11 de setembro de 2014

Escalando o Uturunco e finalizando a ascensão de todos os 6 mil bolivianos

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Saindo de San Pedro, pegamos a estrada internacional que sobre os Andes em direção a Jujuy na Argentina. É mais um caso daquelas estradas chilenas que sobem pedimentos dos desertos em retas intermináveis de dezenas de quilômetros onde os carros quase morrem sem oxigênio e de tanto andar em alta rotação. Ali, com Luiz Antoniutii fervemos uma Pajero Sport em janeiro. 

Nosso jipinho sobe lentamente e com muita dificuldade até chegarmos no altiplano, onde uma discreta estrada de terra aparece na esquerda da estrada internacional. Para ela havia uma placa indicando “Bolívia”.

Deixamos a confortável estrada asfaltada para entrar nesta estradinha poeirenta que descreve bem a Bolívia e dali a 5 quilômetros chegamos numa casinha de adobe pequena, circulado de algumas placas que dizia “migraciones”. Ali chegamos na fronteira...

Fomos muito bem recebidos pelos policiais bolivianos, que nos avisou que ali fazia apenas a migração, ou seja, apenas carimbava o passaporte. O carro teria que passar pela aduana que ficava uns 150 km dali, em um lugar chamado “Apacheta”. E lá vamos nós entrar na Bolívia e ir a caminho desta apacheta incaica.

Uma vez atravessando a fronteira, chegamos num parque nacional boliviano chamado Eduardo Avaroa, que é famoso por suas lagoas coloridas cheia de flamingos e pelo vulcão Licancabur. Escalei ele este ano com o Antoniutti e seu filho Luca de 15 anos, que talvez tenha sido o mais jovem a escalar esta montanha, mas não fui até Apacheta, fiquei na pousada localizada na laguna Verde descansando e não sabia dos caminhos que cruzam esta região bonita e desolada chamada de Sud Lipez.

Pagamos a taxa de 150 bolivianos que estrangeiros pagam ao entrar ao parque e tomamos a estrada rumo ao norte, por onde passam inúmeros jipes 4x4 que levam turistas de San Pedro de Atacama até o salar de Uyuni. A estrada é larga, mas é de terra. No começo é boa, mas logo aparecem as chamadas “costelas de vaca” que são ondulações na pista que fazem o carro tremer todo. Estas costelas de vacas vão ficando maiores e maiores até o ponto que sou obrigando a andar na primeira, pois o carro sacolejava tanto que nos pulos perdia a traseira e corria o risco de tombar, isso sem falar nas pancadas destruindo a suspensão.

Assim, de costela em costela, andando a menos de 20 km por hora tudo ficava monótono e lento. Uma pena só existir este tipo de costela na Bolívia e a gente com fome...

Passamos por vários locais bonitos no caminho, mas estávamos focados em escalar o Uturunco. Depois de várias horas chegamos em Apacheta e quase que o oficial da aduana não deixou entrarmos no país, pois eu não estava com a minha apólice que dizia que meu seguro valia na Bolívia. O que nos salvou foi eu ter a cópia da minha ultima declaração jurada quando entrei no país por Villazón.

Dali seria mais 80 km até uma cidadezinha chamada Quetena Chico, que fica aos pés do Uturuncu. Foram os 80 km mais longos da minha vida, pois a estrada era terrível! Os bolivianos por sua vez não respeitam em nada o meio ambiente. A estrada ruim cheia de costelas de vaca faz que eles saiam de seu leito e façam outros caminhos paralelos na lateral para evitar aquela desgraça e a estrada vai se alargando de detonando o contorno. Pura negligencia do governo, pois custa caro a entrada do parque e eles tem motoniveladora para fazer manutenção e evitar estes abusos. Entretanto parece que a motoniveladora (eu vi, novinha), não é usada.

Chegamos em Quetena Chico à noite. A cidade parece fantasma, pois como muitas cidades bolivianas não tem eletricidade e apenas algumas luzes de casas com gerador são visíveis. Queríamos passar despercebidos, pois conhecemos bem a Bolívia e as comunidades indígenas. Eles sempre inventam alguma dificuldade para você escalar montanhas, cobrando ou exigindo algo, mas damos de cara com uma bandinha da policia tocando na frente da comissaria local. Como pode um local tão pequeno ter tanta polícia? A Bolívia é um país extremamente militarizado.

Passamos batido pela polícia e depois encontramos uma dificuldade para encontrar o começo da estrada que vai para o Uturunco. Atravessamos um rio sem ponte e do outro lado encontramos o caminho, que é tão ou mais precário que o caminho de Apacheta.

Neste novo caminho vamos devagar, atravessando rios e desertos de pedra, até que começamos a ganhar altura. A noite está maravilhosamente estrelada e vamos batendo papo ao ponto que lentamente vamos subindo as encostas do vulcão. Passamos por locais bem difíceis com muita pedra, que tenho que desviar com perícia, até encontrar um local para acampar a 5400 metros. Fazia muuuuito frio!

