1 de julho de 2014

Futebol, publicidade e xenofobia

A Copa do Mundo é uma oportunidade de negócios para as empresas. Devido a paixão pelo esporte as campanhas de publicidade exploram bastante o evento esportivo para expor seus produtos e marcas. Uma das campanhas mais divertidas foi da cerveja Skol, que fez uma boa campanha explorando alguns fatos engraçados sobre a Itália, França e Inglaterra. O bom humor, no entanto virou ofensa quando veio a propaganda da Argentina. Nela, os argentinos são presos numa casa e ela é lançada para fora da terra em um foguete. Era pra ser engraçado? Não foi...

Assisti este comercial ao lado de um amigo argentino que não gosta de futebol, não tem nenhum time e não está nem aí pra Copa. Ele se sentiu ofendido. Outra vez, eu estava caminhando com uma amiga argentina em Curitiba, falando castelhano, língua que falo fluentemente e um pedestre chamou ela de “puta” e quase me agrediu _ Desculpe, achei que você fosse argentino.

Quantas e quantas vezes os argentinos são mal tratados ao visitarem o Brasil? O brasileiro tem fama de ser hospitaleiro e gentil com os estrangeiros e de fato é, menos com argentinos e culpa disso é o futebol...

O futebol é o esporte favorito dos brasileiros e a seleção da Argentina é uma das maiores rivais de nossa seleção. Brasil e Argentina é como um Fla x Flu, um Corinthians e Palmeiras, Cruzeiro e Atlético, Grenal e por aí vai. Quando alguém faz uma piada de palmeirense, todo corinthiano acha graça. A idéia da piada com argentinos é igual a essa, mas no caso é um país contra outro. O problema é que tanto quem faz a piada como quem dá risada dela anda exagerando e o que era pra ser divertido se tornou humilhação. Dá vergonha de ver o comercial da Skol e outras de extremo mal gosto.

Eu conheço muito bem a Argentina, de La Quiaca a Ushuaia. Já estive em todas as Províncias e esta experiência está bem relatada aqui no Blog. Posso dizer com autoridade depois de anos visitando e conhecendo argentinos que a rivalidade Brasil x Argentina é unilateral. O Argentino não odeia o brasileiro como o brasileiro odeia o argentino. Pelo contrário, o Brasil é um país em moda por lá. Os argentinos querem visitar o Brasil, eles acham que somos um país mais desenvolvido e melhor para viver. Eles adoram ter sandálias havaianas com a bandeirinha brasileira (aliás outro que faz piadinhas infames sobre os Hermanos). Eles conhecem nossas músicas, nossos escritores e assistem a nossos filmes. Infelizmente, mesmo a Argentina tendo uma cultura maravilhosa, ela não chega aqui como a nossa chega por lá.

Hoje o José Simão, que há muito tempo tem feitos piadas sem graça, fez um comentário jocoso sobre a Argentina. Embaixo, uma legião de fanáticos por futebol dava sua contribuição raivosa contra minha opinião de que não deveríamos ofender nossos vizinhos do Sul. 

Como uma multidão de desmiolados falaram que eu era um idiota, e que eu deveria ser expulso do Brasil por gostar de lá. Ainda acabavam seus comentários dizendo que os argentinos se achavam superiores e arrogantes e isso justificaria aquele ódio mortal contra nossos “indesejáveis” vizinhos. Mas ao afirmarem isso com tanta convicção, eram eles os próprios arrogantes e intolerantes. 

Gostaria muito que estas pessoas fossem um dia visitar a Argentina e que sentissem a vergonha por terem promovido tanta calúnia. Gente idiota existe no mundo inteiro, inclusive na Argentina, mas acho que em época de Copa do Mundo elas vestem uniforme.



12 de maio de 2014

Adeus Parofes e obrigado por ter participado da minha vida

Sábado, dia 09 de Maio à noite. Após várias vezes tentando falar com o Parofes, avisando que iria viajar a São Paulo, decido enviar um recado para sua esposa, a Lili e a resposta foi um soco no estômago:
_ Ele acabou de falecer.

