23 de abril de 2014

Escalada em família

Com uma previsão de tempo pessimista para Curitiba no feriado de Páscoa, fui obrigado a postergar meu curso de escalada agendado para estes dias e como não queria ficar debaixo d'água, resolvi ir para São Paulo visitar meus pais e ver um pouco de sol, além de mostrar pra Maria Tereza os locais onde comecei a escalar, há mais de 16 anos atrás.

Nestas idas a São Paulo, eu penso como minha região (região de Bragança Pta) é privilegiada para quem  gosta de escalada, com muitos locais bonitos, paredes até grandes e sempre tempo bom! Acabei indo para uma cidade onde ministro meus cursos no Estado, Pedra Bela, onde em 3 anos, nunca choveu numa data marcada para curso de escalada!

Acabou que minha irmã, Caiti, também foi passar o feriado na casa do meu pai junto com o namorado, Julien, que é suíço e desde que mora no Brasil nunca mais escalou. Ele estava bem afim de subir pedra e eu de levar minha irmã para escalar pela primeira vez, pois sempre achei que ela fosse se dar bem, já que ela fez circo, yoga e um monte de coisas. Dito e feito, eu, a Maria Tereza com a Caiti e o Julien acabamos indo para a Pedra da Maria Antonia escalar umas vias fáceis e relativamente longas.

A Pedra da Maria Antonia é conhecida por suas vias de cerca de 100 metros de altura, algumas bem fáceis, como a Mãe de Prata, aberta pelo André Prata que é o acesso mais fácil ao cume. Acabei escolhendo a via "Na Berola" aberta pelo meu sócio na loja AltaMontanha Rafael Wojcik e o Mario Arnauld que é um pouco mais difícil e dá uma sensação de parede, exatamente por ter uns 120 metros de altura.

A via é muito interessante. Minha irmã que nunca tinha tido contato com a rocha estranhou a sapatilha e a aderência, mas foi se acostumando com isso e também com aquela sensação estranha de ficar pendurada na parada. Alternei algumas guiadas com a Maria Tereza, que já está guiando vias que não conhece, muito bem, dando segurança de cima sem medo e com bastante confiança, foi muito legal ver o desenvolvimento dela nestes 4 meses.

Fizemos o cume e pudemos ter uma pausa lá em cima para esticar o pé (sem sapatilha) e curtir o visual, inclusive para ver uma revoada de uns 20 tucanos, coisa que nunca havia visto antes! 

Rapelamos por uma via ao lado mais empinada e no final ainda tivemos o gostinho de passar um perrenguezinho ao rapelar à noite, nada demais. Por fim foi bacana poder ter escalado com pessoas que eu gosto e ver que elas também gostaram de escalar! Espero poder escalar muitas vezes com eles ainda. Agora só preciso escalar com minha irmã mais velha, a Iluá, que já escala, mas nunca foi influenciada por mim. Ela mora na Inglaterra e nunca escalou por aqui. Tá na hora disso mudar!

A Pedra da Maria Antonia, localizada no município de Pedra Bela SP.

Minha irmã Caiti nos primeiros movimentos da via

Meu cunhadinho Julien escalando depois de muito tempo!

Maria Tereza já escalando muito bem!

Maria guiando um dos lances da via.

Eu e minha irmã Caiti.

Maria guiando outra enfiada da via.

Os 3 na ultima parada da via antes do cume.

Pra mostrar que a rocha de Pedra Bela não é granito, é um Gnaiss!

Panorâmica do cume com vista para a Pedra do Santuário.
 Ah, quem não pode fazer o curso no feriado por causa da Chuva, a nova data será no feriado de 1 de Maio. Entre em contato com a Agência GenteDeMontanha e veja como participar!

10 de abril de 2014

Ascensão ao Llullaillaco; a montanhas dos Incas, em vídeo

Ontem ministrei uma palestra no CPM, apesar de haver poucas pessoas presentes, foi talvez a melhor palestra que já ministrei. Há mais de 12 anos ministro palestras e neste meio de tempo fiz uma centena delas, mas pela primeira vez pude misturar meus conhecimentos com minha experiência e se digo que foi uma das melhores que já ministrei foi por isso e não por minhas habilidades na fala.

Enfim, a palestra foi se alongando devido o interesse ao tema pelo público, o montanhismo arqueológico nos Andes. No total, 2 horas de conversa. No final prometi que iria mostrar um vídeo sobre minha ascensão ao Llullaillaco, mas que isso ia ficar pra mais tarde. Pois bem aqui está.