Dormi muito mal por conta do frio, mesmo com um saco de pluma de ganso para -26 graus e acordei somente às 7, sacudindo o Maximo que também não teve uma noite boa. Fazemos algo para comer e desmontamos o acampamento, tendo dificuldade para fazer o jipe pegar devido ao frio intenso.

Uma vez com o carro em ordem e já com algum sol aquecendo, vamos novamente na reduzida até o local onde a estrada é interrompida à 5560 metros, onde começamos a subir à pé um acarreo mais um menos bom (depois do Capurata, tudo é bom!).

Vamos ganhando altura com facilidade e em apenas 1:45 horas já estamos no topo, onde observamos uma pirca de pedra com uma bandeirinha boliviana balançando num pequeno mastro improvisado de madeira. Escalar a montanha foi muito mais fácil que chegar nela.

Vamos filmando nossos últimos passos, finalmente finalizávamos o projeto depois de 13 anos de escaladas na Bolívia! Ao longo deste tempo em 5 expedições que realizei pelo país, fui de pouco em pouco escalando todas suas grandes montanhas até que neste ano, em cerca de 40 dias eu e o Maximo fizemos um grande esforço para fechar as 7 que me faltava, ou seja, de 13 anos, metade destas montanhas foram escaladas em um pouco mais de um mês.

Escalar todos os 6 mil da Bolívia é um projeto interessante, mas apenas uma amostra do que é escalada em alta montanha. Uma amostra bem completa, pois se escalada montanhas difíceis e técnicas, como o Illampu e o Chearoko. Montanhas longas e escondidas, como o Chachacomani e o Ancohuma, montanhas populares, como o Huayna Potosi. Montanhas bonitas e chamativas, como o Illimani, montanhas altas e secas, como o Parinacota e o Sajama, montanhas fáceis, como o Acotango e remotas como o Uturuncu e o Chaupi Orko, ou novas (com a confirmação de altitude) como o Kapurata. 

Muitas destas montanhas são pouco ou nada conhecidas, onde tenho certeza que ficará muito tempo sem outra ascensão. Este tempo tive muitas histórias e considero este projeto o mais interessante projeto pessoal que eu realizei.

A estrada principal de Sud Lipez.

Atravessando o deserto rumo ao Uturuncu.

Deixando o jipe descansar.

Caminhos laterais devido ao excesso de costelas de vacas. Um absurdo!

Avistando o Uturuncu.

Começo da subida do Uturuncu pela manhã.

Fumarolas vulcânicas.

Subida fácil.

Ultimo dos cumes de 6 mil da Bolívia.

Relato no livro do cume.

No cume do Uturuncu.

Parofito no cume do Uturuncu.

Uturuncu visto de longe.



9 de setembro de 2014

Atravessando o deserto chileno

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Após descer realizado da montanha, com aquele ótimo sentimento de dever cumprido e que para finalizar o projeto temos pela frente apenas o mais fácil, fomos atrás de um local para passar uma noite e comer algo gostoso. Nossa necessidade nos levou ao povoado de Putre, a primeira cidade chilena após a fronteira com a Bolívia, um povoado muito bonito que eu havia achado interessante na expedição de 2007 que tem uma linda montanha de cinco mil metros no fundo, que é o Nevado Putre que hoje em dia não tem mais neve.

Achamos uma pousadinha com preço barato para o Chile, 32 doláres, sem banheiro no quarto, mas com recepção de internet aberta do vizinho. Tomamos um bom banho e fomos comer num restaurante em frente, onde pudemos comer um hambúrguer de churrasco.

Apesar de simples nossas instalações e comida, é bom estar ali, mesmo pagando caro. Na Bolívia tudo é muito barato, mas em compensação tudo é muito precário. Pegar um hotel precário é tranquilo, mas comida precária é complicado e isso é o pior da Bolívia. A comida além de ser suja e nos dar diarreia e vômitos, é ruim. Só existe comida gostosa em La Paz, no interior a comida é muito ruim e mesmo tendo dinheiro você não consegue comer por falta de apetite.

Em Vila Sajama, onde pelo menos a comida é limpa, é horrorosa. Sempre tem aquelas porcarias de sopas sem gosto e depois um prato com arroz quebrado igual de cachorro e um frango frito mergulhado no óleo com cheiro forte, mas quase sem carne. Uma vez e outra comemos um milho gostoso, mas sempre porções pequenas. Não sei como as cholas são gordas comendo algo tão ruim. Várias vezes na estrada prefiro passar fome que a comer comida de um restaurante boliviano.

