11 de dezembro de 2014

Escalando a Lidiane Arnaud no Bauzinho

Com suas paredes verticais e bem acessíveis, o Bauzinho possui diversas vias de escalada desafiadoras que orçam os duzentos metros de altura. Já havia escalado outras vias no local e desta vez, junto com a Maria e por recomendação do Rafael Wojcik, decidi entrar na Lidiane Arnaud, via que ele abriu com o Mario (marido da Lidiane) no ano de 2006.

Chegamos tarde na base do Bauzinho, pois ainda estava cansado da guiada do dia anterior. Como em todas as vias tradicionais, sempre é meio difícil achar a via que você vai escalar por conta delas serem meio afastadas umas das outras. Através do croquis do Eliseu consegui identificar a via “V” de Vitória e logo na sua esquerda o primeiro grampo, seguido de chapas da Lidiane.

A primeira enfiada é bem técnica, com um lance de uma barriguinha meio vertical/negativa sem mãos, onde você é jogado para fora e tem que subir os pés para encontrar um reglete salvador à uma certa altura. Depois disso, ela fica mais tranquila e continua bonita.

A segunda enfiada é um quinto bem técnico e não menos desafiador, com lancezinhos de pé para ganhar altura. Estes lances foram bons para comprovar a eficiência da borracha desenvolvida pelo Snakinho, que ressolou minha sapatilha. Na terceira, existe uma parada intermediária que pode ser ignorada. Depois dela há um platô com mato, que é desviado pela direita até achar uma parede mais vertical bem protegida.

A quarta certamente é a enfiada crux, composta por um diedro negativo, mas com boas agarras. Apesar do risco eminente de quedas, o local é bem protegido. Na quinta, há alguns lances de pé com a presença de uns cristaizinhos para se segurar. A sexta é uma das mais lindas, vertical e com agarrão.

Minha opinião sobre a via é que ela é muito bonita e bem protegida. Com um grau técnico intermediário é boa para quem quer começar uma via que exige tecnicamente, mas que ainda não tem equipamentos e nem psicológico para uma parede mais comprometedora, pois não precisa de móveis e também tem pouca exposição.

Maria na saída da via Lidiane Arnaud

Chegando na primeira enfiada da via Lidiane Arnaud

Escalando a via Lidiane Arnaud

Escalando a via Lidiane Arnaud

Maria numa das paradas da via Lidiane Arnaud com o Baú ao fundo.

Crux da via Lidiane Arnaud

Crux da via Lidiane Arnaud

Nas aderências do Bauzinho




Vista do Baú desde o Bauzinho.

Bebemorando no cume.

9 de dezembro de 2014

Escalando a Ana Chata com ex alunos e com crux de marimbondo

Comecei a ministrar cursos de escalada em um clube no Paraná no ano de 2008. De lá para cá muita coisa mudou. Naquela época eu era um escalador, não era um guia de montanha. Há muita diferença entre saber escalar bem e saber ensinar as pessoas a escalar.

Neste meio de tempo fui estudando e me aprimorando. Desenvolvi um método que respeita a cognição da maioria das pessoas e com isso vi muitos ex alunos se desenvolverem. Claro que no meio do caminho apareceram pessoas talentosas que treinaram e seguiram seus próprios passos, me orgulho em dizer que o André Maeoka, que ficou em terceiro lugar no campeonato brasileiro de escalada, foi meu ex aluno. Também passou pelos cursos o Felipe Uzum e o Victor Hugo Germano que estão escalando barbaridade e já fizeram vias super casca grossa, como a Domingo Giobbi, a Marvada Bunda do Baú e a Parque dos Dinossauros.

Acho que um bom método e um lugar adequado dá para encurtar caminhos. Quem diga a Maria Tereza Ulbrich, que fez o curso em Dezembro do ano passado e neste meio de tempo já foi para Corupá, Imbituba (SC), Salinas e Dedo de Deus (RJ), Andradas (MG) e no complexo do Baú em SP, fazendo vias que exigem mais para iniciantes.

Neste final de semana tive o prazer de poder guiar 3 ex alunos que fizeram o curso de escalada no final de outubro em uma escalada tradicional na Ana Chata. Escalamos a Lixeiros e a Tom Sawyer, vias boas para quem está começando, mas que exigem controle emocional. Foram 6 enfiadas com crux de maribondo, que não nos pegou, mas deu várias picadas no Bruno Zurlini que veio escalando depois da gente.

Abaixo estão as fotos que comprovam, é escalando bastante que a gente escala melhor. Obrigado Erik, Tarik e Felipe pelo final de semana na rocha.

A enfiada crux da Lixeiros

Tarik vindo no meio da corda na primeira enfiada da Tom Sawyer

A primeira enfiada da Tom Sawyer é muito bonita, feita inteira em móvel.

