entretanto enfrentamos uma situacao inusitada. No trevo da BR 153 com a estrada que liga Uberlandia a Ituiutaba, a estrada estava impedida e teriamos que fazer uma volta de 200 Km. Tudo por que uma pontezinha havia caido alguns quilometros na frente. Por sorte um fazendeira fez uma desvio de 800 metros que nos economizou bastante quilometros. O pedagio para o desvio era de 10 reais, mas valeu a pena. Passamos a primeira noite dormindo dentro do carro na cidade de Fronteira, na margem do Rio Grande na divisa com Sao Paulo. Dormimos muito mal, fazia muito calor e o desconforto de dormir sentado era terrivel. Ao amanhacer pegamos a estrada novamente e fomos tomar o cafeh da manha perto de Sao Jose do Rio Preto, usando nossa sofisticada cozinha. Montamos uma mesa portatil e esquentamos um cafeh numa cafeteira italiana e comemos umas torradas na chapa de ferro, muito esquema. Depois do desjejum, voltamos para a estrada rumo ao sul. Passamos por Rio Preto e fomos encher o tanque em José Bonifácio, onde botamos uma gasolinha fajuta. Passamos por Lins, Marilia e antes de chegar em Ourinhos tive o azar de nao ver uma buraco muito fundo pelo qual passei com as duas rodas da direita, destruindo-as. Fiquei com muito medo de perder meus pneus que sao bem novos. Ainda bem que viajei com dois steps e pude ir numa borracharia onde comprei duas rodas por R$ 50,00. Os pneus gracas a deus nao estragaram e estao ateh agora no carro. Depois do susto, foi a hora de sofrer mais um, desta vez no bolso. Foi somente cruzar a divisa com o Paraná que demos de cara com um pedagio de 7,90. As estradas do Paraná sao todas de pista simples, com um asfalto mais ou menos só que com pedagios carissimos e muito proximos. Foram 9 pedagios ateh Foz do Iguacu, onde chegamos somente no dia seguinte. Passamos a noite em um posto de gasolina em Medianeira, dormindo na barraca perto dos caminhoneiros. Tive medo de ser roubado, mas a policia passava por lah toda a hora e tivemos uma noite muito bem dormida. Em Foz pela manha trocamos todos nossos reais por pesos e ficamos prontos para cruzar a fronteira. Entretanto mais um contra tempo aconteceu. Fui descobrir soemente na fronteira que meu seguro do carro nao vale na Argentina e tive que comprar uma carta verde, que eh um seguro de terceiros obrigado na Argentina. Após perder algumas horas indo atrás do seguro e 240 reais para contrata-lo, pudemos finalmente cruzar a fronteira. Com o tanque somente com cheiro de gasolinha abasteci em Puerto Iguazu. Aqui na Argentina a gasolina custo muito mais barata e eh de melhor qualidade. Com 80 pesos enchi o tanque para poder viajar. Só para se ter ideia de quanto isso custa, trocamos cada real por 1,25 pesos! Durante este dia cruzei toda a provicia de Misiones. Parei apenas para conhecer as ruinas jesuiticas de San Ignacio. O calor era isuportavel, mas foi interessante. Passamos por Posadas e logo estavamos na provincia de Corrientes, onde fomos passar a noite numa praia do Rio Parana na cidade de Ita Ibaté. Foi uma noite linda. Havia pouca luz pois a lua estava minguante. As estrelas iluminavam o ceu e refletiam sobre as calmas aguas do Paraná. Abafamos o calor do verao com um bom banho de rio, com direito ateh a lavar a roupa suja. No dia seguinte continuamos nossa viagem, passando pela cidade de Corrientes e cruzando o rio Paraná indo sair em Resistencia na provicia do Chaco. Lá Pegamos a desolada Ruta 16, uma estrada sem curvas e completamente reta. Fomos para o interior da provincia. Um lugar mais quente que o inferno que parece ser atualmente uma fronteira agricola na Argentina. A prosperidade da soja, do milho, girassol etc... durou somente até a divisa com a provincia de Santiago del Estero. Lá Papai Noel passa de helicoptero, de ar condicionado ligado, é claro. O lugar é quentissimo e a vegetacao eh o Chaco, com predominancia de especies arboreas de porte baixo onde as copas se encostam mas forma-se uma especie de sub-bosque muito habitado por arbusto e um substrato herbáceo. Durante o caminho observei