Aproximando do Uturunco pelo Chile, nossa ultima montanha neste projeto, além de resolvermos o problema da gasolina, resolveríamos o problema da fome. Na Bolívia há uma lei que controla a venda de combustível. O governo instala um chip em seu carro e nele é controlado o quanto se compra de gasolina. Você pode comprar apenas a quantidade em litros que tem o tanque do seu carro por dia e azar o seu se você viajar. Estrangeiros pagam o triplo do preço, mas somente em postos que tem nota fiscal internacional. O problema não é pagar mais caro, é que nenhum posto tem esta maldita nota fiscal e assim eles não vendem combustível a você.

Nesta viagem passamos muitos apertos com isso. Tivemos que comprar um Bidão de 20 litros de combustível e andar com ele, o que é ilegal! Tivemos que comprar gasolina de uma van, pagar bem mais caro e tirar fazendo sucção com uma mangueira. Enfim, esta lei ignorou que existem estrangeiros viajando de carro na Bolívia e nos causou muitos transtornos. Por isso e pela péssima comida decidimos ir para o caríssimo Chile, onde mesmo pagando um preço injusto temos gasolina e não passamos fome.

Logo ao descer para o deserto do Atacama, em Arica, vamos receber a primeira facada ao abastecer. O litro da gasolina no Chile está custando 900 pesos, quase 2 dólares o litro ( 1 dolar = 500 pesos). Isso são quase 4 reais o litro!

Com o tanque cheio pegamos a Ruta 5, que é a estrada Pan Americana que corta o Chile de Norte a Sul. A paisagem ali é desoladora, não há nada de vegetação, cidades, nada. Isso 400 quilômetros mais tarde se transforma num tormento. Meu tanque estava na metade quando passo num posto de gasolina e decido não abastecer. Acabou que o tanque foi baixando e nada de posto de gasolina.

Fui economizando e olhando as placas e vejo que estava chegando numa cidade chamada Quillagua. A quilometragem até Quillagua vai diminuindo e meu tanque também. Chegando lá dou de cara com um posto de controle aduaneiro, no meio do Chile. Não entendi muito bem, mas pergunto por informações. _ Onde tem um posto de gasolina por aqui?
_ Pra lá 100 km! Diz o policial apontado para onde eu vinha.
_ Não é possível e pra lá? Aponto eu para o meu destino...
_ Lá não tem! Só daqui a 190 quilômetros. Você não viu um posto de gasolina lá atrás?

Fico puta da vida. Como pode um país rico e desenvolvido como Chile não ter postos de gasolina em sua principal estrada, a espinha dorsal que corta o país de norte a sul?

Eu tinha talvez 2 litros de gasolina e começo a perguntar pra todo mundo se alguém em Quillagua vende combustível e me indicam um restaurante. Vou com o jipe até lá e me indicam ir aos fundos, onde funciona uma borracharia. Lá um senhor nos atende e com ele conseguimos comprar 10 litros por 12.000 pesos! A gasolina mais cara que já comprei na minha vida e que pagamos sem reclamar. Não seria nada agradável ficar no deserto sem combustível.

O senhor que nos vendeu gasolina nos explicou que numa cidadezinha chamada Maira Elena, fora de nossa rota, havia um posto de gasolina onde poderíamos encher o tanque. Dirigimos 80 km até lá e achamos o tal posto, que se resumia numa única bomba descoberta. Era incrível, num lugar super movimentado só ter aquilo e os postos de gasolina mais próximos ficavam a 180 km ao norte, 100 km ao Sul, 70 km a Oeste e 100 km a Leste, que absurdo! Vou abrir um posto de gasolina na Ruta 5 e ficar rico!

Enchemos o tanque e nosso bidão de gasolina, gastando 106 dólares para comprar um pouco menos de 60 litros, deste total, gastamos 20 litros pra rodar 180 km até San Pedro de Atacama. Muito? De fato, meu jipe é motor 1.3 e é bastante econômico, mas ele fez menos de 10 km/l devido às tantas subidas intermináveis que existem até ali. De Maria Elena até San Pedro, a gente sobe para cima dos 3 mil metros e desce diversas vezes. As subidas são em rampas de pedimentos do deserto que são enormes. Às vezes pegamos 50 km de subida contínua e o motor trabalhando sem parar, ótimo para ferver!

Cruzamos por Calama, onde fica a maior mina de cobre do mundo que é Chuquicamata e a noite vamos cruzando o que nos falta de deserto até chegar cansadíssimos em San Pedro, onde vamos dormir num hostel, a única coisa barata que pagamos em nossa estada no Chile, 14 dólares por cabeça. Após registrarmos, vamos comer algo e pegamos incríveis 60 dólares para comer um churrasco, que apesar de estar gostoso se resumia num bife de carne de vaca, um filé de peito de frango e uma lingüiça, só isso! Meu deus, estou abismado como o Chile está absurdamente caro...

Contudo, mesmo cansados, decidimos ir embora no dia seguinte, pois já havíamos gasto todos nossos pesos chilenos. Estávamos com saudades da Bolívia, ou melhor de seus preços...

Atravessando o deserto. Sim, só tenho esta foto, pois tudo que tem aí é isso, deserto....