Erik na Tom Sawyer

Filipe na Lixeiros

Parada em móvel

Maria e Filipe na segunda parada da Lixeiros

Filipe escalando a terceira enfiada da Lixeiros

Filipe e o Baú ao fundo.

Maria escalando a Lixeiros com o Baú ao fudo.


Escalando a quinta enfiada da Lixeiros, vide canto superior da direita

Tarik dando segurança para Erik na terceira enfiada da Tom Sawyer.



Pai e filho aprendendo e escalando juntos
A crista final da Lixeiros, muito visual!
Veja mais:

:: Tracklogs de São Bento do Sapucaí no Rumos

20 de novembro de 2014

Adeus Davi Marski

Escalei muitas vezes com o Davi. Frequentava sua casa e o considerava um grande amigo. Toda vez que eu lembro do Davi, lembro também de Andradas, pois foi lá onde mais escalamos e nos divertimos. Aliás, lembrar do Davi é ter boas recordações, de muitas risadas, pois ele era muito brincalhão e engraçado.

O Davi foi quem me apresentou à via Nirvana, na Pedra do Pantano. Lembro-me de ter escalado ela duas vezes com ele e de como ele conhecia bem todos os movimentos desta via. O Davi também gostava muito da Bolívia e era sempre muito bom conversar com ele sobre as montanhas daquele país, que eu também gosto demais.

Estou triste e chocado. O Davi era um grande parceiro, mas nos últimos anos não pude conversar muito com ele. Primeiro pela distância, segundo por que nos distanciamos, em uma daquelas coisas que acontecem sem querer na vida e que me sinto culpado.

É o segundo grande amigo que perco este ano.

Davi Marski e eu na via Nirvana (Andradas) em 2010.
http://altamontanha.com/Noticia/4575/falece-o-montanhista-davi-marski

14 de novembro de 2014

O Brasil no Topo do Mundo

Hoje eu tive o prazer de receber o meu exemplar do livro O Brasil no Topo do Mundo, o mais novo Livro de Waldemar Niclevicz.

O Brasil no Topo do Mundo é um livro belíssimo. Passei horas apenas folheando.

Este livro é uma biografia fotográfica do Waldemar, que é o maior montanhista brasileiro de todos os tempos. Maior por que é o mais experiente e maior por que é sem dúvida quem mais incentivou o montanhismo no Brasil e quem certamente, ao longo dos 135 anos do montanhismo brasileiro, o indivíduo que deixará o maior legado.

Dias atrás, um amigo da Geologia da UFPR fez um desafio para que eu revelasse quais foram os 10 livros que mais me influenciaram. Bom, até hoje eu não fiz a tal lista, pois é uma lista muito difícil de ser feita, entretanto dentro dela certamente está o primeiro livro que li do Waldemar, Everest: O Diário de uma conquista. Para quem não sabe, ele tem 4 livros!

Como eu, centenas, milhares de pessoas leram os livros do Waldemar. Mais do que isso ouviram suas palestras e se motivaram com suas histórias nas montanhas. Alguns se motivaram a produzir mais, outros a seguir os seus passos.

Foi uma grande felicidade, cerca de 10 anos que fiz esta leitura, estar nas páginas desta história.

:: O Brasil no topo do Mundo







Waldemar e eu no cume do Três Cruces Sur, Janeiro de 2013.

2 de novembro de 2014

Passagem rápida por Andradas

Após 4 anos sem dar as caras em Andradas resolvo dar uma passadinha para matar a saudades. Por sorte tudo continua como sempre foi, sendo bem recebido pela simpática dona Nice no Abrigo do Pantano e tendo as belas vias das montanhas da região para se divertir.

Meu objetivo desta vez foi introduzir a Maria numa escalada tradicional, fazendo ela guiar, o que não é fácil. Para isso escolhi a via 5 e 15, que com 190 metros de altura, 7 enfiada, é uma das mais lindas do local, uma via quase toda um quinto grau, proteções espaçadas e máximo aproveitamento de fendas naturais para proteção em móvel.

A idéia era irmos alternando as enfiadas. E foi mais ou menos isso o que aconteceu, pois como saí guiando, coincidiu da Maria ter que guiar a enfiada crux, que ela acabou passando pra mim. Mesmo assim fiquei orgulhoso, pois em apenas 10 meses escalando, fazer o que ela fez não foi fácil, tanto pela exposição dos lances de proteção fixa, quanto por ela ter guiada uma enfiada em móvel. 

Isso que é aluna prodígio!

Pedra do Elefante em Andradas

Maria de segundo.

Maria guiando a segunda enfiada da via 5 e 15.

Maria guiando na Pedra do Elefante em Andradas




Eu e Maria no cume.