8 de abril de 2014

Palestra, publicações e Programa na Mochila

Trabalho a todo vapor! Além das obrigações, nos últimos dias andei escrevendo um pouco sobre o que gosto (montanha), atualizando minha coluna no AltaMontanha com um tema muitas vezes negligenciado pela maioria dos escaladores, o uso do Capacete: http://altamontanha.com/Colunas/4337/capacete-na-escalada-usar-ou-nao

Ainda atualizando espaços de opinião, tive a oportunidade de relatar minha experiência em organizar um evento de montanhismo que ocorreu no mês passado, O Dia das Mulheres na Montanha, em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres (8 de Março). Este relato foi publicado na revista Go Outside: http://gooutside.uol.com.br/2758

E não é só isso. Daqui a pouco vai pro ar mais um Programa na Mochila, onde irei fazer uma apresentação especial com o tem: "Geologia das Montanhas". Claro que é um tema grande com muita coisa. A linguagem será para os não especialistas, focado pra galera entender um pouco sobre como se formam as montanhas, daqui e de locais como os Andes. O link é http://twitcam.livestream.com/g047x

E pra fechar, amanhã, quarta dia 9, irei apresentar uma palestra no CPM (Clube Paranaense de Montanhismo) com o tema: Antes dos primeiros: O montanhismo dos Incas.Trata-se de uma palestra onde irei falar sobre o conhecimento que envolve este tema interessantíssimo, que inclui descobertas de múmias e objetos deixados por este povo pré colombiano facinante. Para acabar, irei narrar minha escalada no Vulcão Llullaillaco, de 6740 metros que é onde fica o sítio arqueológico mais alto do mundo. Apareçam!

Outras palestras surgirão e em breve irei divulgar...

Mulheres na montanha: Maria Tereza Ulbrich ilustrou a matéria na Go Outside.

Capacete na escalada: Rafael Wojcik e eu, quase sempre usamos, quase....

Incas na montanha. Auto retrato no cume do Llullaillaco, montanha de 6740m onde fica o sitio arqueológico mais alto do mundo!

31 de março de 2014

Ditadura e liberdade

Hoje, dia 31/03/2014, fez 50 anos do golpe militar. Pela internet tenho visto muitas declarações exaltadas. Geralmente não fico discutindo muito este tipo de assunto por lá, mas são tantos os pontos que discordo que venho aqui no meu espaço dizer o que penso. Muitas pessoas não entendem o que é democracia e não entendem que apoiar o regime que destituiu o presidente João Goulart é ir contra sua própria liberdade. Neste artigo vou discutir os erros comuns que as pessoas tendem a cometer e inclusive discutir a relação do golpe com a liberdade e corrupção.

A primeira coisa que as pessoas pensam sobre o regime militar que governou o país entre 1964 e 1985 é que a linha dura do exército reprimia o crime, dando segurança aos cidadãos. Isso não é verdade, a criminalidade nada tem a ver com a repressão política e muito menos com a liberdade democrática. A violência evoluiu com o tempo, muito devido com a evolução do tráfico e do crime organizado, coisa que não existia antes de 1964. A ditadura não impediu o crescimento da criminalidade.

No campo econômico, as décadas de 1960 e 1970 foram décadas de crescimento e prosperidade. Porém, o crescimento industrial e econômico no país nesta época foi um reflexo do que aconteceu no mundo. Assim como hoje se fala mal do governo federal, dizendo que o governo no PT poderia ter levado o Brasil a um crescimento maior, o mesmo ocorreu com os militares que aproveitaram o milagre econômico, mas deixar o país quebrado na década de 1980.

E não fui eu quem disse isso, foi o próprio ministro da economia da época Delfim Neto, numa entrevista para a TV Câmara, que afirma que em 1979 o Brasil quebrou nas mãos dos militares. No fim da ditadura herdamos um país mergulhado em dívidas e uma inflação insustentável que foi estabilizada somente na democracia. Diga-se de passagem, Delfim defendeu em sua tese de doutorado na USP a concentração de renda (propensão marginal para a poupança) seria a fonte de financiamento para obras de infraestrutura básica para amparar a economia brasileira. Política adotada por Castelo Branco que culminou nas enormes diferenças que até hoje assombram a sociedade. Antes da ditadura existiam tantas favelas em nossas cidades? O bolo cresceu, mas ele nunca foi dividido.



E a liberdade? Muitos acham que a gente tem menos liberdade hoje por conta da violência do que naquela época. Isso também não é verdade. Ontem publiquei no AltaMontanha uma notícia onde nosso amigo Vitamina conta que quem fazia montanhismo já era considerado suspeito de subversão.

