Blog do Pedro Hauck

3 de dezembro de 2017

BIG 500 2017

Após uma viagem bastante molhada à Petrópolis, onde não consegui escalar o que planejava, passei o mês de Novembro empenhado em outras tarefas e aproveitei pouco o sol que brilhou em alguns finais de semana. A presença de bom tempo, já no finalzinho da temporada de escalada, deve ter motivado o Julio Nogueira, cabeça do Projeto Big 1000 e 500 em fazer a versão mais econômica deste difícil desafio de escalada.

Para quem não sabe, o projeto BIG 500 consiste em escalar um número grande de vias de escalada no Anhangava que a soma delas resulte em 500 metros, o que não é nada fácil, dado que as vias de lá são curtas, na maior parte com apenas uma enfiada. Foi a primeira versão deste projeto, que foi duplicado em 2014 para o BIG 1000, com o acúmulo da experiência dos praticantes, que resultou em estratégias que facilitaram a realização do desafio. De fato, o 500 acabou ficando mais fácil, o que não significa que seja moleza.

Após tanto tempo de seca, tanto, por mim, quanto por meu parceiro de escalada Fábio Lima, com quem já realizei um 500 e um 1000 neste ano, decidimos aproveitar o bom tempo que a previsão prometia para o final de semana e assim combinamos completar o desafio no sábado. 

Assim, com a parceria também de Renato Santini, com quem fizemos as primeiras vias, completamos o último desafio do ano, num dia frio, com muito vento, neblina e chuviscos. A previsão me fez deixar em casa o anorak e a blusa e levar óculos de sol e protetor. Passei muito frio de camiseta e bermuda, mas conseguimos. Começamos a escalar a 12:15 e terminamos por volta das 20 horas. Como o morro estava muito molhado, não pudemos escalar no Campo das Panelas e andamos por todo Anhangava procurando vias secas para escalar, o que resultou numa perda de tempo considerável e também num grande número de vias. Abaixo está a relação delas:

1) RS : 27m
2) Monica Total: 29m
3) Solanjaca: 25m
4) Jo Casta: 20m
5) Sétimo Dia: 25m
6) Diversão Garantida: 25m
7) Peon: 19m
8) Via em móvel entre a Peon e a Diversão Garantida: 22m
9) Andorinhas com Bunda: 25m
10) Transversal Sexto Grau com Caninana: 44m
11) Curitiba: 27m
12) Bogotá: 35m
13) Aracaju: 31m
14) Kathmandu: 30m
15) Salvador: 28m
16) Luar do Sertão: 24m
17) Rancho Fundo: 23m
18) Vida Marvada: 24m
19) Chaminé do Corvo: 20m

Via Caninana

Via em móvel na direita da Diversão Garantida e esquerda da Peon.

Via Sétimo Dia

Via Jo Casta

Diversão Garantida

Saída da via em móvel na direita da Diversão Garantida e esquerda da Peon

Repondo energias com Ogiva.

Bunda.

Transversal Sexto Grau

Via Aracaju 
Tudo muito molhado



Via Curitiba

Via Bogotá

Fábio na via Aracaju

Fábio na via nova que fica no rapel da Aracaju.

Tempo Patagônico no Anhangava. 

13 de novembro de 2017

Energia boa - Ogiva Energy Food

Ganhei um pote de Ogiva, um energético fabricado no Rio Grande do Sul que tem uma receita bem elaborada.

A Ogiva é um creme de tâmara com cacau, melado, noz moscada, cardamomo e sal rosa. Uau, cheio de coisas boas e diferentes! De fato, um pasta muito gostosa.

Porém, não é isso o que interessa, mas sim que é um energético e sempre que estou em atividade tenho aquele momento em que preciso de uma recarregada na energia.

Quem numa trilha ou parede não teve aquele momento de hipoglicemia? Pois bem, em uma atividade prolongada isso é normal e normalmente levamos os famosos gel carboidratos, que são bem populares e recarregam bem nossa energia. 

O problema é que muita gente acaba ficando enjoado de tanto tomar gel carboidrato. Em atividades de alta montanha, é preciso tomar cuidado, pois após ingerir o gel você precisa se hidratar bem, o que muitas vezes pode ser difícil. Na verdade nem precisava comparar a Ogiva com o gel, pois a Ogiva é algo único no mercado. 

Comi apenas dois potes de Ogiva, o suficiente para já poder escrever sobre ele. Meu primeiro pote fui comendo aos poucos nos fins de tarde após o trabalho e antes de treinar escalada. Sabe aquela sensação de cansaço depois do expediente? Pois bem, foi exatamente isso que melhorou. Comia algumas colheres de ogiva antes de treinar, quando estava com a energia baixa e isso me revigorava.

Mais tarde levei um pote numa viagem, onde comi algumas colheradas para me reanimar numa parede. O resultado foi muito satisfatório! Por isso estou deixando o gel de lado para apenas ficar com a Ogiva.