A vida é feita de conquistas e de perdas, mas confesso que de todas as perdas que podemos ter na vida, ainda não tinha tido uma assim, a perda de uma pessoa tão próxima. Sim já perdi todos meus avós e outros entes queridos pela idade. Com o passar do tempo a gente aceita perder os parentes que ficam velhos, mas um amigo que tem quase a mesma idade que eu, isso nunca tinha acontecido antes.

Todos já devem estar sabendo que o Parofes morreu de uma doença terrível, a leucemia. Acompanhei todo o processo da evolução da doença, desde a incerteza, passando pela diagnosticação, as crises e o fim.

Durante este processo ele chegou a ficar em casa durante um tempo, fomos até para a montanha juntos, para satisfazer a vontade dele de ver um pôr do sol, cozinhar uma gororoba de acampamento e dormir ouvindo o vento. Acordamos a tempo de ver o sol chegando de novo, a umidade subindo dos vales gelados e luz aquecer nossa barraca pela manhã.

Também o visitei várias vezes no hospital, que na verdade foi o local que ele mais ficou nos últimos dois anos. Várias vezes vi ele reclamar, mas também me confortar, pois obviamente não queria que ele morresse.

A última vez que o vi foi uma despedida. Rompi um pouco o protocolo e fiz perguntas sobre a morte, pois ele sabia que não teria muito tempo de vida.

Em filmes vimos diversos casos em que pessoas são diagnosticadas como pacientes terminais e aproveitam com isso para gastar todo seu dinheiro com viagens e diversão. Infelizmente com o Parofes isso não foi possível, pois no mundo real as pessoas tem dores, não aguentam fazer atividade física. Apesar do Parofes ter um vigor físico grande, devido sua experiência no montanhismo, isso o ajudou a ter uma sobrevida e a caminhar nos corredores do hospital, mas não nas ladeiras das montanhas...

Em Janeiro fiz uma expedição aos Andes e lembrei muito dele, pois acabei indo parar em San Pedro de Atacama, cidade que ele adorava! Confesso que não gosto muito de San Pedro, pois lá as coisas são muito caras. Mas era impossível não lembrar dele ali. Lá fiz duas montanhas que ele já havia escalado, o Licancabur e o Sairecabur e foi com os seus relatos e tracklog de GPS que fiz estes cumes, onde obviamente o homenageei. Depois acabei indo ao Llullaillaco e quem escalar esta montanha vai achar uma foto dele no caderno de cume (por favor deixe ela lá).

Pedi a Pachamama que o ajudasse a encontrar um doador de medula. Embora ele não acreditasse em religiões, ele gostou do pedido. Nunca saberemos se Pachamama ajudou ou não, pois fato é que ele estava muito fraco e mesmo se tivesse um doador, não conseguiria sobreviver ao transplante. A rede de doadores de medula é muito lenta e foi ineficiente para achar alguém compatível à tempo.

Sobre as perguntas que fiz a ele sobre a morte, ele respondeu simplesmente, que estava ansioso pra ver como era. Ele era assim, sem dramas. Não sofria com a morte, mas lamentava que fosse embora tão cedo, principalmente pelo fato de poder ter ficado tão pouco tempo com a Lili, sua esposa. Eles se casaram em Dezembro de 2011 e os sintomas apareceram em Janeiro de 2012.

A história de Parofes é uma história linda. Eu tenho ela guardada e vou ter o prazer de contar a todos um dia. No entanto ela acaba assim, deste jeito triste que vocês conhecem.

Estou triste, é claro. Mas confortado por pelo menos poder ter falado meu último adeus. Para finalizar, escrevo algo que esqueci de ter falado:_ Obrigado Parofes por ter participado da minha vida!