8 de setembro de 2014

Escalando e medindo a altura do Capurata

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Após escalar o Guallatiri, descemos de jipe até a bifurcação da estrada e tomamos o caminho rumo ao Capurata. A estrada ali estava igualmente boa comparada com a do outro vulcão e percorremos ela sem nenhum contratempo, até um local que era impossível continuar devido à deslizamentos de rocha. Como no Guallatiri, paramos o carro e montamos o acampamento. 

Estávamos num vale que ia direto até a sela entre o Acotango e o Capurata que formava um paso perfeito entre o Chile e a Bolívia por onde um ano atrás o Maximo havia passado ilegamente para escalar o Guallatiri à pé e por onde eu temia haver minas terrestres, instaladas na década de 1970 pelo general Pinochet para amedrontar pessoas que fizessem o que meu amigo fez, mas por outras motivações. O Chile está infestado de minas terrestres e elas são um temor dos montanhistas que gostam de montanhas remotas.

Acampados a 5 mil metros de altitude, dormi melhor que na noite anterior e acordei um pouco tarde. Teria mais de 4 quilômetros de aproximação até a base do Capurata e dali 1000 metros de subida e descida até o cume, o que faria desta montanha algo mais puxado do que fiz nas duas ultimas que havia escalado. Por conta disso, não perdi muito tempo para me por em marcha, o que fiz sem ter comido e bebido muito coisa no desjejum.

Continuei pela estrada em ruínas, atravessando as enormes pedras que impediam o caminho. Mais em frente, onde a estrada zig zagueava uma encosta, fui cortando o caminho e deixei de acompanhar a mesma que ia se aproximando da vertente direita do vale, na encosta do Acotango, enquanto eu ia pelo meio do vale em direção à cela onde era a montante do mesmo. Em todos os momentos eu ficava imaginando a placa caída no começo da estrada que ia até aquele local, que dizia “Prohibido el ingresso. Recinto...” Imaginava que o que viria depois de “Recinto” era a palavra “minado”. Ao mesmo tempo imaginava que o Maximo havia se safado desta por sorte, mas que eu poderia não ter a mesma.

Atravessei muitos terrenos arenosos no fundo deste vale, que ao tempo em que ia se aproximando de sua cabeceira ia recebendo blocos enormes provenientes do topo das montanhas adjacentes. Olho o chão e via pegada de animais e ora ou outra uma pegada humana que pensava ser remanescente da passagem do Maximo no ano passado. Naquele vale não havia indícios humanos. Tudo o que vi de humano, continuava o leito da estrada e ia em direção ao Acotango. Ninguém escala o Capurata, até o ano passado, achavam, inclusive, que esta montanha era um 5 mil metros, ou seja, ninguém até 2013 tinha escalado esta montanha com um GPS. Quando será que havia sido a ultima pessoa antes do Maximo a fazer cume nesta montanha?

 Antes mesmo de chegar à sela entre os dois gigantes ao meu lado, decido subir um terreno recoberto de cascalho do Capurata, onde enfrentei muita dificuldade de progressão, mas que ia me pôr no topo de uma crista que parecia ser o caminho natural até o cume. Doce ilusão. Mal imaginava que ali começava o tormento que foi escalar esta montanha. Durante esta pendente, tive muita dificuldade de ficar em pé, pois era como andar numa montanha de bolinhas de gude. A cada passo eu fazia um grande esforço para não escorregar e isso na altitude e mesmo aclimatado era um inferno. Pagava penitencia por ter visitado a casa do diabo no dia anterior.

De passo em passo e escorregão a escorregão, chego em cima da crista, onde as rochas (todas soltas) são um pouco maiores e assim deslizavam menos. Ali progrido com mais agilidade, mas em compensação fico diretamente exposto à fortes rajadas de ventos provenientes do Oeste. Para beber água e comer, sou obrigado a cair do outro lado da crista e me proteger. 

A crista, apesar de ser melhor, no entanto, era um beco sem saída. Por volta dos 5650 metros ela se torna totalmente rochosa obrigando realizarmos escaladas de até quinto grau em material frágil e solto com centenas de metros de queda no norte. Olha para o sul da crista e percebo que posso contornar este trecho rochoso por baixo, fazendo uma diagonal pelo meio da vertente. Com o vento no rosto não penso duas vezes e vou por ali me protegendo das rajadas infernais que me açoitavam. Começava ali outro inferno.

A vertente que eu tinha que bordejar era composta de material detrítico de diferentes porções granulométricas, de seixos a calhaus e até matacão, tudo solto! Assim como no começo desta ascensão, era difícil ficar em pé. Pior, cada passo em que o material detrítico desmoronavam, vinha muita rocha em cima de mim, às vezes blocos grandes que podiam quebrar minha perna ao meio.