muitas cactaceas, algumas parecidas com a palma e o mandacaru, só que maiores. Presenciei também varias especies espinhentas e de folhas pequenas e tive a impressao de que o chaco se parede com a caatinga. No Chaco, entretanto, existem rios, mas o terreno eh mal drenado. Se fizermos uma linha de norte ao sul, teremos ao norte o rio Bermejo, formado nos Andes e ao Sul o Rio Dulce, que banha a cidade de Santiago del Estero. acho que sao uns 500 km em linha reta este interfluvio, que tem nao mais que uns 100 metros de desnivel do fundo dos vales ateh o divisor de aguas, se eh que pode-se chamar assim, pois as aguas que caem neste terreno nao vertem para nenhum lado, tamanha eh a planura. Nao eh portanto que toponimias com Pampas del Infierno aparecem por todo o Chaco. Chegamos em Santiago del Estero no fim da tarde. Lah trocamos o óleo do carro e adicionamos na gasolina um lipador de injecao, já que a gasolina de Jose Boniofacio fazia o carro engazopar toda a hora. Voltamos para a estrada no alvorada e observamos mais um dia ir embora, dirigimos ateh um lugar chamado Lavalle, onde pretendiamos dormir, entretanto passamos por esta suposta cidade sem nota-la e entramos sem querer na provicia de Catamarca. A noite estava muito escura e nao conseguiamo enchergar nada. Depois de passar por duas cidadezinhas encontrei uma estrada de terra que dava acesso a um rio seco onde acampamos. O local era muito estranho, mas tinha areia e pudemos dormir com conforto, ou quase, pois o calor era insuportavel. Mais para a madrugada fui acordado pelo Maximo. Estava chuviscando. Tiramos a barraca detrás do carro e a levamos ateh debaixo da ponte da estrada que haviamos transitado. O ligar era um deposito de entulho e porcarias, havia ateh um boi morto. Acordei cedo, todo empapado de suor, a noite foi horrivel. Saimos do rio seco e pegamos a estrada novamente. Pela primeira vez deixamos a planicie e subimos um cordao montanhoso. A estrada era um pouco ruim para quem se acostumou com o asfalto argentino, entretanto recordando as estrada de Minas estavamos muito bem. Procuramos um lugar para tomar banho, postos de gasolinha, campings e nada. Os quilometros foram passando e por fim chegamos em San Fernando del Valle de Catamarca, a capital da provincia de Catamarca. A cidade é pequena, pouco arborizada para os padroes da Argentina, parece ser bem tranquila e seca. Pel paisagem que observei ateh aqui, o Noroeste argentino parece ser muito seco, com a predominancia de muitas cactaceas. A excecao foi a Serra que cruzamos para chegar ateh aqui, onde se desenvolvia uma formacao florestal. Este eh um mundo novo para mim, ainda ando com muitas ideias sobre o que o Chaco e ele esta ficando para trás. Pretendo estudar melhor este dominio de paisagem para entender esta formacao seca e quente com invernos rigorosos. Estamos de passagem por San Fernando, verificando emails e comprando comida. O proximo plano agora é subir os andes até o Paso San Francisco, que dica 500 km daqui. Nao chegaremos lah hoje, até pq o paso fica uns 4800 mts de altitude e eh preciso ir com calma. Estou ansioso para me livrar do calor. Ficaremos incomunicaveis alguns dias pois estaremos escalando alguns vulcoes. No paso San Francisco ficam algumas das mais altas montanhas da America, como o Ojos del Salado, o segundo maior, o Pissis, Tres Cruces e o Incahuasi. Pela acessibilidade optamos por escalar o Incahuasi que tem 6600 mts. Nao será uma escalada de dificuldade tecnica. a dificuldade sera a altitude e o clima da Puna do Atacama. A Puna do Atacama é um dominio de paisagem muito seco que se desenvolve nas regioes de mais elevada altitude dos Andes do Norte da Argentina e Chile. É mais outra paisagem nova para mim que tenho ansia de entender este continente tao pitoresco como eh a America do sul, principalmente neste local onde estamos. Um abrazo a todos ps. Por favor desconsidere os erros de portugues, principalmente os de acentuacao. Estou em um Ciber cafeh com teclado em espanhol e com pressa para nao gastar muito.