6 de maio de 2014

Ensinando escalada

É muito bom poder fazer as coisas que gostamos, melhor ainda ensinar outras pessoas aquilo que amamos. Eu adoro dar aulas de escalada e no ultimo feriado pude fazer isso para mais três pessoas, Jovani Blume e sua namorada Lara, de Roca Sales RS e Bruno Matias de Londrina.

Mais do que ensinar, aprendi bastante também, já que o Jovani é jipeiro e mecânico e me passou várias dicas. Bruno é médico e prestou serviço na Amazônia e tem muito conhecimento e gosto pela aventura. Foi bacana ver como estes dois progrediram rápido e com facilidade. No primeiro dia de prática, onde experimentamos o maio número de vias de escalada possível, testando o que são aderências, diedros, agarras, balcões etc, fizemos 9 vias! No outro dia, os alunos guiaram 6, sendo que 2 tinham duas enfiadas.

Depois de ensinar mais de 200 pessoas em 6 anos de experiência, posso dizer que estou próximo de uma fórmula de cursos onde os alunos conseguem aproveitar ao máximo em apenas em final de semana e saírem no final com autonomia. Claro que tudo depende do aluno, mas nesta formula inclui a disposição deles, então a pessoa mais preparada (que estudou antes, assistiu vídeos, estudou equipamentos) aproveita melhor.

E já estou com duas turmas agendadas para Junho, uma em Curitiba e outra em São Paulo (clique nos links para saber detalhes).

Outra novidade é que fui convidado para ministrar uma palestra na Adventure Sports Fair, a feira dos esportes de aventura em São Paulo.Minha palestra será sobre o montanhismo arqueológico dos Incas nos Andes: http://www.adventurefair.com.br/foruns-e-palestras/adventure-congress

Nos vemos por lá!


Jovani e Rafael no começo da Chaminé

Jovani experimentando as aderências do setor escola.

Bruno guiando a via Bito Meyer no setor escola

Os professores, Rafael Wojcik (que parece estar com sono) e eu.

E no dia do curso nosso amigo Gil Piekarz apareceu para fazer um voo de parapente.

Jovani escalando no setor interiores

Lara com o Rafael na segurança.

Bruno guiando na via Vitamina.

Bruno guiando.

E a via sobe... experiencia em vias mais longas....

Jovani na barriguinha guiando no novo setor escola.



Bruno na Peon.



Jovani guiando a Mônica no Anhangava.


Jovani guiando a Mônica.

Bruno indo de segundo com a segurança de cima de Jovani.

Saidera com a escalada da fenda de mão.

Fnda de mão com lanterna.




Vídeo com a escalada da fenda de mão feita pelo Jovani!

23 de abril de 2014

Escalada em família

Com uma previsão de tempo pessimista para Curitiba no feriado de Páscoa, fui obrigado a postergar meu curso de escalada agendado para estes dias e como não queria ficar debaixo d'água, resolvi ir para São Paulo visitar meus pais e ver um pouco de sol, além de mostrar pra Maria Tereza os locais onde comecei a escalar, há mais de 16 anos atrás.

Nestas idas a São Paulo, eu penso como minha região (região de Bragança Pta) é privilegiada para quem  gosta de escalada, com muitos locais bonitos, paredes até grandes e sempre tempo bom! Acabei indo para uma cidade onde ministro meus cursos no Estado, Pedra Bela, onde em 3 anos, nunca choveu numa data marcada para curso de escalada!

Acabou que minha irmã, Caiti, também foi passar o feriado na casa do meu pai junto com o namorado, Julien, que é suíço e desde que mora no Brasil nunca mais escalou. Ele estava bem afim de subir pedra e eu de levar minha irmã para escalar pela primeira vez, pois sempre achei que ela fosse se dar bem, já que ela fez circo, yoga e um monte de coisas. Dito e feito, eu, a Maria Tereza com a Caiti e o Julien acabamos indo para a Pedra da Maria Antonia escalar umas vias fáceis e relativamente longas.