Aliás eu defendo a tese de que foi por conta da opressão do regime que surgiu no país a famosa figura do farofeiro chapado. Imagine só, uma época repressiva onde havia muito rock and roll e a revolução sexual correndo solta. Os locais mais distantes, como as montanhas, se tornaram sinônimo de um local para se libertar, daí a associação até hoje de que você vai para a montanha para ficar chapado e muito louco.

Será que havia liberdade? Era permitido se reunir? Constituir uma associação civil? Poder legislar sobre assuntos econômicos e sociais? Não!

Vejo grupos de pessoas protestando a favor da ditadura e da velha moral TFP. Eles se contradizem, pois defendem um regime onde não teriam esta liberdade. Eles não entendem o que é uma democracia, acham que só é válido as suas reivindicações e não as dos outros, ou seja querem um regime em que eles sejam privilegiados, pois as suas liberdades valem, não a dos outros. Como podem dizer que são contra a atual corrupção da democracia se o que eles querem é o privilégio político. Isso não seria uma forma de corrupção?

 A violência, a corrupção e a depressão econômico não é culpa da democracia. O combate a tudo isso é que se faz através do fortalecimento da democracia. Temos apenas 29 anos de democracia e muito o que evoluir. Na ditadura não podíamos debater, na democracia podemos e debatendo podemos corrigir e melhorar a sociedade.

João Goulart ao lado de sua gatíssima esposa Maria Thereza Cruz em seu ultimo discurso no Rio de Janeiro em 1964.

30 de março de 2014

Loja AltaMontanha: Minha loja de equipamentos de montanhismo

Em 2014, junto com dois grandes amigos, Rafael Wojcik e Hilton Bencke, tornamos um sonho em realidade: Inauguramos uma loja virtual de equipamentos de montanhismo, a loja AltaMontanha.

Após 10 anos de existência, enfim o AltaMontanha.com, que já era o maior site de montanhismo do Brasil, enfim ganhou sua loja própria de equipamentos. São equipos técnicos de escalada em rocha, gelo, trekking, trabalho em altura e até mesmo produtos para trabalho de campo de Geologia!

Confira nossos produtos e preços especiais, com 10% de desconto na compra a vista no Boleto: www.lojaaltamontanha.com

 Veja por que comprar seus equipamentos em nossa loja:

1) Comprando na Loja AltaMontanha, você contribuirá para o AltaMontanha.com manter seu trabalho de informar gratuitamente a comunidade de esportes de montanha no Brasil.

2) Mantendo o AltaMontanha no ar, além de obter notícias e artigos técnicos de qualidade, ainda ajudará a manter no ar um espaço de opinião, com as aventuras e pensamentos através das colunas de montanhistas de destaque. Ainda mantemos no ar o site Rumos, que contém dicas e tracklogs de trilhas, locais de escalada e montanhas.

3) Comprando no AltaMontanha, você estará ajudando pessoas que são instrutores e abrem vias de escalada, fomentando toda uma nova geração e ensinando os melhores e mais seguros procedimentos, tanto em rocha quanto em gelo.

4) Comprando no AltaMontanha, você está apoiando pessoas que inovam no esporte, pessoas que estão sempre desafiando e impondo novos limites ao montanhismo brasileiro, com projetos esportivos que se destaque no meio.

5) Comprando no AltaMontanha, você estará auxiliando o trabalho voluntário de federações que representam o montanhismo e escalada com autoridades e defendem nossos valores e objetivos. Foi o que aconteceu com o surgimento de leis absurdas que interfeririam na prática livre e amadora de nosso esporte, mas que foram alteradas por conta da ação de pessoas envolvidas com o portal.

6) Comprando no AltaMontanha você estará apoiando projetos contra a proibição do montanhismo. Foi o que aconteceu com o Projeto Escalada no Parque do Monge, onde conseguimos a promessa de que a escalada deixaria de ser proibida nesta importante Unidade de Conservação paranaense.

7) Comprando no AltaMontanha você estará contribuindo para a realização de eventos no meio, como exemplo o Dia das Mulheres na Montanha.

8) O AltaMontanha também quer ajudar clubes e federações, com parcerias e descontos especiais aos associados.

Estes são apenas alguns dos argumentos para você comprar em nossa loja, uma loja feita por montanhistas pró ativos que oferecem retorno ao esporte e que tem compromisso com o meio, inclusive o de oferecer equipamentos a preço justo. Visite nosso site e confira você mesmo.

A loja AltaMontanha é a loja que contribui com o montanhismo brasileiro!