A cada deslizamento eu parava e respirava e continuava o passo, num trabalho de formiguinha, pensando que o cume era o caminho de volta. A situação era infernal, insuportável. A todo montanha eu pensava _ “Que montanha de m....”, _ Que p... de montanha, por que c...... o Maximo veio aqui descobrir que essa m.... tem 6 mil metros? 

Sem mudar minha precária situação, repeti meus passos frágeis por horas, até que enfim consegui contornar a crista e sair do outro lado da porção rochosa, onde havia o começo de uma geleira. Ali consegui contatar o Maximo pelo radio e dizer a má condição daquela rota que escolhi. 

Por sorte, foi somente avisar a má condição que dali em diante encontrei um terreno mais fácil, onde inclusive encontrei uma pegada que acredito ser do Santiago Quintero, montanhista equatoriano que finalizou o projeto do projeto dos 14 6 mil bolivianos seguindo as reportagens do Maximo que falava que o Kapurata encontrava-se nesta lista. O próprio “Santi” como ele é chamado, encontrou o Max em La Paz e falou de seu projeto e ainda disse: _ “Maxi, que mierda de montaña me hiciste escalar...”

Fiquei lembrando do Maximo me contando de seu encontro com o Santiago, ao tempo em que chego no trecho de gelo da montanha que como em todo lugar nela, era péssimo. Simplesmente o pior gelo que peguei em todas minhas escaladas. Um gelo verglass duro cheio de penitente e buracos irregulares, tudo isso com muito vento, pois ali já não havia nada para me proteger.

Vou caminhando por este terreno hostil, até achar uma superfície de gelo liso que para meu desengano era formado de uma capa fina que ao ser pisada se rompia e me fazia afundar até o joelho. Era uma pegadinha do malandro e eu não estava achando graça. Nada naquela montanha era fácil e quando parecia que algo iria ficar melhor piorava...

Começo a subir a crista final que levava ao topo. Ali, surpreendentemente quando eu piso num gelo bom e ouço os crampons fincarem e fazerem aquele típico som de bom gelo glaciar. Basta eu ficar feliz que vem uma rajada de vento que quase me faz voar até a casa do Evo Morales... 

E foi assim, sendo castigado passa a passo que insistentemente vou caminhando até onde não havia mais para onde subir e chego ao cume do Capurata, onde com as mãos congelando ao vento, tiro o GPS para medir a altitude e chego a seguinte medição 6016 metros com o GPS e 6011 e 6012 no barômetro. Minha medição coincidia com a do Maximo e é um ponto a mais para afirmar que o Capurata é de fato um 6 mil!

Missão cumprida eu procuro um local para me proteger do vento, encontro umas pedras e vou atrás delas. Quando menos noto, tais pedras eram um muro artificial construído por humanos. Era uma apacheta muito bem construídas pelos Incas formando uma plataforma retangular no topo da montanha. Valeu a pena o sofrimento por achar mais um indicio de escalada incaica numa montanha andina. Esta apacheta não havia sido notada pelo Maximo, pois quando ele escalou o Capurata havia muito mais neve que o normal.

A descida foi bem mais fácil que a subida, pois com tanto acarreo foi fácil deslizar sobre as rochas e descer no esquema “ski boliviano”. Mas como em todos os momentos nesta montanha basta achar que está fácil para surgir uma dificuldade e esta dificuldade foi o vento que me açoitou como nunca. E com muito vento na cara fiz os quilômetros finais que me faltava para me encontrar com o Maximo preparando o jipe para partirmos dali. Foram 19.50 quilômetros percorridos entre subida e descida da montanha em 9 horas!

No retorno à civilização, decido parar para ver o que havia escrito naquela placa misteriosa que nos dizia ser proibido o que havíamos acabado de fazer e nela estava apenas escrito que o "recinto" era privado. _ Ufa! Não tem minas terrestres... E assim demos continuidade em nossa odisseia boliviana em território chileno.

Capurata (ao fundo) e o local onde montamos nossa base, mais de 5 km de distancia.

Estrada interrompida 
Pegadas do passado
Guallatiri e o vale até a sela entre o Capurata e o Acotango.

Começo da subida do Capurata e vista para a sela com o Acotango.

Crista impossível de ficar em pé no Capurata, um inferno total!

Crista do Capurata, local de dificil transposição.

Crista rochosa.

Travessia pela face norte da crista. Terreno difícil e perigoso.

Primeira vista para o cume.

Chegando na cratera de gelo.

Vista para a saliência de gelo.

Acotango visto do cume.

Altitude de 6016 marcada pelo GPS.

Eu e Parofito no cume.

Enorme construção inca encontrada no cume.

7 de setembro de 2014

Escalando o Guallatiri: Onde o diabo mora

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Sem nenhum dia de descanso após escalarmos o Parinacota (Maximo) e Acotango (eu), já pegamos estrada para escalar mais montanhas, no caso pra somente eu subir elas...