A Pedra da Maria Antonia é conhecida por suas vias de cerca de 100 metros de altura, algumas bem fáceis, como a Mãe de Prata, aberta pelo André Prata que é o acesso mais fácil ao cume. Acabei escolhendo a via "Na Berola" aberta pelo meu sócio na loja AltaMontanha Rafael Wojcik e o Mario Arnauld que é um pouco mais difícil e dá uma sensação de parede, exatamente por ter uns 120 metros de altura.

A via é muito interessante. Minha irmã que nunca tinha tido contato com a rocha estranhou a sapatilha e a aderência, mas foi se acostumando com isso e também com aquela sensação estranha de ficar pendurada na parada. Alternei algumas guiadas com a Maria Tereza, que já está guiando vias que não conhece, muito bem, dando segurança de cima sem medo e com bastante confiança, foi muito legal ver o desenvolvimento dela nestes 4 meses.

Fizemos o cume e pudemos ter uma pausa lá em cima para esticar o pé (sem sapatilha) e curtir o visual, inclusive para ver uma revoada de uns 20 tucanos, coisa que nunca havia visto antes! 

Rapelamos por uma via ao lado mais empinada e no final ainda tivemos o gostinho de passar um perrenguezinho ao rapelar à noite, nada demais. Por fim foi bacana poder ter escalado com pessoas que eu gosto e ver que elas também gostaram de escalar! Espero poder escalar muitas vezes com eles ainda. Agora só preciso escalar com minha irmã mais velha, a Iluá, que já escala, mas nunca foi influenciada por mim. Ela mora na Inglaterra e nunca escalou por aqui. Tá na hora disso mudar!

A Pedra da Maria Antonia, localizada no município de Pedra Bela SP.

Minha irmã Caiti nos primeiros movimentos da via

Meu cunhadinho Julien escalando depois de muito tempo!

Maria Tereza já escalando muito bem!

Maria guiando um dos lances da via.

Eu e minha irmã Caiti.

Maria guiando outra enfiada da via.

Os 3 na ultima parada da via antes do cume.

Pra mostrar que a rocha de Pedra Bela não é granito, é um Gnaiss!

Panorâmica do cume com vista para a Pedra do Santuário.
 Ah, quem não pode fazer o curso no feriado por causa da Chuva, a nova data será no feriado de 1 de Maio. Entre em contato com a Agência GenteDeMontanha e veja como participar!

10 de abril de 2014

Ascensão ao Llullaillaco; a montanhas dos Incas, em vídeo


Llullaillaco noturno.

No fim de 2013 e inicio de 2014, eu Luiz Antoniutti e seu filho Luca Antoniuti realizamos uma expedição "relâmpago" aos Andes, onde em vinte e poucos dias subimos 3 cumes, sendo que 2 eram com mais de 6 mil metros.

A expedição teve seu ápice com a ascensão do Llullaillaco, montanha com 6740 metros de altitude que é a sétima mais alta dos Andes e é onde fica o sítio arqueológico mais alto do mundo. Isso tudo porque os Incas, há mais de 500 anos atrás, subiram esta montanha e realizaram ali em cima um ritual, onde sacrificaram 3 crianças e fizeram várias oferendas.

Por conta desta e de outras experiências, montei uma palestra sob o tema: "O montanhismo arqueológico dos Incas". Decidi apresentar esta palestra no Clube Paranaense de Montanhismo e apesar de haver poucas pessoas presentes, foi talvez a melhor palestra que já ministrei. Há mais de 12 anos ministro palestras e neste meio de tempo fiz uma centena delas, mas pela primeira vez pude misturar meus conhecimentos com minha experiência e se digo que foi uma das melhores que já ministrei foi por isso e não por minhas habilidades na fala.

Enfim, a palestra foi se alongando devido o interesse ao tema pelo público, o montanhismo arqueológico nos Andes. No total, 2 horas de conversa. No final prometi que iria mostrar um vídeo sobre minha ascensão ao Llullaillaco, mas que isso ia ficar pra mais tarde. Pois bem aqui está.