Sobre o preço da Ogiva

Um pote de Ogiva custa, em novembro de 2017, R$ 49.90, praticamente cinquentão! Você pode falar que é caro, mas será?

Pelo tanto de vezes que usei e o tempo que durou meu ultimo pote, acho que não é caro, pois dura muito mais tempo e vem uma quantidade muito maior que a quantidade de sachês de gel que você compra com cinquentão, no fim, você economiza e tem um produto de melhor qualidade.

Eu recomendo!

14 de outubro de 2017

Superfícies de Erosão na Serra do Mar: Contribuição sobre a genética do relevo brasileiro

Em 2011 ingressei no Programa de Pós Graduação em Geologia da UFPR com o propósito de estudar as origens e evolução da Serra do Mar paranaense. Tinha em minha cabeça muitas perguntas sem resposta que não eram coerentes com o conhecimento que havia sobre as montanhas brasileiras.

Até este momento, ainda se falava nos livros de Geografia que o relevo brasileiro era “antigo”, um conceito que é atribuído à um trabalho de 1899 do geólogo norte americano Willian Morris Davis. 
Davis fez uma comparação das formas de relevo das montanhas das regiões tectonicamente mais ativas e concluiu que após elas se formarem pelo tectonismo, o tempo seria responsável por sua total destruição e por fim, após 60 milhões de anos chegaríamos à um planície, um relevo sem montanhas, com grandes rios meândricos. 

Neste conceito, as montanhas do Brasil por serem arredondadas e de baixa altitude, seriam montanhas antigas, ao ponto que no Andes as montanhas era jovens e o relevo, da bacia platina, seria um exemplo de relevo senil.

Apesar de coerente, seria mesmo tão antigo assim o relevo brasileiro?

Escolhi como área de minha pesquisa a Serra do Mar, na região onde fica o Pico Paraná, onde identifiquei superfícies aplainadas que seria remanescentes de um relevo antigo, anterior às montanhas. Porém, como datar o relevo?

Em 2008, durante um SINAGEO, conheci  o Dr. Luis Felipe Brandini Ribeiro, onde tive acesso um moderno método de datação que poderia me dar uma resposta sobre a idade da Serra do Mar. Era a Termocronologia com Traços de Fissão em Apatitas, um método bastante complexo que exigiria além de muito conhecimento, extenuantes saídas de campos para coleta de material.

A apatita é um mineral raro. No Granito da Serra do Mar ele compõe menos de 0.5% de todos os minerais contidos na rocha. Para conseguir uma quantidade suficiente deste mineral, precisaria de fazer a coleta de pelo menos 30 quilos de rocha por ponto. Foram 23 pontos de coleta.

Na verdade, me diverti muito coletando estas rochas, pois tive que ir caminhar nas montanhas várias vezes. Em uma das vezes, caminhei desde o A2 até a Fazendo Pico Paraná, com 61,3 Kg nas costas! Foi meu recorde pessoal.

Depois de separar as rochas, começou o processo mais penoso, a separação dos minerais.
Tive que triturar as rochas em várias frações mais finas. Peneirar diversas vezes e enfim começar a separar. Primeiramente usando uma bateia mecânica, depois, um separador magnético, para enfim, com o bromofórmio, separar os minerais mais pesados.

Após este processo, com uma lupa, separava os minerais de apatita dos demais apenas no olho! É muito difícil reconhecer este mineral dos demais e a única maneira de saber se uma apatita é uma apatita é destruindo ela com um reagente químico. 

Por fim, os minerais eram alinhados de 10 em 10 e resinados. Depois de seco, as resinas eram lixadas e polidas para enfim sofrerem um banho químico para ter os traços revelados. Depois disso elas foram levadas para o reator nuclear do IPEN, onde foram irradiados.

Aí é que a pesquisa parou. O reator do IPEN ficou fechado por muito tempo por manutenção. Houve greve de servidores e muitos problemas. Minhas amostras demoraram 2 anos para serem irradiadas e nisso fui desligado do Programa de Pós Graduação.

Claro que fiquei muito decepcionado. Me senti culpado e envergonhado, sobretudo com meu orientador, quem havia depositado muita confiança em mim.

No entanto, todo fim é um recomeço. Acabei me virando para poder ganhar minha vida. Trabalhei como guia de montanha, ministrei cursos de escalada e acabei fundando junto o Hilton e o Rafael a Loja AltaMontanha, dedicada à venda de equipamentos de montanhismo. Foram anos de muito trabalho e pouco tempo para pensar.

Finalmente, depois de muito esforço, encontrei tempo para, ainda que não tivesse todas as ferramentas à minha disposição, finalizar a pesquisa, pelo menos até o ponto onde foi possível. Assim, escrevo agora o resultado de tanto esforço. Paleosuperfícies de Erosão na Serra do Mar do Paraná é o resultado de anos de estudo e dedicação às geociências e nele respondo a pergunta que fiz a mim mesmo quando comecei a escalar.