Na região do Acotango existem outras 2 montanhas com mais de 6 mil metros, o Kapurata e o Guallatiri e em 2013 Maximo havia escalado todas, sozinho. Naquela ocasião, ele realizou uma travessia bordejando o Acotango e acampando na base do Kapurata, que na época não era tido como um 6 mil. Ele subiu esta montanha pelo lado boliviano e desceu pelo chileno, marcando no cume uma altitude de 6014 metros com o GPS. Como este método tem uma margem de erro de 10 metros pra cima ou pra baixo, ele afirmou que o Kapurata era um 6 mil e isso foi publicado até mesmo na Desnível.

O Guallatiri ele fez no dia seguinte, quando ele regressou para seu acampamento na base do Acotango na Bolívia, completando assim todas as montanhas do local.

Acontece que eu não estava afim de percorrer o caminho que ele fez, pois eu sabia que do outro lado da fronteira havia uma trilha 4x4 feita por uma mineradora que chegava até o pé do Guallatiri e isso economizaria muitos esforços. A ida ao Chile também iria ajudar na aproximação de outra montanha boliviana, o Uturunco, que é o 6 mil mais austral deste país. Acessando ele pela fronteira com o Chile conhecida como Hito Cajón, percorreríamos apenas 200km de San Pedro do Atacama até lá e não precisaríamos nos sujeitar a todos os problemas ocasionados pela política boliviana de não vender gasolina aos estrangeiros que tanto nos causou problemas.

Desta forma fomos ao Chile e tivemos que fazer todos os tramites burocráticos necessários para cruzar a fronteira que os chilenos são campeões. Tivemos que tirar toda a bagagem, passar tudo no raio X, ter o carro revistado pelas autoridades sanitárias e pela polícia anti drogas que usou até cães farejadores. Depois disso tudo ainda tivemos que ir aos Carabineros (policia militar) e mostrar a autorização do Departamento de Limites e fronteiras chileno para podermos escalar as montanhas. Apesar das burocracias, o Chile é um país honesto e se você está tudo ok pode continuar. Lá, diferente da Bolívia, Argentina e Paraguai, as regras não são inventadas em cima da hora para que eles (a polícia) te arranque um dinheiro com “permissões” no típico ditado popular: inventar um problema e vender a solução.

Com tudo em ordem pegamos nosso jipinho e fomos em direção à montanha, atravessando o Parque Nacional Lauca e sua típica paisagem altiplânica, com vegetação estéptica cheio de Lhamas e Vicunhas e o destaque sobressalente dos vulcões nevados.

Em certo momento, viramos numa estradinha rumo ao norte, atravessando uma vilinha com meia dúzia de casinhas de adobe e uma igrejinha centenário feita com métodos de construção aymara. Dali, pegamos outra estrada numa bifurcação à esquerda, onde em seu começo havia uma placa dobrada e caída ao chão dizendo. “Proibido el ingreso. Recinto” _Recinto o que? Fiquei pensando. Recinto proibido? Recinto privado? Recinto de vida silvestre? Recinto minado? Fiquei por dias tentando imaginar o que poderia transformar em proibido aquilo que estávamos fazendo, principalmente porque sei que em fronteiras chilenas onde não é difícil passar à pé e por onde poderia ter contrabandistas e imigrantes ilegais, o general Pinochet instalou minas terrestres. Ali era um caso dum local que era fácil cruzar à pé, tanto que no ano passado Maximo o fez para escalar ilegalmente as montanhas que eu estava indo agora.

Contei minha hipótese sobre o complemento da informação da placa e o Max negou, disse que muitas pessoas que ele conhecia, como o Cristian de San Pedro de Atacama e a Ricky que também mora lá guiavam o Guallatiri e escalavam o Acotango pelo lado chileno. Mesmo assim fiquei com medo da minha hipótese, pois o Kapurata ficava no final do vale, bem na fronteira e o colo entre ele e o Acotango era uma passagem natural para quem quer passar ilegalmente para a Bolívia, caminhando apenas 4 km. Fiquei com medo... mas me concentrei na primeira montanha, o Guallatiri.

A estrada neste recinto misterioso estava muito bem mantida, nem era preciso acionar o 4x4 do jipe. Num determinado momento ela se dividia entre o caminho que ia ao Guallatiri e o que ia para o Kapurata. Continuei na primeira opção e dali poucos quilômetros ela começou a subir em uns zig zags e ganhar bastante altura, indo acabar a 5200 metros numa encosta do vulcão que sofreu deslizamento. Dali em diante o caminho era à pé. Foi ali que montamos nossa base.

Passamos a tarde comendo e bebendo dentro da barraca. Foi uma tarde de folga que aproveitei para ler um interessante livro sobre a história econômica da Bolívia que me despertou para entender o processo que levou a Bolívia a ser um país indígena, que um dia talvez eu possa comentar aqui. Fui dormir tranquilo e descansando.