De fato, as montanhas no Brasil não são antigas. Porém há sim feições velhas nelas ainda preservadas, são as Paleosuperfícies.

Neste livro, além de desvendar as origens das montanhas brasileiras da borda leste do continente, ainda faço uma revisão de capítulos interessantes da história das geociências, onde os protagonistas viveram nas montanhas, como Walther Penck, criador da teoria da Pediplanação e Reinhard Maack, descobridor do Pico Paraná, local deste estudo e que contribuiu muito com argumentos para a teoria da Tectônica de Placas.



18 de setembro de 2017

Mountain Festival 2017

Rolou em São Bento do Sapucaí o Mountain Festival 2017, um evento que promete ser o maior do montanhismo brasileiro.

Diferente de outros eventos de escalada, o MF abriu as portas para todos os esportes de montanha, não apenas a escalada em rocha, mas também o montanhismo de travessias, de alta montanha, corrida de montanha, mountain bike, voo livre e claro, todas as modalidades de escalada, do boulder ao tradicional.

Casa cheia para assistir minha palestra
Participei como palestrante, onde ministrei a palestra sobre o montanhismo praticado pelos incas há mais de 500 anos atrás. Uma palestra que venho ministrando há algum tempo em diversos locais e que tem agradado muito, sempre com o publico tendo muito interesse.

Também participei como apoiador, como Naturehike, a marca de barracas e equipamentos de camping que somos distribuidores. Novamente foi uma atração, onde o publico pôde ver a qualidade dos materiais. De fato equipamentos que vieram para ficar, com ótima relação de peso e custo. Não é a toa que vem fazendo muito sucesso.

Como ninguém vive só de trabalho, aproveitamos o domingo para escalar e junto com a Maria e o Fábio repetimos a via V de Vitória, conquistada pelo Rafael e o Mario Arnaud. 

Quem nos deu a dica foi o proprio Rafael, que me passou os betas e emprestou um par de estribos e cliff: _ Cara, tem um lance em artificial de cliff, você vai ver só, escala assim e assado e pronto!

Fomos para a parede com as dicas, mas confesso que nem prestei muito atenção. Estava achando que a escalada seria trivial. Como estava também com muitas coisas na cabeça, acabei indo com aquela ideia: _ Escalo o que tiver pela frente!

Enfim, logo na saída da via, encontro um lancezinho um pouco dificil. Porém vejo um furo e penso: _ Tá aí o furo do cliff! Passei com os estribos.

Após este lance, fiquei tranquilo. pensando que o pior havia passado. Assim fomos passeando pela parede. Numa cordada de três, alternava as guiadas com o Fábio e a Maria, com unha encravada, ficava no meio.

Eis que chego na base de um paredão negativo com muitas foliações. Observo e acho que é um lancezinho factível, pois havia muitas agarras. Porém, era a vez do Fábio escalar, que foi com cautela.

E o Fábio foi reclamando, claro, que no jeito do Fábio, bem silencioso. Ele reclamar de algo é por que este algo é realmente dificil. 

Após tentar de inúmeras vezes, vou dando a dica dele subir segurando as costuras e assim, escalando, costurando e escalando novamente ele venceu o lance.

Quando entrei na parede é que me dei conta de que aquele era o lance dos estribos, que o Fábio fez parcelado e sem juros. Tá bem o piá!

O Mountain Festival foi um ótimo evento! Vida longa ao Festival!

Barracas Naturehike

Saidinha que artificializei o lance, ou seja, roubei!

Maria escalando.

Fábio, Maria e eu com o Baú atrás.

Eu dando segurança para a Maria

Fábio e a Maria vindo atrás. Eu na parada indo de terceiro nesta enfiada.

Palestra sobre o Montanhismo dos Incas.

7 de agosto de 2017

Thule Experience 2017

Participei do Thule Experience deste ano, um evento promovido pela Thule do Brasil para mostrar as novidades da marca deste ano e as tendencias para o ano que vem.

Recebi o convide do Giuliano, o CEO da marca aqui no Brasil e tive a satisfação de poder apresentar uma palestra sobre minhas ultimas experiências na montanha, além de conhecer outros atletas e empresários do meio da montanha no Brasil. 

Foi uma grande satisfação conhecer pessoalmente pessoas como Luis Yoiti da Bivak, Pedro Leite da Adrena, o guia Rodolpho da Serra Fina e tantas outras pessoas que já conhecia pela internet. Além é claro de finalmente poder conhecer o Refúgio Serra Fina, do caprichoso Mauricio Anchovas.

Agradeço muito à Thule do Brasil por acreditar em meu potencial e também por nos equipar com produtos de tanta qualidade que uso em minhas expedições. 

Abaixo deixo algumas fotos que surrupiei dos participantes. Muito obrigado a todos!