No dia seguinte desperto por volta das 6. Diferente das montanhas da região oriental, onde há mais gelo, não preciso me preocupar muito com o horário naquela região. Começo a caminhar por volta das 7:30, subindo acarreos até alcançar um antigo leito de estrada mineira que havia mais pra cima quando ainda se extraiam enxofre da montanha. Caminho por este antigo caminho bastante afetado por deslizamentos até chegar numa canaleta de material rochoso detrítico, por onde começo a subir. Em todo o caminho não há uma pedra firme, tudo é material de erosão solto por onde tenho que subir com cuidado, o que transforma a ascensão em algo lento e monótono.

Após algumas horas nesta canaleta, chego a seu final, onde há uma ombreira onde terminava uma geleira que existe no cume. Como esta geleira ali é formada de penitentes, prefiro ganhar altura por um caminho feito de rochas e sedimentos ao lado do gelo ruim e assim subo até um local onde é possível caminhar no gelo com mais facilidade. Instalo os crampons na bota e passo a ascender com mais agilidade, chegando até um falso cume do Guallatiri que era uma porção mais rebaixada da borda de sua cratera que está desfigurada por alguma explosão. Ali, naquele sub cume eu consigo pela primeira vez observar o ponto mais alto da montanha e logo abaixo uma enorme fumarola vulcânica expelindo muita fumaça sulfúrica que pinta de amarelo toda aquela porção da montanha. Era a própria visão do inferno dos filmes do Pier Paolo Pasolini, sem evidentemente seus diabos e pecadores.

Vou bordejando a antiga cratera sem tirar olho da fumarola, tomando cuidado para me proteger quando o vento levasse a fumaça até onde estava. Assim, vou cuidadosamente subindo a porção final, onde encontro o livro do projeto 6 mil chilenos, patrocinado pelo Banco do Chile e que estava num estado deplorável de podridão devido à corrosão pela fumarola. Evito ficar muito tempo ali e desço.

O retorno ao acampamento é rápido e por volta das 14 horas já me encontro com o Maximo que já havia deixado o jipe pronto para partirmos para outra. Naquele momento fico em dúvida se o Guallatiri é uma montanha fronteiriça, ou se ela fica inteiramente dentro do Chile. Se esta opção for a verdadeira, então a Bolívia não teria 14 cumes com mais de 6 mil, mas sim 13, isso se o Kapurata realmente fosse um 6 mil, já afirmar isso com apenas uma medição feita com GPS civil não é algo tão preciso de se dizer. Caberia a mim fazer a segunda medição da montanha...

Acampamento base do Guallatiri

Acotango visto da antiga estrada da mineração, começo do caminho ao cume.

Trecho de acarreo para chegar até o gelo.

Começo do glaciar.

Vista para o Acotango.

Fumarola sulfúrica fumegante.
O cume e a  fumarola.

A caminho do cume.

Chegando ao cume, cuidado com a fumaça.

Livro do banco do Chile corroído. 
Auto retrato no cume.

Livro destruído.

Parofito no cume.

Auto retrato com as fumarolas.

3 de setembro de 2014

Escalando o Acotango

:: Leia a parte anterior deste relato

Deslizando suavemente sobre a areia, o jipe vai ganhando altura num vasto planalto vulcânico. Estamos na Cordilheira Ocidental, próximo à fronteira com o Chile. Aqui as montanhas são vulcões, o clima é mais seco, venta mais e castiga muito mais. Trata-se de uma região elevada reconhecida como Puna do Atacama que vai do Norte da Argentina até esta região da Bolívia.

A paisagem é desoladora, mas ao mesmo tempo encantadora. Mesmo tão hostil há gente vivendo em qualquer lugar, quase sempre se dedicando à pastagem da Lhama, um dos poucos animais domesticáveis que vivem bem aqui em cima. 

Já estive aqui antes 3 ocasiões, na primeira foi quando eu e o Maximo escalamos o Pomerape, o mais meridional dos vulcões gêmeos chamados de Payachatas em 2002, quando eu tinha somente 21 anos. Fizemos esse recorrido à pé e em 2 dias. Na segunda vez foi em 2007, quando escalei o Parinacota, o setentrional destes belos e grandes vulcões. Fiz a ida a pé, levando o peso num burro e volta de carona num jipe, quando fiquei admirado que carros podiam chegar ali. Na terceira vez, a bordo da minha antiga Ecosport, fui até onde começam os areais e voltei com muito medo de atolar. Agora no jipe tudo parece muito fácil.

Deixei o Maximo sozinho na base do Parinacota. Esta é a única montanha de 6 mil metros da região que ele ainda não escalou. Após um rápido desejo de boa sorte volto pela trilha 4x4 que me conduziu tantas vezes por aquele local e vou para outra montanha que eu nunca havia estado, o Acotango.

Saindo de Villa Sajama, tomo a estradinha poeirenta que leva até a fronteira com o Chile e um pouco antes de Tambo Quemado, aduana boliviana, pego outra estrada de terra que vai até um lugar chamado Chachacomani (nada a ver com a montanha). Nem chego ao local para ver o que se trata. Antes, começo a subir uma estradinha particular de uma empresa mineradora e começo ganhar altura por ela.

No começo a paisagem é do altiplano, com suas estepes secas. Ao subir um vale, passo por uma região recoberta por uma floresta anã de árvores de altitude que tem seus troncos e galhos retorcidos chamados de Keñuas que me acompanha até desaparecer na altitude. A estrada é supreendentemente boa, sinal que a mineração está rendendo bem. Passo pelo local onde o Maximo acampou e atacou o cume no ano passado e continuo subindo pela estradinha até o local onde meu parceiro georreferenciou como sendo um bom local para deixar o carro e começar um ataque ao Acotango. Diferente das imagens do Google Earth, a estrada continuava montanha acima e mesmo com certo receio prossigo.

A altitude já ultrapassara 5400 metros e o carro começa a perder a força a ponto que subir uma rampa leve, é necessário engatar a reduzida e ir em primeira galgando metro por metro na estradinha. Em certo momento, o caminho se divide. Opto pela esquerda e chego ao fim de um caminho em um barranco de rocha amarela e cheiro sufuroso. A mina é enxofre e o minério abunda de tanta maneira que a extração só necessita de uma boa estrada, um caminho e peões com pá.

Decido voltar e pegar o caminho da direita. Lá ganho um pouco mais altura e chego num local com visão privilegiada para os Payachatas, o lago Chungara e o cume do Acotango que aparentava estar incrivelmente próximo. Vejo a altitude no GPS e não acredito no que vejo: 5642 metros, nunca cheguei tão alto num carro!

O sol já começava a se pôr. Dentro do carro, rebato um dos bancos e vou ajeitando a bagagem, quando vejo estou deitado como se fosse uma cama e ao meu lado, a caixa de comida virou uma mesa. O banquete foi água com bolacha e doce de leite argentino.

Dormi muito mal por conta da altitude, apesar de todo meu conforto. Decido não sair muito cedo por causa do frio. De madrugada, minha respiração condensou e congelou dentro do carro, que ficou todo branco por dentro.

Nos primeiros raios de sol eu já estava aquecendo água no fogareiro para fazer meu café, dentro do carro obviamente. Com o espaço reduzido fiquei bastante atrapalhado e demoro a me aprontar, começando a dar os primeiros passos no dia apenas às 7:20 da manhã, tarde!

Mesmo assim o calor do sol vai me aquecendo e animando, os passos lentos são contínuos e vou ganhando terrenos rapidamente. Como a montanha é bem acessível, há trilha e por isso não preciso perder tempo interpretando um caminho de subida.

Após certo tempo o terreno rochoso dá espaço ao gelo, por sorte, gelo em boa qualidade, mas que em certos locais começa a dar amostra daquilo que vai virar nos próximos anos: penitentes.

Com os crampons nos pés, vou subindo com agilidade e quando menos percebo, depois de apenas 2:20 hs de caminhada, já estou no topo com uma visão privilegiada das montanhas visinhas, o Kapurata e o Guallatiri que é um vulcão bastante ativo cheio de fumarola. Neste momento passo um rádio ao meu parceiro que está no Parinacota e ele dá a noticia que também chegou ao cume. Fizemos o topo quase que simultaneamente.

No cume encontro o livro do Banco do Chile, que está no topo de todos os 6 mil chilenos e dou meu rápido depoimento. Filmo, fotografo e deixo as cinzas do Parofes, é hora de descer. 

Chego ao carro relativamente rápido e eles nem está mais congelado. Arranco dali sem pressa e faço todo o caminho de volta para buscar o Maximo na base do Parinacota que quando cheguei, ele já me esperava. 

Na volta em Vila Sajama acabo encontrando sem querer o experiente escalador curitibano Formiga, que hoje mora na Chapada Diamantina e que está na Bolívia para escalar o Sajama, dando inicio a um novo projeto de escalar montanhas. Passamos a tarde com ele e seus amigos jogando conversa fora. Foi muito bom depois de tanto tempo sozinhos encontrar gente com a mesma afinidade. Passamos várias dicas para eles fazerem a montanha e depois partimos para nossos desafios, que na verdade eram mais meus: escalar o Guallatiri e Kapurata, montanha que o Max já tinha escalado e que iria fazer sozinho.

:: continua...

Parte boa do caminho até o Parinacota

Estrada para o Acotango

Chegando ao local onde deixei o carro.

Recorde de altitude com um carro: 5643 metros!

local onde passei a noite

Crista até o cume do Acotango

Os Payachatas pela manhã.

Caminho fácil

Crista com gelo bom

Vista para o Kapurata

Registro no cume

Parofito e a Lhama no caderno de cume.

Caderno de cume.

Apacheta destruída no cume. Indicio de escaladas incaicas.